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Luiza Possi lança disco e fala sobre 'The Voice': "viram que é digno"

10 dez 2013 - 15h52
(atualizado às 20h39)
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Foto: André Nicolau / Divulgação

Aos 29 anos, Luiza Possi vive a maturidade de sua carreira. Com seu quarto álbum de estúdio chegando ao público, a cantora investe no flerte de sua MPB com o amado rock ‘n’ roll, e no conceito de um disco que expressa um contexto como um todo, em que “você consegue ouvir uma história, com começo, meio e fim”, comentou Luiza em entrevista ao Terra.

Produzido por Dadi Carvalho – que além de produtor também ficou conhecido por ser baixista dos Novos Baianos na década de 1970 -, Sobre o Amor e o Tempo tem 14 faixas que contam com a participação de músicos como Erasmo Carlos, Lulu Santos, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto. O álbum ainda é aberto com Tao da Lua, primeira canção escrita por Luiza e que nunca havia sido gravada.

A atmosfera emocional do disco não para por aí. Em Dois em Um, foi concebido “um encontro de pais”, segundo definiu a cantora. Isso porque a faixa, que é assinada por Erasmo Carlos, foi lançada pelo Tremendão no álbum Santa Música (2004), trabalho que, na época, foi produzido pelo pai de Luiza, Líber Gadelha.

The Voice

Na televisão, Luiza também parece ter seu lugar garantido. Em sua segunda participação como assistente do júri no reality show The Voice Brasil, da TV Globo, ela destacou a qualidade musical nos candidatos. “As pessoas assistiram aos pioneiros e viram que é uma coisa bacana, que vale a pena. Então acabou indo mais gente talentosa. As pessoas viram que é uma coisa digna”, comentou ela sobre a atração, que teve sua primeira edição no País em 2012.

Além de falar sobre o novo álbum e o The Voice, na entrevista Luiza também comenta a atual cena musical brasileira e o papel do funk na emancipação feminina. Confira abaixo.

Terra - Você tem quatro álbuns de estúdio e dois ao vivo. O que esse disco novo traz de diferente em relação aos outros?

Luiza Possi -

Eu acho que a marca dele é ser um trabalho que tem uma linha, um norte, um conceito. Outro dia uma pessoa falou uma coisa que serviu muito para mim: que ele é um CD que, se você ouvir as músicas aleatoriamente, com outras músicas, você consegue perceber quais fazem parte desse disco. Tem uma condução de arranjos, os instrumentos e os elementos usados são muito coerentes entre si em cada música.

Terra - Você pensou em algum tipo de continuidade bem marcante para unir as faixas?

Luiza -

Dá pra ouvir separado, mas se você ouvir o contexto como um todo, uma música depois da outra, na ordem, que influencia muito, você consegue ouvir uma história, com começo, meio e fim.

Terra - Nesse trabalho você flerta com elementos do rock. Como decidiu passear por esse caminho?

Luiza -

Eu sempre passeei e são elementos muito presentes nos meus shows. São os momentos de auge e mais marcantes para mim, onde eu me sinto mais realizada. Então eu resolvi, pra fazer um disco, escolher um lado mesmo, uma das vertentes. Quando você é uma pessoa eclética, fica difícil você ter um conceito e seguir reto, mas dessa vez eu resolvi que faria um disco coerente, com uma linha a seguir, e não um retalho de coisas. E o rock ‘n’ roll dentro da MPB, que é o que eu faço, é uma vertente que me dá muito prazer, uma sensação de plenitude muito grande, e incorpora a minha personalidade dentro da música.

Foto: André Nicolau / Divulgação
Terra - Falando em rock ‘n’ roll... Que artistas você curte?

Luiza -

Quando eu falo rock ‘n’ roll, é uma coisa mais anos 70, o rock ‘n’ roll folk, que pra mim se transfere muito no Brasil no baião, por exemplo. Então, Bob Dylan, Beatles, Janis Joplin, Rolling Stones... Uma coisa mais setentista.

Terra - Alguns desses artistas serviu como inspiração para compor o álbum?

Luiza -

Eu sempre falo isso para as pessoas, inclusive no

The Voice

, que é bacana você usar suas referências, mas também se tornar uma referência. Ninguém pode perceber isso

(referências)

nitidamente. O bacana é você ter uma referência que entra em você e que sai de uma forma completamente sua. A referência não é cópia, é inspiração.

Terra - O Dadi assumiu a produção de um álbum seu pela primeira vez. Como chegou até ele?

Luiza -

Sinceramente? Pelo meu pai. Eu estava caçando várias pessoas, tive várias reuniões com vários produtores, mas não era, não era... Até que o meu pai falou: “chama o Dadi!”. E eu pensei: “cara, por que eu não chamo o Dadi?”

(risos)

. Então eu chamei e deu super certo, funcionou demais, a gente se dá muito bem. Tudo foi muito rápido, no estúdio, na gravação. A gente tem uma linha de raciocínio muito parecida, fora o bom gosto dele e a elegância com que ele faz as escolhas dele.

Terra - Quanto tempo vocês demoraram para produzir tudo?

Luiza -

De julho a outubro.

Terra - Bem rápido! Você já tinha bastante coisa pronta?

Luiza -

Eu já estava pegando muito repertório, trabalhando nisso há um ano, mais ou menos. Eu sabia o que eu queria e aonde eu queria chegar, e passei todo o briefing pra ele. Eu sabia que eu queria

(o disco)

com um conceito só, com uma linha que tivesse um contexto mesmo. Passei pra ele isso do rock ‘n’ roll dentro da MPB, do baião, do folk... Eu cheguei com um material grande e ele também, a gente já estava se falando desde abril ou março. Então ele também foi pegando esse repertório grande e, quando a gente se encontrou, a primeira coisa que eu disse pra ele foi: me diga não.

Terra - Por quê?

Luiza -

Porque é muito difícil. Quando você atinge um momento da sua vida, ninguém te diz muitos “nãos”. E depois, quando está tudo pronto, diz: “puts, não sei se era isso". Mas não teve ninguém para te dizer não, ainda mais quando você é o dono da bola.

Terra - Você já chegou com o que iria entrar no disco, ou tinha mais material para escolher?

Luiza -

Eu tinha muita música, tanto minha quanto de outros compositores amigos. E ele

(Dadi)

também. A contribuição dele de repertório foi excelente.

Terra - E como foi o processo para escolher o que entraria no CD?

Luiza -

Foi difícil, porque foi muito imparcial. Não foi nada baseado em amizade, em apego sentimental, em “ah, mas o meu amigo que mandou

(a composição)

”... Não teve isso. Foi nessa parte que eu disse: “Dadi, me diz não”.

Foto: André Nicolau / Divulgação
Terra - As canções contam com a participação de músicos renomados, como o Lulu Santos e o Erasmo Carlos. Como surgiram essas parcerias?

Luiza -

Foi cada uma de um jeito. A do Erasmo, a gente pediu para o Léo

(Esteves)

, filho do Erasmo, e quando ele mandou, a gente amou a música. Ele, então, ligou e falou: “cara, essa música meu pai lançou em um disco que o seu pai fez”. Foi o meu pai

(Líber Gadelha)

 que produziu! Foi um encontro de pais, foi muito bom.

Terra - E com o Lulu Santos?

Luiza -

A gente é muito próximo, desde que eu era pequena. E com o

The Voice

mais ainda

(Lulu Santos é um dos jurados do reality show)

, desde o ano passado. Eu já sabia, já tinha falado que iria gravar algo dele e com ele. Nós acabamos de gravar um clipe lindo, que deve sair na semana que vem.

Terra - Li que a canção Tao da Lua foi a primeira que você escreveu. Por que decidiu colocá-la em um disco só agora?

Luiza -

É porque ela é uma música que eu precisava ter alguém ao meu lado que a entendesse, que entendesse o que ela quer dizer. Eu sempre mostrei de leve, mas nunca tive alguém que entendesse. Um dia, minha mãe falou: “se eu soubesse que você nunca iria gravar essa música, eu já teria gravado”. Aí isso ficou na minha cabeça, né? E essa música, na verdade, impulsionou muito a minha carreira, e ninguém sabe. Porque, antes de eu ter banda, eu cantava ela tipo no churrasco. Aí surgiam pessoas perguntando se eu não queria ser vocalista da banda delas, porque gostavam da música. Então foi essa música que me levou a ser vocalista.

Terra - Qual é o momento da sua vida agora que te fez querer gravá-la?

Luiza -

Essa música é muito peculiar. Ela poderia virar facilmente uma coisa estereotipada, mas não é. Foi a primeira música que eu mostrei para o Dadi e ele se apaixonou de cara, falou que queria fazer ela. A voz que está no disco é a voz guia, que a gente gravou na casa dele, e foi o primeiro arranjo que ele fez. Foi aí que eu saquei que era ele mesmo

(quem deveria produzir o disco)

.

Terra - É bom quando rolam essas sintonias, né?

Luiza -

É! E assim, tem o poder dessa música... Foi ela que me levou para onde eu estou e eu nunca tinha gravado. E quando eu vou ver se o produtor é o que busco mesmo, mostro ela e, através dela, eu me conecto. Então é uma música especial mesmo.

Terra - Quando vai ser o show de lançamento do álbum?

Luiza -

Nós vamos lançar os shows em março.

Terra - Falando sobre o The Voice, como é trabalhar com cantores novos? Você percebe algum tipo de referência que eles carregam? Alguma tendência da própria música brasileira atual?

Luiza -

Eu acho que eles têm referências do Brasil todo, de diversas vertentes. Mas o que dá pra sacar é que a gente tem muita influência norte-americana. O Brasil, de uma forma geral. E também, como é um concurso, uma competição, o critério que as pessoas acabam acatando é de cantar forte, cantar alto, cantar pra fora, sabe? Então é muito bacana poder nortear isso. Acho que eles têm muito bom gosto, porque dessa vez não virou um concurso de gritos, mas uma coisa musical mesmo. Eles são muito talentosos e é bom ver gente talentosa.

Terra - O que você está achando dessa edição em relação à outra?

Luiza -

As pessoas assistiram aos pioneiros e viram que é uma coisa bacana, que vale a pena. Então acabou indo mais gente talentosa. As pessoas viram que é uma coisa digna.

Foto: André Nicolau / Divulgação
Terra - E o fato de o programa estar no horário nobre. O que você achou dessa mudança?

Luiza -

Acho que ficou um programa mais sério. Não em relação a não ter mais brincadeiras e humor, mas mais levado a sério, como horário nobre, como audiência triplicada. Então há menos espaço para experimentar e para erros. É uma coisa de acertar, e isso a Globo faz muito bem.

Terra - Você já se imaginou como candidata?

Luiza -

Eu nunca pensei. Mas sei lá, eu acho que o que tenho em comum com as pessoas que estão lá sentadas, os técnicos e assistentes, é uma segurança na própria carreira, no próprio taco. Se você me colocar em qualquer palco, eu vou, dentro das minhas condições normais de pressão e altura

(risos)

, fazer uma coisa que é o que tem me levado para onde estou, e mais além. É uma coisa de ter uma aliança forte com você mesmo.

Terra - O que você acha que o The Voice Brasil traz de diferente em relação às versões de outros países? Sem contar a música brasileira em si, é claro.

Luiza -

Nos outros países que tem

The Voice

, a música é matéria exigida na escola, então eu acho que eles estão mais acostumados a ver coisas incríveis, sabe? Eles não ficam tão emocionados com tudo, não é tão à flor da pele, porque é mais comum. É uma coisa mais fácil você ver gente cantando bem, com noção musical, com ouvido bom, afinada 100%, que sabe colocar a voz. Porque é uma matéria de colégio, não é uma coisa pela qual a pessoa teve que batalhar anos, nascer em uma família boa, ou trabalhar desde cedo para conseguir fazer música bem. Então acho que os técnicos, assistentes e público em geral também são mais céticos.

Terra - Falando sobre a cena musical brasileira. Você, como cantora mulher, como vê o papel do funk na questão da emancipação feminina?

Luiza - 

Depende. O funk que eu gostava, cantava, dançava, era o funk dos anos 1990. Ali tinha uma musicalidade muito grande, era muito rico de melodia, de letra. Eu acho que tem cantoras de funk que falam sobre essa coisa de a mulher não estar em casa esperando. Mas essa coisa do funk...

Terra - Ostentação?

Luiza -

É. Eu não gosto de julgar, porque todos aqui no Brasil ou no mundo são livres. Eu não gostaria de ler uma entrevista de alguém falando “ah, eu não acho que essa Luiza Possi tinha que cantar as coisas que ela canta”. Eu só acho que, se a gente for mais rico culturalmente e na parte da educação desde cedo, a gente vai ter mais critério para escolher também outras coisas. E não só o que é mais fácil e palpável.

Fonte: Terra
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