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Johnny Van Zant fala à RS sobre Lynyrd Skynyrd no Brasil, legado e Guns N' Roses

Lendária banda de southern rock realiza quatro shows no país nos próximos dias, com direito a passagem pelo festival Monsters of Rock, em São Paulo

30 mar 2026 - 08h48
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O Lynyrd Skynyrd está prestes a visitar o Brasil pela terceira vez. Após shows no festival SWU em 2011 e no estado de São Paulo em 2023 (data solo na capital e presença no Jaguariúna Rodeo Festival), a principal banda do chamado southern rock realiza sua maior turnê nacional até agora, com quatro datas.

Johnny Van Zant durante em show com o Lynyrd Skynyrd em 2024
Johnny Van Zant durante em show com o Lynyrd Skynyrd em 2024
Foto: Terry Wyatt / WireImage via Getty Images / Rolling Stone Brasil

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O itinerário começa em 1º de abril, na Live, em Curitiba. Já no dia 4, eles sobem ao palco do festival Monsters of Rock, no Allianz Parque, em São Paulo, antes do Guns N' Roses e após nomes como Extreme e Halestorm. Em 5 de abril, promovem uma miniversão do evento ao tocarem no Qualistage, Rio de Janeiro, com outras duas atrações do lineup: as jovens Dirty Honey e Jayler. A agenda é concluída no Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, dia 7 de abril. O site oficial do grupo reúne os links para venda de ingressos.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o vocalista e único membro constante desde a retomada da banda em 1987, Johnny Van Zant, comenta sobre a turnê pelo país e compartilha reflexões a respeito do momento atual. Apesar do longo envolvimento de Johnny (que é irmão mais novo do falecido cantor original Ronnie Van Zant) e do guitarrista Rickey Medlocke (baterista nos primórdios da formação), o grupo segue sem integrantes clássicos desde 2023, com a morte de Gary Rossington.

https://www.youtube.com/watch?v=uI-oASa5Rww

O frontman também demonstra sua admiração pelo Guns, banda cujos integrantes são fãs declarados de Skynyrd, e reflete sobre alguns discos específicos do catálogo. Confira!

Entrevista com Johnny Van Zant — Lynyrd Skynyrd

Rolling Stone Brasil: Vamos falar dos shows por vir no Brasil. O quão animado você está de retornar ao Brasil, três anos após sua última visita?

Johnny Van Zant: Já faz três anos? Uau. O tempo voa quando você está se divertindo. Vejo pessoas do Brasil online o tempo todo falando para voltarmos ao Brasil. "Come to Brazil". Gosto de explorar novos lugares e levar a música para os fãs que realmente querem. Estamos aqui nos Estados Unidos o tempo todo, então, quando estivemos na Europa no ano passado e fizemos a temporada de verão [no hemisfério norte], logo depois pensei: "sim, vamos voltar para o Brasil". Os fãs são incríveis. Não digo isso só porque vou tocar aí: falo porque acredito piamente nisso.

O primeiro show do Lynyrd Skynyrd no Brasil foi em 2011, durante o festival SWU em uma cidade próxima a São Paulo. Vocês tocaram no mesmo dia que Duran Duran, Tedeschi Trucks Band, Peter Gabriel, Chris Cornell e mais. Que lembranças você tem dessa primeira visita ao Brasil?

JVZ: Lembro de chegar de avião e quando liguei a TV, estava passando o festival. Eu pensei: "Cara, isso é tão legal". Eu assisti Snoop Dogg e vários outros. Kanye West tinha se apresentado no dia anterior. Acho que subimos no palco à uma e meia da manhã. Peter Gabriel estava lá e eu sou um grande fã, então me sentei no nosso palco para ouvir o show dele e fiquei tipo: "caramba, Peter Gabriel". Conversei nos bastidores com os caras do Duran Duran. Foi incrível.

Agora você volta para sua maior turnê pelo Brasil até hoje. São quatro shows e o principal será no festival Monsters of Rock em São Paulo. Você vai dividir o palco com várias bandas, especialmente Guns N' Roses. Você gosta da música deles?

JVZ: Com certeza! Gary Rossington faleceu alguns anos atrás e fizeram uma homenagem a ele no CMT Awards, um prêmio de música country. Slash [guitarrista do Guns N' Roses] tocou com Paul Rodgers [vocalista do Bad Company] e um monte de gente lá. Nunca consegui agradecê-lo por isso, então, espero que no Monsters of Rock eu consiga apertar a mão dele e dizer "obrigado" por tocar aquilo, porque significou muito para nós e para o Lynyrd Skynyrd.

https://www.youtube.com/watch?v=QEbkFxieHVY

Não sei se você já ouviu essa história, mas Axl Rose é um grande fã de Lynyrd Skynyrd e disse que quando estava compondo "Sweet Child O' Mine", pegou alguns discos antigos do Skynyrd para captar o sentimento sincero da banda. Consegue sentir a influência do Skynyrd na música do Guns N' Roses, especialmente em "Sweet Child O' Mine"?

JVZ: Sim! Eu sempre amei a música deles. E eu pensava: "Esses caras têm a mesma atitude de uma banda do sul [dos EUA], só que mais pesada". Quando eu os vi pela primeira vez, eu pensei: "Eles são a versão mais pesada e cheia de atitude da gente". Sempre disse que o Slash parecia com Gary Rossington tocando no palco. E ambos têm aquele estilo sombrio e a maneira como puxam os acordes. Axl é simplesmente incrível para mim. Muito legal poder compartilhar o palco com eles. Espero também que possamos tirar algumas fotos e rir um pouco antes de subirmos ao palco.

Além do Guns N' Roses, você toca neste festival ao lado de Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen, Dirty Honey e Jayler. Você conhece ou gosta de alguma dessas bandas?

JVZ: Sim! E sabe... essa é a questão sobre a música do Skynyrd. Anos atrás tocamos em um festival na França chamado Hellfest com bandas de heavy metal. Eu me perguntei: "Como vamos nos encaixar nesse público? Como essa plateia vai amar a música do Lynyrd Skynyrd?" Mas fiquei impressionado: todos nos saudaram como se fôssemos uma banda de heavy metal. Acho que a música do Skynyrd se encaixa em todo esse gênero. Metallica regravou "Tuesdays Gone" e isso me impressiona. E você tem artistas de country aqui nos EUA que amam e foram influenciados pelo Lynyrd Skynyrd.

https://www.youtube.com/watch?v=dteDKv2FYr0&list=RDdteDKv2FYr0&start_radio=1&pp=ygUYbWV0YWxsaWNhIHR1ZXNkYXkncyBnb25loAcB

É engraçado você mencionar música country também, porque da última vez que vocês vieram em 2023, um dos shows foi em um rodeio, com música country. Mas as pessoas no Brasil ficaram confusas, talvez porque a música country para nós, o sertanejo, seja meio diferente. Mas o Lynyrd Skynyrd conversa muito com música country, não é?

JVZ: Para mim, a música do Skynyrd é blues, rock e, caramba, country. É uma mistura de tudo. Se você ouvir uma música como "Saturday Night Special" ou "That Smell", você percebe aquele lado mais sombrio. E aí você escuta uma música como "Simple Man", a letra é toda sobre agradar uma mãe. Mas quando ele entra no solo, começa a balançar.

Sobre o momento atual de Lynyrd Skynyrd, ainda há muita conversa sobre a banda continuar sem Gary. E quando entrevistei Rickey [Medlocke, guitarrista] em 2023, ele deixou claro que a banda continua como uma homenagem a todos os músicos que faleceram. Você também vê dessa forma?

JVZ: Estou na banda desde 1987 e muita gente nos chama de banda tributo. "Ah, não há membros originais, eles são uma banda tributo". Eles estão certos! Estamos prestando homenagem todas as noites àqueles que começaram isso. E não tem como não fazer isso. Como poderíamos não fazer isso? Já tive fãs dizendo: "Ei, por que você não toca algumas das suas músicas mais novas?" Para mim, é difícil tirar "Tuesday's Gone" ou "Simple Man" para tocar algo novo. Estou aqui para prestar homenagem àqueles que começaram isso. Meu irmão [Ronnie Van Zant, vocalista morto em um acidente de avião em 1977] era um deles.

Quando entrevistei o Rickey da última vez, ele me disse que vocês chegaram muito perto de terminar a banda após a morte do Gary. O que te fez decidir continuar? Houve algum episódio em particular, alguma conversa em um momento específico?

JVZ: No próximo ano fará 40 anos de banda para mim. E parece que foram 40 segundos. A banda se reuniu em 1987, depois fizemos uns dois anos inteiros de turnê. Nos afastamos por um tempo. Daí Gary me ligou e disse: "vamos escrever algumas músicas e lançar um disco", que se tornou Lynyrd Skynyrd 1991 (1991). O que as pessoas não entendem é que o Skynyrd é uma grande família. Estamos conectados. Ronnie era meu irmão. Nunca o vi como um rockstar: ele batia em mim [risos], me tratava como todos os outros. Enfim, Gary estava doente antes de falecer, Damon Johnson entrou em seu lugar e ele ensinou tudo a Damon. Ele manteve a música do Skynyrd viva desde 1987 até o momento de sua morte. Isso é o que ele queria fazer: mantê-la viva para seus irmãos que já haviam falecido, alguns deles no trágico acidente de avião, alguns deles depois. Tive a experiência de tocar com Ed King, Gary Rossington, Leon Wilkerson, Billy Powell e Artimus Pyle, todos nós juntos. Um dia, Gary me ligou e disse: "Eu estava pensando... ouço muito pouco sobre os Allman Brothers desde que o Gregg [Allman] morreu [em 2017], eu quero que a música do Skynyrd continue para sempre". É por isso que estou te dando essa entrevista. Essas palavras dele ressoaram em mim. Então, eu disse: "Sabe, enquanto Rickey e eu estivermos saudáveis, vamos continuar e levar a música pros fãs". E não há nada maior para mim do que ver um jovem fã chegar e dizer: "Isso foi incrível, nunca pensei que veria um show do Skynyrd". É algo espiritual para mim — e acho que é para os fãs também.

Agora, duas perguntas envolvendo seu gosto pessoal pela música de Lynyrd Skynyrd. A primeira delas — e acho que essa é difícil — é: qual o seu álbum favorito do Skynyrd entre os lançados nos anos 1970?

JVZ: Essa não é difícil para mim! Gimme Back My Bullets (1976) é meu álbum favorito. Simplesmente amo esse disco. Não foi um dos álbuns com melhor som deles em termos de gravação, mas amo as músicas nele. Eu me lembro quando o álbum saiu, as pessoas achavam que aquela música ("Gimme Back My Bullets") era realmente sobre balas ["bullet" significa "bala", de arma, munição], então atiravam balas na banda quando a tocavam. Mas a música fala sobre trabalhar duro. Antes desse álbum, a banda lançou Nuthin' Fancy (1975), que não fez tanto sucesso quanto os antecessores Second Helping (1974) e (Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd) (1973). Havia uma revista chamada Billboard, que publicava as paradas de sucesso nos Estados Unidos. E quando você crescia nas paradas, tinha marcações em "bullets". Isso significava que seu álbum estava indo bem. E nesse álbum, Gimme Back My Bullets, eles queriam os "bullets" de sucesso. Era algo engraçado por trás.

https://www.youtube.com/watch?v=xpRP91qaaS0&list=RDxpRP91qaaS0&start_radio=1&pp=ygUZbHlueXJkIHNreW55cmQgZ2ltbWUgYmFja6AHAQ%3D%3D

E qual seu álbum preferido do Skynyrd dentre os que você gravou?

JVZ: Provavelmente God & Guns (2009). Adoro esse disco. Há uma ótima música lá chamada "Still Unbroken", além da própria música "God & Guns" e de "Gifted Hands", que eu adoro. Trabalhamos com o produtor Bob Marlette. Tínhamos perdido Billy Powell, que faleceu naquela época. Nosso baixista que entrou depois que Leon faleceu, Ian Evans, também morreu na mesma época. Estávamos no meio da gravação daquele disco e foi um esgotamento emocional muito grande para nós. Ao mesmo tempo, uma experiência maravilhosa, porque sabíamos que ambos teriam gostado da ideia de finalizar as gravações.

*O itinerário do Lynyrd Skynyrd no Brasil começa em 1º de abril, na Live, em Curitiba. Já no dia 4, eles sobem ao palco do festival Monsters of Rock, em São Paulo, antes do Guns N' Roses e após nomes como Extreme e Halestorm. Em 5 de abril, promovem uma miniversão do evento ao tocarem no Qualistage, Rio de Janeiro, com outras duas atrações do lineup: as jovens Dirty Honey e Jayler. A agenda é concluída no Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, dia 7 de abril. O site oficial do grupo reúne os links para venda de ingressos.

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