Drake aposta em dance music com 'Maid of Honour', o menos problemático da trilogia de álbuns
Segundo álbum revisita house e eletrônica com mais energia que convicção, mas é o único que funciona de fato
Dos três álbuns que Drake lançou na madrugada de 15 de maio, Maid of Honour é o mais corajoso. Considerando que o público não exatamente abraçou Honestly, Nevermind (2022), seu último projeto de música eletrônica, apostar de novo nesse som depois de dois anos foi uma decisão arriscada. Produzido majoritariamente por Gordo (nove das 14 faixas), Maid of Honour é continuação espiritual de Honestly, Nevermind, mas com menos pretensão artística e mais foco em fazer música para a pista de dança. É álbum feito pra tocar em clubes e festas —- qualquer lugar onde ninguém tá sóbrio o suficiente pra prestar atenção em letra.
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Nesse sentido, funciona melhor que os outros dois (Iceman e Habibti). Tem energia, movimento, faixas que grudam. Mas também carrega todos os problemas que assombram Drake em 2026: falta de coesão, letras genéricas e a sensação de que ele gravou tudo correndo para cumprir cota de contrato. Maid of Honour é o mais animado dos três álbuns, mas isso não significa que seja bom. Significa que é menos entediante que os outros dois.
O que funciona em Maid of Honour é a energia. Diferente de Habibti, que arrasta e cansa, e Iceman, que se perde em revanchismo repetitivo, aqui Drake pelo menos soa acordado. "Which One" é o melhor e mais dançante single, com Central Cee roubando a música com verso direto e carismático. "Outside Tweaking", com Stunna Sandy, tem batida que faz você se mexer mesmo sem querer. E "Amazing Shape", com Popcaan, entrega vibes caribenhas que funcionam. São faixas que entregam exatamente o que prometem: música dançante sem profundidade mas com propósito claro.
A produção é o ponto mais forte do álbum. Gordo entende música eletrônica de verdade e consegue equilibrar influências diferentes sem soar completamente perdido. O problema é que Drake usa uma técnica de mudar batida no meio da música em quase todas as faixas, e depois da oitava vez que você percebe, o projeto fica repetitivo e previsível. Além disso, as letras são ainda mais vazias que de costume, com a maioria das faixas falando sobre mulheres, festas e toxicidade genérica sem especificidade nenhuma.
Entre os destaques (positivos e negativos), "Cheetah Print", com Sexyy Red, está entre os piores momentos. Apesar do bom sample, a rapper desperdiça a ideia com um refrão constrangedor e ainda encaixa uma referência ao "Cha Cha Slide" de um jeito tão forçado que soa como paródia. É uma das piores músicas da carreira do Drake e evidencia que a parceria com Sexyy Red — que já apareceu em três álbuns dele recentemente — não rende mais. Já "New Bestie" e "Goose and The Juice" viram lamúrias amargas sobre garotas que seguiram em frente.
Maid of Honour não é o melhor dos três álbuns que Drake lançou na mesma noite, mas tem mais energia que Iceman, personalidade que Habibti, e pelo menos tenta algo diferente em vez de reciclar fórmulas gastas. É uma iniciativa corajosa revisitar a música eletrônica depois de Honestly, Nevermind não ter convencido todo mundo. Mas coragem não é suficiente quando a execução é inconsistente. Maid of Honour funciona como trilha sonora para clube onde ninguém tá prestando atenção em letra. Funciona como projeto descartável que vai gerar alguns hits de verão e depois ser esquecido.
E considerando que ele lançou 43 faixas numa noite, fica claro que o objetivo nunca foi fazer arte. Era cumprir contrato com a Universal Music Group, inflar streams e seguir em frente. Maid of Honour é evidência de que Drake pode fazer música dançante competente quando quer. Mas também é evidência de que ele raramente quer de verdade. É um álbum que você pode curtir numa festa sem pensar muito. Mas quando a festa acaba e você ouve com atenção, percebe que não tem muito ali além de batida boa e refrão grudento.
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