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João Gordo muda rotina após décadas de excessos: 'É a melhor fase da minha vida'

Vocalista do Ratos de Porão retornou ao Rock in Rio quatro anos após estreia no festival, agora junto do Asteroides Trio e 64 kg mais magro

7 set 2026 - 13h58
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Resumo
Aos 62 anos, João Gordo celebra a melhor fase de sua vida após perder 64 kg e abandonar o álcool e as drogas. Com suporte médico e psicológico, o vocalista do Ratos de Porão transformou seus hábitos para obter mais qualidade de vida na terceira idade, superando as tentações do meio musical. Apesar das dores do envelhecimento, ele segue ativo nos palcos com energia intacta e acaba de se apresentar no Rock in Rio com o Asteroides Trio, mostrando que não pretende desacelerar seus shows.

Aos 62 anos, João Gordo está vivendo uma fase que, segundo ele próprio, é a melhor de sua vida. Depois de décadas marcadas por uma rotina de excessos, o músico decidiu desacelerar, cuidar da saúde e rever hábitos que o acompanharam durante boa parte da carreira. O resultado inclui 64 kg a menos, o afastamento das drogas pesadas e do álcool e uma rotina de acompanhamento com profissionais de saúde.

João Gordo muda rotina após décadas de excessos 'É a melhor fase da minha vida' (Medios y MediaGetty Images)
João Gordo muda rotina após décadas de excessos 'É a melhor fase da minha vida' (Medios y MediaGetty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

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A transformação acontece enquanto ele continua fazendo aquilo que sabe melhor: subir ao palco. No último domingo (6), João Gordo retornou ao Rock in Rio, quatro anos depois de sua primeira participação no festival. Desta vez, a apresentação aconteceu no palco Supernova, ao lado do Asteroides Trio, outro projeto musical do artista.

A relação de João com o Rock in Rio também representa uma mudança importante em sua trajetória. Apesar de estar à frente do Ratos de Porão desde 1983 e ser um dos nomes fundamentais para a consolidação do punk rock brasileiro, a banda só foi incluída na programação do festival pela primeira vez em 2022.

Agora, de volta à Cidade do Rock, João chega em outro momento pessoal. Em entrevista ao VIVA Entrevista, ele contou que a proximidade com a terceira idade serviu como um alerta para colocar a vida em ordem.

"Entrei na terceira idade com o pé na porta", afirmou. Aos 62 anos, o cantor percebeu que não poderia continuar levando a mesma rotina de quando era mais jovem. "Falei: 'Vou ter que tomar um jeito'. Aí eu parei de beber. Parando de beber, parou com todos os excessos."

A mudança, entretanto, não aconteceu de forma imediata. João conta que está há cerca de dois anos trabalhando nesse processo, com acompanhamento psicológico e médico, e reconhece que também enfrentou recaídas. Para alguém que segue viajando pelo país e convivendo com um ambiente no qual bebidas, festas e outros excessos fazem parte da rotina, manter-se distante desse universo exige esforço constante.

"Se você quer sair, parar com todos os excessos, tem que sair do meio", explicou. O problema, segundo ele, é justamente fazer parte desse "meio": "Quando você é o meio? Você tem que viajar onde só tem loucura, e você chega lá no lugar, só tem nego doido te oferecendo mundos e fundos. Tem que ter a vontade do caralho."

Apesar das dificuldades, João considera que conseguiu construir uma relação diferente com a própria saúde. O acompanhamento com psicólogos e médicos passou a fazer parte da rotina e, para ele, foi essencial para sustentar as mudanças.

"Eu tô conseguindo", afirmou. "Comecei a procurar psicólogo, doutora Adriana, muita gente que tá me ajudando aí. Tô bem assessorado." Para o músico, essa nova etapa pode permitir que atravesse os próximos anos com mais qualidade de vida: "Eu acho que essa última fase da minha vida aqui eu vou conseguir passar ela sem maiores dificuldades."

A idade, naturalmente, também começa a aparecer no corpo. João admite sentir dores nas articulações e reconhecer as limitações naturais de quem chegou aos 60, mas não pretende transformar o envelhecimento em motivo para abandonar os palcos.

"Lógico que eu tô velho, cara, tenho dores de junta, aquela coisa de velho", brincou. Ainda assim, ele se orgulha de manter a intensidade que sempre caracterizou suas apresentações. "Ainda consigo dar um show de uma hora, gritando que nem um desgraçado. Energia que moleque não tem."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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