Cher terá de pagar US$ 1 milhão em custos legais após disputa
Apesar de sua vitória em uma disputa judicial sobre direitos autorais com Mary Bono no ano passado, cantora ainda precisa arcar com os custos advocatícios exorbitantes que acumulou
A lendária Cher, um ícone da cultura pop, pode ter emergido vitoriosa na complexa batalha judicial pelos direitos autorais de seu legado musical com Sonny Bono (1935-1998), mas a fatura a ser paga é amarga: 1 milhão de dólares em honorários advocatícios.
A decisão, que reverberou no universo do entretenimento, nega à diva o reembolso de US$ 1.023.605,00 gastos na disputa contra Mary Bono, viúva de seu ex-parceiro, conforme revelado pela revista Rolling Stone e Billboard. Uma vitória de Pirro, onde o custo do triunfo quase supera a alegria da conquista.
A trama jurídica, que se arrastou por anos, viu seu desfecho em dezembro de 2025, quando um juiz federal validou a posição de Cher. No entanto, a negativa de ressarcimento dos custos legais lança uma sombra sobre o veredito. O juiz John A. Kronstadt justificou sua decisão afirmando que a contenda se fundamentava primariamente em questões contratuais, e não exclusivamente na lei federal de direitos autorais.
Tal distinção técnica impediu a aplicação das regras que poderiam obrigar Mary Bono a arcar com as despesas da cantora, uma reviravolta que certamente pegou a equipe jurídica de Cher de surpresa e gerou discussões acaloradas nos bastidores.
O Verbo Final do Juiz e a Luta por Royalties
No final do ano passado, a sentença de Kronstadt foi clara: Cher detém o direito de 50% dos direitos autorais das composições de Sonny Bono, conforme estabelecido em seu acordo de divórcio de 1978. A decisão final, assinada em 26 de novembro de 2025, formalizou o impedimento de Mary Bono de utilizar a Lei de Direitos Autorais federal para reaver essa fatia.
Essa parte da disputa, que durou quatro anos, foi um alívio para Cher, garantindo a ela a continuidade de recebimento de royalties de sucessos atemporais como I Got You Babe e The Beat Goes On.
A situação se complicou ainda mais quando Mary Bono expressou o desejo de negociar diretamente com o Iconic Artists Group de Irving Azoff, para quem Cher vendeu os direitos de suas composições e gravações em 2022. A intenção de Mary era repassar os pagamentos ao espólio sem a intervenção de Cher, uma manobra que foi barrada pela decisão do juiz.
Kronstadt assegurou que Cher mantém seu direito de receber os royalties diretamente, solidificando sua posição na intrincada rede de direitos autorais e licenciamentos.
Implicações e o Silêncio dos Envolvidos
A saga, no entanto, não chegou a um ponto final absoluto. Mary Bono prontamente contestou a decisão do juiz, e o recurso ainda aguarda parecer de um tribunal federal de apelações, mantendo uma ponta de incerteza no ar. Enquanto isso, o silêncio é a tônica: um advogado de Mary Bono declarou "não ter nenhum comentário a fazer neste momento", e a assessoria de Cher não respondeu aos pedidos de comentário da Rolling Stone.
A discrição é compreensível, dada a sensibilidade e a complexidade legal do caso.
Aos 79 anos, Cher, que moldou uma carreira solo brilhante após o sucesso com Sonny nos anos 1960, coleciona prêmios Grammy, Oscar e Emmy, consolidando-se como uma força inabalável na indústria musical. Sua recente aparição no Grammy de 2026 para receber um prêmio pelo conjunto da obra apenas reforça seu status lendário.
A controvérsia em torno dos direitos autorais de Sonny Bono se intensificou após sua trágica morte em 1998, quando Mary Bono assumiu a administração do espólio. Com a possibilidade de rescisão dos direitos autorais a partir de 2018, Mary buscou reaver certos direitos, desencadeando a batalha que agora deixa Cher com uma vitória agridoce e uma conta milionária a pagar.
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