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Jornalista diz que Gonzagão se preocupava com questão social

13 dez 2012 - 10h35
(atualizado às 10h38)
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Lua, como também ficou conhecido o Rei do Baião Luiz Gonzaga do Nascimento, "é o pai musical de boa parte da discografia brasileira". Ele percorreu o Brasil em cima de um caminhão e mostrou o Nordeste para o País e para boa parte do mundo. Com essa definição, o pesquisador Assis Ângelo, jornalista, escritor e biógrafo de Luiz Gonzaga, sintetiza a importância do acervo deixado pelo artista, que passeou pelos vários gêneros e ritmos musicais entre os quais o baião, o xaxado, o xote, o fado e o samba, despertando a consciência de gerações para as questões sociais.

Luiz Gonzaga completaria cem anos de idade se estivesse vivo
Luiz Gonzaga completaria cem anos de idade se estivesse vivo
Foto: Reprodução

Uma característica que marcou o comportamento de Luiz Gonzaga, segundo ele, que por várias vezes entrevistou o músico, foi a preocupação dele com a condição socioeconômica da população mais carente. Ele ia a Brasília reivindicar melhorias na aérea da saúde, da infraestrutura entre outras e conseguiu levar progresso neste sentido a localidades do Nordeste. Nos shows , fazia questão de se apresentar para o público que não tinha dinheiro para comprar ingressos. "Canto para o meu povo", dizia ele.

À frente de uma série de eventos , incluindo a preparação de um CD, entre tantos outros em andamento no País em homenagem ao centenário de Gonzaga, Assis Ângelo está lançando o livro Lua Estrela Baião: A História de um Rei, o terceiro de sua autoria sobre o Rei do Baião. Os anteriores Vou Contar para Vocês, de 2006, está esgotado e o outro é o Dicionário Gonzagueando de A a Z.

A obra atual, ilustrada por Luciano Tasso, resgata a história de um dos mais ilustres personagens do Nordeste para um público infantojuvenil e mostra que não foi à toa que o menino de Exu, um pé de serra do sertão pernambucano, cravou para a eternidade esse cantinho do mapa brasileiro.

Há muito o que saber dos feitos dele não só no meio artístico ao longo de uma carreira construída junto com 61 parceiros, dentre os quais Humberto Teixeira e José Dantas foram os principais. Com este último, por exemplo, compôs Vozes da Seca cujo trecho inicial diz: Seu dotô os nordestino têm muita gratidão/ pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão/ Mas dotô uma esmola a um homem qui é são/ Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.

Gravada em 1953, essa música parou o Congresso Nacional, diz Assis Ângelo, lembrando que essa música era "o grito do nordestino" com o qual o artista procurou reivindicar providências do então presidente Getúlio Vargas contra a situação difícil da população afetada pela seca que atingia boa parte do País, especialmente o Nordeste.

"A falta de emprego era terrível e não adiantava mandar roupinha, comida. O nordestino estava carente de tudo, inclusive, da atenção presidencial e o que se pedia era trabalho e não simples esmolas", lembrou o escritor.

Segundo Assis, essa canção serviu para desfazer uma crença sem fundamento: a de que Gonzaga tinha ligação com os poderosos, com os militares. Mas o que houve é que "ele nunca foi a uma escola: a escola foi o Exército, por dez anos. Saiu de lá, botou a sanfona nas costas e foi conquistar o Brasil".

A proposta do novo livro é permitir que pessoas entre 8 e 80 anos aprendam um pouco desse período importante da música brasileira, justifica Assis, defensor da propagação dos valores nacionais. Há sete anos, ele convenceu a então deputada federal Luiza Erundina a apresentar um projeto de lei instituindo o Dia Nacional do Forró, em 13 de dezembro.

Agência Brasil Agência Brasil
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