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A música de 1968 que acabou com o The Smiths

Uma canção da década de 1960 e o temperamento de um ícone selaram o destino de uma das bandas mais influentes dos anos 1980.

1 ago 2026 - 13h37
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A música de 1968 que acabou com o The Smiths
A música de 1968 que acabou com o The Smiths
Foto: The Music Journal

A história do rock é pontuada por lendas efêmeras, com trajetórias meteóricas que, embora curtas, deixaram marcas indeléveis. Assim como Beatles, Nirvana e Cream, os Smiths se encaixam nesse panteão, construindo um legado que ecoa até hoje, mesmo sem ter completado uma década de existência.

O grupo de Manchester, que ascendeu rapidamente nos anos 1980, cativou uma geração com as letras poéticas e melancólicas de Morrissey e as melodias inconfundíveis de Johnny Marr. Contudo, por trás do sucesso e da aclamação crítica, fervilhava uma tensão que culminaria em um dos rompimentos mais emblemáticos da música britânica.

Apesar de sua estatura lendária, a banda não foi imune aos dramas internos que frequentemente assolam grandes talentos. Morrissey, uma figura carismática e inegavelmente talentosa, também era conhecido por seu temperamento, uma característica que, ao longo do tempo, corroeu a parceria criativa com Johnny Marr.

Brigas e desentendimentos tornaram-se o pão de cada dia, transformando o processo de criação em um campo minado. Em 1987, no ápice de sua popularidade e reconhecimento, o The Smiths, de forma abrupta, encerrou suas atividades, deixando fãs e críticos em choque, similar ao que aconteceu com o The Police.

A Canção Proibida e o Ponto Final

A gota d'água para o fim da banda, como revelado pela Far Out Magazine, foi surpreendentemente um cover de uma canção pop de 1968: Work Is a Four-Letter Word, gravada pela cantora Cilla Black. Não era um hino revolucionário, nem uma balada épica, mas a insistência de Morrissey em gravá-la, contra a vontade veemente de Marr, selou o destino do grupo.

O guitarrista considerava a escolha inadequada e um passo na direção errada para a identidade musical dos Smiths. Esse embate final, embora aparentemente trivial, sintetizava a profunda divergência artística e pessoal que já havia se instalado entre os dois.

A decisão de Morrissey de seguir em frente com o cover foi o catalisador que Marr precisava para se desligar definitivamente. Aquele momento marcou não apenas o fim de uma discussão, mas o ponto final na trajetória de uma das bandas mais influentes da década de 1980. O comportamento de Morrissey, já notório por sua inflexibilidade, esbarrava na visão musical de Marr, resultando em um impasse insolúvel.

Legado e Recusas

Ao contrário de muitas bandas icônicas que, após conflitos internos, eventualmente retornam para reuniões e turnês lucrativas - como Guns N' Roses, The Police e Pink Floyd -, os Smiths permanecem como uma exceção notável.

Assim como Beatles e Talking Heads, nunca houve um retorno, uma reconciliação, ou um palco compartilhado novamente. A decisão de manter a integridade de seu legado, sem ceder à tentação de reuniões, contribui para a aura mítica que envolve o grupo.

Curiosamente, a canção que detonou o fim dos Smiths tem uma história própria. Work Is a Four-Letter Word foi produzida pelo lendário George Martin, o "quinto Beatle", que não só orquestrou a maior parte da discografia da banda de Liverpool, mas também colaborou com diversos outros artistas, incluindo Jeff Beck e, claro, Cilla Black.

Essa conexão, embora indireta, adiciona uma camada de ironia ao desfecho de uma das bandas mais reverenciadas do rock alternativo.

O episódio serve como um lembrete vívido de como a arte, o ego e as complexidades humanas podem se entrelaçar, culminando em finais inesperados para histórias que pareciam destinadas à eternidade.

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