Em nova casa, Strike fala sobre seu álbum mais recente
Lançando seu segundo disco, chamado Hiperativo, o Strike recebeu o Terra em sua casa, em uma pacata rua de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, para falar sobre sua nova empreitada. Além da mudança para a capital paulista, os mineiros, que moraram no Rio durante a gravação de Desvio de Conduta (2007), tiveram a maior parte das canções do CD mais recente produzidas por Rick Bonadio, que também assina álbuns do NX Zero e Fresno.
"A mudança do Rio para São Paulo influenciou bastante no disco. A gente conseguiu amadurecer e o processo de adaptação na cidade foi bem tranquilo. Essa atmosfera urbana acaba influenciando e traz uma carga diferente", disse o vocalista Marcelo, que apontou também a participação de Rick Bonadio como vital para a mudança do som.
"A produção dele, neste aspecto, não é tanto na técnica, com fizemos no primeiro CD. Tem uma coisa mais no lance do feeling e emoção da música. Se você fizer um take que ele sinta que passou uma verdade na música, é o que vai ficar", completou.
Para o baterista Cadu, essa espontaneidade ajudou no andamento do processo, tornando-o mais natural. "Dá pra sentir bem esse lance de intensidade de notas, dinâmica. Isso no primeiro CD foi muito cuidadoso. Acho que o resultado do Hiperativo ficou mais orgânico", afirmou.
De acordo com a banda, a pré-produção mais cuidadosa, que foi feita toda em seu estúdio em casa, ajudou a acrescentar mais suas influências fora do rock. "Também arriscamos algumas diferentes e flertamos mais com o rap, reggae e raggamuffin. Além disso, fizemos três músicas com andamento mais lento também", disse Marcelo.
As músicas lentas, que podem causar algum estranhamento aos fãs mais ortodoxos do Strikes, são, segundo o grupo, uma nova experiência e não um apelo ao mercado fonográfico.
"No primeiro CD, a gente teve as músicas mais rápidas e elas foram single da mesma forma. As rádios pedem formatos diferentes e a gente teve que atender essa prática do mercado. De certa forma, nós entendemos, afinal nem todas as rádios que tocaram a gente no primeiro CD era jovens", contou o vocalista. "De certa forma é mais legal para a banda usar a rádio pra levar seu som ao público que não iria na internet te procurar. A rádio continua tendo um papel importante de endossar o momento da banda", completou.
Coloridos
Na primeira música de trabalho do disco, A Tendência, o grupo dá algumas alfinetadas nesta nova geração roqueira famosa pelo "rock alegre" e sempre vestir roupas coloridas. "Mudo até você me aceitar/Eu posso ser um nerd assumido/Ou fashion colorido/O que importa é alguém comprar", diz a letra do primeiro single de Hiperativo.
Sobre o assunto, Marcelo explicou que não há problema com o movimento, somente aqueles que abraçam o rótulo em busca da exposição. "Toda novidade é boa. É uma geração do rock que usa influências diferentes. Sempre vai existir essa renovação. Não que eu ache todas essa bandas boas, mas traz um frescor. Acho engraçado esse lance que três bandas aparecem com uma coisa original e de repente tem um monte de grupo mudando o som do dia pra noite pra entrar no estilo", contou.