Ricky Martin enfrenta processo "interminável" por música para Copa que é reiniciado nos EUA
Batalha judicial se refere à música 'Vida', de 2014 e que vem se arrastando nos tribunais federais há mais de uma década
Quando se trata de batalhas legais no universo da música, algumas se arrastam por anos, testando a paciência de todos os envolvidos. Mas poucas rivalizam em longevidade e reviravoltas com o embate judicial que envolve Ricky Martin e a canção Vida.
Quase 12 anos após o pontapé inicial do processo, o caso acaba de ganhar um novo fôlego, prometendo mais capítulos em uma saga que já se tornou lendária nos corredores dos tribunais.
De acordo com a Billboard, a história começa em 2014, quando Vida, faixa integrante do álbum oficial da Copa do Mundo FIFA One Love, One Rhythm - The 2014 FIFA World Cup Official Album, embalava os torcedores e galgava posições, chegando ao 5º lugar na parada Billboard Hot Latin Songs.
A música, interpretada por Ricky Martin, nasceu de um concurso promovido pela FIFA e Sony Music, onde compositores de todo o mundo puderam submeter suas criações. Luis Adrián Cortés-Ramos foi um desses participantes.
Embora sua composição não tenha sido a vencedora, ele alega que a versão final de Vida, lançada por Ricky Martin, guarda semelhanças gritantes com sua obra, configurando plágio.
O que se seguiu foi uma verdadeira montanha-russa jurídica. Inicialmente, o processo movido por Cortés foi arquivado em 2015, sob o argumento de que, ao participar do concurso, ele havia assinado um termo de renúncia, concordando em resolver quaisquer disputas por meio de arbitragem privada.
Mas Cortés não se deu por vencido, e a decisão foi parar no Tribunal de Apelações dos EUA para o Primeiro Circuito, que em 2016 confirmou o arquivamento. Contudo, a persistência de Cortés o levou a mover uma nova ação, desta vez diretamente contra Ricky Martin, e após mais uma série de idas e vindas, ele finalmente obteve uma vitória parcial em 2020, quando o tribunal permitiu que o caso prosseguisse.
Ricky Martin: a busca perpétua por justiça
A saga parecia ter chegado ao fim em agosto de 2023, quando um juiz concedeu a Ricky Martin um julgamento sumário, encerrando o caso sem a necessidade de um julgamento por júri. No entanto, em uma surpreendente reviravolta no dia 12 de junho, o Primeiro Circuito anulou essa decisão em uma opinião de 41 páginas.
Ainda de acordo com a Billboard, a juíza O. Rogeriee Thompson, ao escrever para o painel de três juízes, explicou que o tribunal de primeira instância agiu precipitadamente, negando a Cortés uma "chance justa de descoberta" - o processo crucial onde as partes trocam evidências.
A decisão ressalta a importância de um rito processual completo, afirmando: "Ele tomou essas ações abrangentes sem dar a Cortés o benefício de uma chance de buscar a descoberta, apesar de seus repetidos apelos por tal oportunidade. Cortés apela com base nisso... "
A frase "busca perpétua" ecoa na decisão do juiz do Tribunal de Apelações, que pontuou: "Hoje, consideramos mais um capítulo na busca perpétua de [Cortés] por uma boa e velha justiça de direitos autorais. "
Implicações e o Futuro
Com a nova decisão, o caso retorna ao tribunal inferior, onde Cortés terá, finalmente, uma "oportunidade plena e justa" de conduzir a descoberta, um processo que pode ser demorado e custoso. Somente após essa etapa o juiz considerará novamente a possibilidade de conceder a Ricky Martin um julgamento final. Mas, como a história tem demonstrado, qualquer decisão pode ser passível de recurso, arrastando ainda mais essa intrincada batalha legal.
Este caso se tornou um estudo de caso sobre a persistência na busca por justiça e os labirintos do sistema jurídico, especialmente em questões de direitos autorais na indústria musical.
Enquanto a indústria aguarda o desfecho, Ricky Martin e seu time jurídico se preparam para mais uma rodada, em um enredo que parece longe de ter sua canção final.
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