Erasmo Carlos tem imóvel arrombado após decisão judicial e filhos relatam furto de bens valiosos
Herança do saudoso 'Tremendão' vira palco de disputa, com itens icônicos sumindo e transações bancárias sob investigação
Uma disputa pelo espólio de Erasmo Carlos veio à tona após a Justiça cumprir mandado de busca no imóvel do cantor no Rio e constatar o sumiço de itens históricos, como troféus do Grammy Latino, manuscritos e guitarras. A ação foi movida pelos filhos do artista, que também registraram queixa-crime para apurar transferências bancárias suspeitas de R$ 345 mil feitas após a morte do pai. As suspeitas recaem sobre a viúva, Fernanda Esteves, acusada de apropriação indébita. A defesa dela não se manifestou.
A saga póstuma de Erasmo Carlos, o eterno Tremendão da nossa música, ganha contornos de um verdadeiro thriller judicial que prende a atenção do público e da indústria.
Longe dos holofotes dos palcos e das canções que embalaram gerações, a residência do ícone em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, tornou-se o epicentro de uma investigação complexa. De acordo com informações do site Hugo Gloss, uma decisão judicial recente autorizou a entrada da polícia no imóvel, revelando um cenário que levanta mais perguntas do que respostas sobre o legado material do artista.
O que parecia ser uma simples diligência para catalogar o espólio do cantor transformou-se em um quebra-cabeça intrigante. Agentes da Justiça, munidos de um mandado de busca e apreensão em outubro de 2024, precisaram de um chaveiro para acessar a propriedade, com a autorização para uso de força policial caso houvesse resistência.
Após cerca de três horas de inspeção, o balanço foi alarmante: diversos objetos que representam a alma e a trajetória de Erasmo Carlos simplesmente não foram encontrados, alimentando a curiosidade sobre o destino dessas relíquias.
O Vazio Deixado Pelas Memórias
Ainda de acordo com Hugo Gloss, entre os bens que deveriam compor o espólio e, até o momento, permanecem desaparecidos, estão símbolos inquestionáveis da carreira de Erasmo Carlos. Dois troféus do Grammy Latino - um por Melhor Álbum de Rock Brasileiro, conquistado em 2014, e o prestigioso Prêmio à Excelência Musical, de 2018 - figuram na lista.
Para além das honrarias, uma guitarra dos anos 1960, autografada por lendas da MPB, e cadernos repletos de anotações pessoais e composições inéditas, verdadeiros tesouros para fãs e pesquisadores, também sumiram. A emoção se intensifica com a menção de uma antiga máquina de costura que pertenceu à mãe do artista, um objeto de valor sentimental incalculável para o cantor, conforme relatos.
Essa busca foi impulsionada pelos filhos de Erasmo, Leonardo Esteves e Gil Esteves. Inicialmente, a viúva do cantor, Fernanda Esteves, havia sido nomeada inventariante, mas posteriormente declinou da função, passando a responsabilidade para Leonardo. Foi a partir dessa mudança que o pedido judicial foi feito, visando garantir que os bens fossem devidamente incorporados ao patrimônio a ser partilhado.
A ausência dos itens no imóvel levanta sérias questões sobre a integridade do espólio e a gestão dos bens antes da transição.
Transações Suspeitas e a Sombra da Fraude
A trama se adensa com a revelação de movimentações financeiras atípicas. Após o falecimento de Erasmo Carlos em 2022, os filhos do artista protocolaram uma notícia-crime junto à Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro. O motivo: investigar transferências bancárias que levantaram suspeitas. Uma delas, no valor de R$ 345 mil, saltou aos olhos dos herdeiros.
O foco recai sobre uma transferência de R$ 300 mil para uma conta atribuída a Fernanda Esteves, realizada em 22 de novembro de 2022. Esta data é a mesma do falecimento de Erasmo Carlos, aos 81 anos. Os filhos sustentam que a operação teria ocorrido logo após o óbito do pai, enquanto ele ainda estava no hospital.
Uma segunda transação, de R$ 45 mil, teria saído da conta do cantor semanas depois, destinada, segundo os herdeiros, ao pagamento de serviços jurídicos contratados por Fernanda.
Os advogados de Leonardo e Gil Esteves não hesitam em apontar a gravidade da situação. Eles defendem que os fatos configuram, em tese, apropriação indébita, agravada pela condição de inventariante, e furto qualificado por abuso de confiança.
O pedido de instauração de inquérito policial e a oitiva de Fernanda Esteves buscam esclarecimentos sobre as movimentações e a possível restituição dos valores ao espólio. Até o momento, a defesa da viúva não se manifestou publicamente sobre as acusações.
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