Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

'Do metrô ao céu': FYE marca nova etapa com 'Longe de Casa', álbum que celebra a saída da zona de conforto

Rapper do Corte 8 (RJ) lança disco que retrata a saída da zona de conforto física, mental e artística; projeto começa no metrô e termina nas nuvens

25 jun 2026 - 08h50
Compartilhar
Exibir comentários

Há um momento em que você percebe que não dá mais para voltar: a criança que você foi já não cabe nas ruas que a formaram, e as ambições cresceram — agora exigem movimento. Crescer é se colocar em desconforto. É estar longe. FYE conhece bem essa sensação.

Rapper FYE
Rapper FYE
Foto: @peperodriguess / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.

Aos 14 anos, começou a produzir beats em casa, em Duque de Caxias, com um PC e um microfone. Sozinho, naquele quarto, alcançou 100 mil streams no SoundCloud — o suficiente para sonhar. Em 2021, produziu "Runner", de VND, um dos maiores sucessos da carreira do artista. Depois veio Refúgium (2023), seu álbum de estreia, introspectivo e retrospectivo. Com o disco, veio a fama.

"Foi algo que realmente uma virada de chave, mudou a forma como eu criava e me trouxe essa responsabilidade".

As viagens vieram depois: shows abrindo para BK', a primeira vez longe de casa fisicamente, vendo seus ídolos trabalhando e entendendo que aquilo era possível. Em 2024, virou a primeira aposta do selo Gigantes, criado por BK'. Estrutura de estúdio. "Irmãos mais velhos" como descreve. "Essa confiança da Gigantes de me lançar como artista, como uma aposta, foi o que realmente me deu muita confiança para eu fazer isso, para eu evoluir, para eu sair do que eu tô fazendo e fazer algo melhor e além". Agora, aos 21 anos, com toda essa jornada gravada no corpo e na mente, FYE lança Longe de Casa: a consolidação de tudo o que aprendeu.

O título é a metáfora central. Marca a saída do Corte 8, região onde construiu raízes, e o novo momento vivido na estrada, entre viagens e experiências que expandiram sua visão de mundo. Mas também funciona como continuação espiritual de Refúgium. "Ele [Refúgium] é algo seguro, tá ali na sua zona de conforto. Com a minha vida mudando, eu quis fazer algo nessa linha, mas agora sobre estar longe. A própria conexão com BK' foi uma parada muito surreal para mim". Longe de Casa é justamente isso: o registro dessa virada.

"Esse álbum funciona como uma viagem que começa em uma estação de metrô e termina no céu, nas nuvens. As faixas falam um pouco sobre tudo o que passei nos últimos anos, dos contrastes que a vida de artista tem até o lúdico. É um projeto que debate bem a zona de conforto e como estar longe dela é importante para o nosso crescimento".

Tudo pensado

O que diferencia Longe de Casa dos projetos anteriores é a arquitetura narrativa. FYE não queria apenas músicas boas soltas no ar — queria um universo. "Eu analisava meus outros projetos e via que tinha músicas boas, mas chegava um momento em que faltava coerência, uma continuação. Então quis realmente focar em criar um universo com começo, meio e fim e destrinchar tudo o que eu pudesse do assunto".

O resultado é um álbum de 17 faixas que passeia por trap, soul, funk e eletrônico, com participações de LEALL, Maui, Amabbi, VND e BK'. Mas essa versatilidade não era o plano inicial. "Teve várias versões do álbum. Uma era completa, produzida só por mim, só com beats meus. Mas estava ficando meio enjoativo", conta. O estalo veio de "Tardes de Domingo", com KG, YoungGb! e João Vinicius Barbosa. "Essa música me deu um estalo para colocar outros estilos. Eu sempre gostei de criar coisas diferentes, só que acho que eu nunca pensei em trazer isso para o público". Naquele momento, Longe de Casa ganhou respiração: soul, funk, trap — tudo junto, mas coerente.

Entre os 50 minutos, há uma que marca o encontro com o próprio passado: "EGO", uma das músicas mais antigas do álbum, gravada há um ano. "Foi a primeira música que eu fiz para o álbum. E eu falo muito dessa parada: coisas que mudaram na minha vida, coisas que mudaram na minha cabeça — de antigamente, quando eu fazia som na raça, porque não podia depender dos outros". Naquele disco adolescente, FYE era apenas o menino que sonhava em casa. Agora, aos 21, é o artista que realiza em estúdios profissionais. "Meu eu de 14 anos, meu eu de 13 anos, que nem imaginava estar vivendo disso… Posso dizer que eu sou hoje o que eu queria ser aos 14 anos". É como se o álbum fechasse um círculo invisível, iniciado naquele quarto de Duque de Caxias.

As participações também não foram por acaso. LEALL, Maui e Amabbi agregam à narrativa de forma orgânica. "Sempre quando eu busco participação, eu sempre penso como a participação vai agregar no som. Óbvio que eles são nomes muito grandes, mas estão lá de forma que agreguem na narrativa. Então sempre penso nisso".

https://www.youtube.com/watch?v=3yymOh83eYc

Novos ciclos

Longe de Casa encerra com "Tudo de Bom", faixa que fecha o ciclo com uma lição. "Acho que é o que todo mundo busca, tá ligado? Eu ainda não entendi tudo, não entendi completamente tudo, mas eu sei que eu quero chegar além; eu sei que eu quero coisas boas; eu sei que eu sou capaz de chegar nisso. E eu não vou negar essa parada. Então 'Tudo de Bom' fecha perfeitamente esse ciclo, porque, se você também entender que você merece coisas boas, isso é parte do processo".

Aos 21 anos, com toda essa jornada cristalizada em um álbum coeso, FYE já pensa em legado. "Quero que as pessoas lembrem como um álbum de fases, tá ligado, mano? Uma parada que a pessoa vai escutar daqui a 10 anos e falar: 'Caralho, eu tô me sentindo desse jeito aqui'. Porque isso também: foram fases da minha vida ali nas músicas, e eu espero que as pessoas continuem se identificando com o trabalho".

E há mais vindo: a trilogia que começou em Refúgium segue seu curso. "Já tá ali. A rapaziada já tá vendo que é o 888. Em breve eu quero falar mais desse projeto". Longe de Casa é apenas o começo de uma jornada que vai do metrô ao céu. Aquele menino de 14 anos em Duque de Caxias está apenas começando a voar.

Se engana quem acha que essa história termina no céu. Longe de Casa não é desfecho. Apesar de ainda ser cedo, FYE já tem os olhos em 888, uma breve ideia do seu terceiro e derradeiro álbum da trilogia iniciada em Refúgium. "Já tá ali. A rapaziada já tá vendo que é o 888. Em breve eu quero falar mais desse projeto".

A trilogia que começou introspectiva, passou por desconforto e crescimento, agora segue seu trajeto invisível. Do metrô ao céu foi apenas a primeira metade da jornada. O que vem depois, ninguém sabe — mas FYE, aos 21 anos, já está pronto para descobrir. Aquele menino de 14 anos em Duque de Caxias, produzindo sozinho em casa, tinha razão em sonhar. Os sonhos dele estão apenas começando.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra