Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Drake encerra trilogia com 'Habibti', o mais fraco e dispensável dos três álbuns

Projeto de R&B sensual aposta em clichês e auto-tune excessivo sem entregar nada memorável

18 mai 2026 - 14h15
Compartilhar
Exibir comentários

Se Iceman começou forte e se perdeu no revanchismo, e Maid of Honour pelo menos tentou alguma energia dançante, Habibti é simplesmente o mais fraco e dispensável dos três álbuns que Drake soltou na madrugada de 15 de maio. É um projeto de R&B sensual que soa exatamente como você imagina quando alguém diz "Drake fazendo R&B sensual genérico": auto-tune pesado, letras vazias sobre mulheres e solidão, produção minimalista que arrasta e a sensação geral de que ele gravou tudo isso no piloto automático só para cumprir a cota de contrato com a Universal Music Group. Com 11 faixas e pouco mais de meia hora, Habibti consegue ser o álbum mais curto dos três e, ainda assim, o que mais cansa. Não tem energia, personalidade ou algo que justifique a existência dele, além de inflar números de streaming e completar a trilogia. É Drake no modo mais preguiçoso possível, reciclando fórmulas que funcionaram uma década atrás e esperando que ninguém perceba.

Foto: Simone Joyner/Getty Images para ABA / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.

Drake sempre foi bom em fazer música sensual, Take Care (2011) provou isso, Nothing Was the Same (2013) consolidou, e até o lado B de Scorpion (2018) tinha momentos. Mas, aqui, ele soa cansado. Desinteressado. Como se tivesse gravado tudo em duas sessões de estúdio, sem revisar nada. A maioria das faixas segue a mesma fórmula: produção minimalista com sintetizadores atmosféricos, auto-tune até a voz dele ficar irreconhecível e letras que alternam entre "estou sozinho numa mansão gigante" e "você é diferente das outras". É cansativo, previsível e, pior ainda, é esquecível. Você termina Habibti e não lembra de uma música específica — só da sensação geral de tédio.

A produção tenta criar uma atmosfera sensual e íntima, mas acaba criando monotonia. A maioria das faixas tem andamento lento demais, batidas minimalistas demais e não evolui para lugar nenhum. "Rusty Intro" abre o álbum com violão acústico e Drake cantando fora do tempo como se estivesse num bar de karaokê, dura menos de um minuto e soa inacabada. "White Bone" começa bem, com um vocal interessante, mas se arrasta por quase cinco minutos sem ir a lugar nenhum. "Prioritizing" tem uma produção bonita, mas plana, sem picos, sem desenvolvimento: só Drake murmurando sobre relacionamentos enquanto o beat fica parado. "High Fives" tenta adicionar energia, mas soa forçado, e tem um refrão repetitivo. A única faixa em que a produção realmente funciona é "WNBA", que mistura sintetizadores espaciais com house music e cria uma transição fluida entre seções. Mas é exceção. O resto do álbum parece ter sido feito com o preset "R&B Sensual Genérico 2026" de qualquer software de produção.

As letras são um problema ainda maior. Drake sempre teve tendência a clichês em músicas de R&B, mas Habibti leva isso ao extremo. Muitas linhas que soam como se tivessem sido geradas por um ChatGPT treinado na discografia do Drake. Não tem especificidade ou vulnerabilidade real. É só Drake repetindo as mesmas ideias que ele já cantou centenas de vezes: mulheres que não confiam nele, ex-namoradas que voltam, solidão em mansões caras, sexo casual que não preenche o vazio emocional. Em "Prioritizing", ele acusa a mulher de usar IA para escrever mensagens para ele.

Os poucos destaques não salvam o projeto. "Classic" é a melhor faixa do álbum, Drake canta de verdade, sem auto-tune excessivo, sobre um R&B old school com um sample bem escolhido. A segunda metade da música é só sample e beat, sem vocal nenhum, e funciona melhor do que a maioria das faixas com ele cantando. "Fortworth", com PARTYNEXTDOOR, mostra a química entre os dois. "Slap the City", com Qendresa, tem uma produção que lembra Timbaland, com ela roubando a música com um vocal estilo Aaliyah. Mas são três faixas num álbum de 11. O resto é genérico. Sexyy Red em "Hurrr Not Thurr" está horrível. Loe Shimmy em "I'm Spent" é ok, mas esquecível. E várias faixas, como "High Fives" e "White Bone", são longas demais.

Habibti é um álbum que não precisava existir. Não adiciona nada à discografia de Drake. Não mostra evolução artística. Não tem nenhum momento memorável que justifique meia hora do seu tempo. É Drake cumprindo uma obrigação contratual com a Universal da forma mais preguiçosa possível: gravar R&B genérico, jogar auto-tune em tudo, adicionar alguns features para inflar créditos e lançar junto com outros dois álbuns, na esperança de que o volume esconda a mediocridade. Se você gosta de Drake fazendo R&B, volte para Take Care ou Nothing Was the Same. Se quer Drake sensual recente, $ome $exy $ongs 4 U, com PARTYNEXTDOOR, é infinitamente melhor. Habibti é descartável.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra