Kevin Abstract reflete sobre legado do Brockhampton: 'Não teria encerrado a banda'
Em entrevista, o fundador do grupo lamentou o fim da banda e revela o que mudaria no desfecho da história que ajudou a construir
Em entrevista à Complex, Kevin Abstract refletiu sobre o fim do Brockhampton, admitindo que não teria encerrado o grupo e que faltaram diálogo e terapia para manter a união. Criado em 2014 via fórum online, o coletivo texano marcou o rap independente e liderou paradas antes de se dissolver em 2022, gerando o afastamento dos membros. Apesar da ruptura definitiva, Abstract valoriza o legado da banda enquanto segue prolífico em carreira solo, explorando novos estilos em álbuns recentes.
Em entrevista recente à Complex, Kevin Abstract falou sobre o fim do Brockhampton. Questionado sobre o que faria diferente na trajetória do grupo, respondeu: "Não teria encerrado a banda. Tentaria continuar unido a todo mundo. Teria feito mais sessões de terapia e me comunicado mais". A declaração chama a atenção pela simplicidade: não aponta culpados nem constrói uma narrativa de vitimização. É apenas um fundador de 30 anos olhando para o passado e reconhecendo que deixou ruir o projeto mais valioso que já teve.
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O Brockhampton nasceu de uma pergunta publicada, em 2010, em um fórum na internet de fãs de Kanye West: "Alguém quer fazer uma banda?". Quem a publicou foi Clifford Ian Fernando Simpson, de Corpus Christi, no Texas, que mais tarde ficaria conhecido como Kevin Abstract. O grupo começou como AliveSinceForever — uma mistura de amigos do colégio e pessoas recrutadas pela internet — e, após uma série de reorganizações, ressurgiu como BROCKHAMPTON em 2014, em San Marcos, no Texas. Na entrevista à Complex, Kevin relembra com orgulho a formação do grupo: "Fizemos isso saindo do Texas, apostamos em nós mesmos. Não é fácil. Dá trabalho, e tenho orgulho disso".
As referências que ele cita também ajudam a entender o que o grupo pretendia ser. "Quando criei o Brockhampton, estudei os óbvios: Wu-Tang, Souls of Mischief, A Tribe Called Quest e o Odd Future", disse. Esses grupos redefiniram o que um coletivo de rap poderia ser, não apenas na música, mas também na estética, na identidade e na forma de se apresentar ao público. Por um tempo, o Brockhampton fez o mesmo. A trilogia Saturation (2017) transformou o grupo em um dos principais nomes do rap independente na era das plataformas de áudio digital. Iridescence (2018) estreou no topo da Billboard 200. Em 2022, após anunciar uma pausa por tempo indeterminado, o grupo se dissolveu. Sua última apresentação aconteceu no Coachella, e o álbum de despedida, The Family, foi lançado dois meses depois.
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Desde então, o afastamento entre os integrantes se tornou um dos capítulos mais dolorosos dessa história. Em maio de 2025, Kevin Abstract publicou no X: "A era do Brockhampton mudou minha vida, mas nenhum dos caras realmente fala mais, exceto alguns de nós. Embora eu saiba que a banda nunca vai se reunir, agradeço a todos vocês para sempre". Na entrevista à Complex, ele revisita aquela lembrança com uma clareza que não tinha na época. Queria que o grupo fosse lembrado como "um grupo de rap realmente interessante, realmente estranho, que foi um momento no tempo — e de que as pessoas gostaram. Parte da história".
A trajetória de Kevin Abstract após o Brockhampton tem sido prolífica. Mesmo antes do fim do grupo, ele já havia consolidado uma carreira solo: lançado em 2014, quando tinha 18 anos, MTV1987 chamou a atenção de blogs por combinar hip hop, R&B e rock alternativo. Em American Boyfriend: A Suburban Love Story (2016), aprofundou essa linguagem, com letras sobre identidade e relacionamentos. Já Arizona Baby (2019), sua estreia por uma grande gravadora, alcançou a 53ª posição da Billboard 200. Após a dissolução do Brockhampton, lançou Blanket (2023), seu mergulho mais profundo no rock de guitarra, e Blush (2025), o álbum mais intimista e experimental de sua carreira, gravado após seu retorno a Houston e concebido em torno de um novo coletivo criativo homônimo.
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