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Information Society: 'já pensamos em nos mudar para o Brasil'

Banda americana de synthpop retorna ao país para sequência de seis shows durante este mês de julho, com abertura de Thea Austin (ex-Snap!) e Noel

8 jul 2026 - 15h40
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Poucos artistas internacionais têm uma relação tão próxima com o Brasil quanto o Information Society. A banda americana de synthpop acumula mais de dez passagens pelo país, desde os primórdios da carreira, com direito a visitar cidades fora da rota convencional de turnês internacionais, como Belém, Volta Redonda (RJ), Uberaba (MG), Londrina (PR), Petrolina (PE) e Taubaté (SP).

Kurt Harland, do Information Society, durante show em São Paulo em 2025
Kurt Harland, do Information Society, durante show em São Paulo em 2025
Foto: Stephan Solon / Rolling Stone Brasil

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Em conversa com a Rolling Stone Brasil, os integrantes Kurt Harland (vocais, teclados, percussão), Paul Robb (teclados, percussão, backing vocals) e James Cassidy (baixo, teclados, percussão e backing vocals) revelaram os motivos para retornar tantas vezes. Além do público fiel, o Information Society vê o país como uma segunda casa — a ponto de Robb comentar:

"Não acho que haja alguém na banda ou em nossas equipes, em nossas várias equipes ao longo dos anos, que não tenha pensado seriamente em se mudar para o Brasil definitivamente, o que diz muito sobre o país."

https://www.youtube.com/watch?v=yGp4CEkl7Ns&list=RDyGp4CEkl7Ns&start_radio=1&pp=ygUYaW5mb3JtYXRpb24gc29jaWV0eSBiYW5koAcB

Quanto à nova turnê, não há cidades que a banda nunca tenha tocado antes. Porém, como Robb fez questão de apontar, alguns locais não recebem shows do Information Society desde os anos 1990, quando a banda fez uma série bem longa de shows pelo país.

Desta vez, serão seis apresentações, com abertura de Thea Austin (ex-vocalista do Snap!, do hit de Eurodance "Rhythm is a Dancer") e do cantor brasileiro Noel, que já haviam servido nesta função durante a última excursão do grupo pelo Brasil. Confira as datas:

  • 16/07: São Paulo - Suhai Music Hall - Ingressos via Ticketmaster
  • 17/07: Vitória - Espaço Patrick Ribeiro - Ingressos via Articket
  • 18/07: Sorocaba - Floresta Convenções - Ingressos via Black Tag
  • 23/07: Maringá - Paraná Expo - Ingressos via BlueTicket
  • 24/07: Santos - Arcos do Valongo - Ingressos via Disk Ingressos
  • 25/07: Chapada dos Guimarães - Festival de Inverno- Ingressos via Prime Eventos

Criando raízes no Brasil

A primeira turnê do Information Society pelo país ocorreu em 1989, mas o giro mais notório foi o seguinte, dois anos depois. O grupo se apresentou no Rock in Rio 1991, para mais de 100 mil pessoas no Maracanã. Aproveitando a estadia, realizou mais de 20 apresentações pelo país em divulgação ao seu segundo álbum de estúdio, Hack (1990).

O resultado dessa passagem foi que, de uma equipe formada por 16 pessoas, apenas três retornaram aos Estados Unidos quando os shows terminaram. O resto preferiu passar um bom tempo no país.

Quanto à banda, o sentimento foi mais de confusão quanto a tudo ocorrido, segundo Kurt Harland:

"Era muito mais como: 'Ok, não entendemos o que está acontecendo. Não entendemos este lugar, não entendemos o negócio, mas aparentemente é aí que está a demanda pelos nossos shows. Então é para lá que precisamos ir'."

https://www.youtube.com/watch?v=_HN9yrGjHiU&pp=ygUfaW5mb3JtYXRpb24gc29jaWV0eSByb2NrIGluIHJpbw%3D%3D

Apesar disso, o Information Society só conseguiu passar pelo país mais uma vez durante sua encarnação original, em 1993. Paul Robb e James Cassidy deixaram a banda logo em seguida, para retornar apenas nos anos 2000. Entretanto, quando voltaram, o Brasil se tornou uma figura recorrente na agenda.

Segundo Harland, o motivo para esse retorno ter sido mais duradouro é o fato de, enquanto separados, cada um dos três integrantes desenvolveu uma carreira própria. Enquanto ele e Robb trabalham até hoje primariamente com música, Cassidy é professor de agronomia na Oregon State University.

O Information Society não ser mais o centro da vida dos membros ajudou a salvar a banda:

"A banda não é mais uma questão de vida ou morte para nós como era quando tínhamos vinte e poucos anos. Então, podemos tocar, nos divertir e é quase como um hobby agora. Não é tão crucial para a nossa identidade se vamos usar este ou aquele bumbo, ou tocar esta ou aquela música. E acho que isso nos permitiu trabalhar juntos e nos divertir muito mais do que teríamos conseguido de outra forma."

Quanto às plateias que vão até hoje em shows no Brasil, Harland identifica aquele fenômeno comum com qualquer artista de carreira longa: o público amadureceu junto com os integrantes. Ele declarou:

"Pode-se dizer que estamos envelhecendo juntos. Nas primeiras vezes que viemos para cá, tínhamos quase 30 anos e a maioria das pessoas que frequentavam os shows eram adolescentes. Agora estamos na casa dos 60 e a maioria das pessoas que vêm aos shows tem pouco mais de 50 anos. Então acho que estamos evoluindo juntos ao longo dos anos. Agora é muito mais fácil para as pessoas virem, jantar num bom restaurante e comprarem ingressos VIP, porque elas têm carreiras, dinheiro e tudo mais. Mas percebi que, no fim da noite, todos nós, inclusive no palco e na plateia, meio que pensamos: 'Nossa, já passou da minha hora de dormir'."

https://www.youtube.com/watch?v=ijAYN9zVnwg&list=RDijAYN9zVnwg&start_radio=1&pp=ygUYaW5mb3JtYXRpb24gc29jaWV0eSBiYW5koAcB

Relançamentos e novo material

Em 2023, o selo original do do Information Society, Tommy Boy Records, lançou uma versão remasterizada de 30 anos do álbum Peace and Love, Inc. (1993). Entretanto, os integrantes tiveram nada a ver com essa reedição — e ficaram confusos com a escolha desse disco em particular.

Na opinião de Paul Robb, faria muito mais sentido edições comemorativas de Hack, que comemorou 30 anos em 2020, ou de Information Society (1988), cujo aniversário de 40 anos será em 2028. Entretanto, a banda não tem controle algum sobre esse processo porque a gravadora é dona das gravações master.

Algo que o Information Society pode gerir, contudo, é a sua produção presente. A banda lançou quatro álbuns desde seu retorno em 2006: Synthesizer (2007), Hello World (2014) , Orders of Magnitude (2016) e ODDfellows (2021). Os integrantes não descartam trabalhar em material inédito no futuro, mas estão contentes com o material mais recente, que consideram ser a melhor coisa feita por eles na carreira.

Por outro lado, Harland reconhece que ninguém na formação espera por sucesso comercial com uma nova obra. Isso porque o Information Society está fora de compasso com o contexto da época atual.

"Acho que a diferença é que aqueles dois primeiros álbuns, no final dos anos 80 e início dos 90, foram inseridos em um contexto cultural que lhes rendeu muita atenção. E agora somos artistas mais velhos tentando fazer coisas que consideramos mais elaboradas e sofisticadas. Mas está muito à margem do contexto cultural, em comparação com o lugar que ocupava há 40 anos. E é improvável que atraia o mesmo tipo de atenção. Agora fazemos música para nós mesmos e para os nossos fãs, que darão atenção e ouvirão tudo o que fizermos."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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