Elis Regina: coletânea "Essa Saudade" resgata faixa inédita em formato digital
Foi em 1982 que o Brasil perdeu uma de suas maiores expoentes de sua música: a saudosa Elis Regina (1945-1982). E é justamente em janeiro de 2022 que completará 40 anos de sua morte.
Contudo, sua importância e relevância passaram incólumes pelo tempo. Até hoje, a obra de uma das maiores artistas brasileiras do século 20 é lembrada e relembrada quantas vezes forem necessárias. Sua voz marcante, presença de palco e versatilidade sem precedentes na história da música, sendo comparada muitas vezes à Ella Fitzgerald, ainda norteiam as sucessivas gerações de artistas.
Agora, a gravadora Warner Music deu uma boa notícia aos ávidos fãs de Elis Regina: chegou na última sexta-feira (3), a coletânea Elis: Essa Saudade … que ganhará uma versão física prevista para ser lançada nesta sexta-feira (10).
Essa Saudade é uma compilação produzida pelos jornalistas Danilo Casaletti e Renato Vieira tem como base a fase final da carreira da cantora, especialmente a passagem dela pela Warner, companhia na qual Elis lançou dois importantes discos de estúdio, Essa Mulher (1979) e Saudade do Brasil (1980), além de dois álbuns póstumos ao vivo de Elis Regina.
Neste mesmo período, Elis participou de um disco do cantor e compositor Raul Ellwanger, gaúcho como ela. A canção que eles interpretaram juntos, Pequeno Exilado, jamais foi reeditada e chega pela primeira vez ao formato digital em Elis - Essa Saudade, atendendo a um pedido antigo dos admiradores de Elis.
O contexto literário de Pequeno Exilado retrata a história de um menino que, exilado com seus pais nos terríveis anos de chumbo da ditadura militar brasileira, ansiava por conhecer suas origens. A canção fala de bairros de Porto Alegre e, na gravação, é possível perceber a emoção que brotou de Elis ao cantar lugares que também eram sua infância. Por questões profissionais, a cantora que saiu cedo da cidade onde nasceu também era, de certa forma, uma exilada de sua terra.
Pequeno Exilado ainda guarda uma curiosidade: Elis gravou a canção no início de 1980 em uma manhã nos estúdios Reunidos, em São Paulo. Após enxugar uma lágrima do rosto, partiu para outra sala de gravação no mesmo local, e, com sua banda, em um clima totalmente diferente da faixa que acabara de cantar ao lado de Ellwanger, registrou Alô, Alô, Marciano para um compacto que saiu antes da versão mais conhecida, incluída em Saudade do Brasil. Nela, mostra-se cantora leve, debochada, como a música de Rita Lee e Roberto de Carvalho pedia.
Na coletânea, Pequeno Exilado e Alô, Alô, Marciano (cuja versão de compacto também estava indisponível nas plataformas digitais até agora) aparecem na sequência em que foram gravadas. Assim, o ouvinte poderá ouvir o que - só - Elis era capaz de fazer e sentir.
Antigos admiradores e novos fãs poderão ouvir na compilação O Bêbado e a Equilibrista, Cai Dentro, Essa Mulher, Altos e Baixos, As Aparências Enganam e Aos Nossos Filhos.
Essa Saudade ainda resgata No Céu da Vibração, música que Gilberto Gil fez para o médium Chico Xavier lançada em compacto.
A coletânea contempla quase a totalidade dos autores mais significativos da carreira de Elis. Com isso, conseguimos homenageá-la duas vezes: por meio de sua voz, registradas nessas eternas gravações, e pela reverência a compositores que ela tanto prezava.
Elis, essa saudade é real.
Ouça o álbum: