Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

O que é grunge? Conheça origens e bandas

Gênero fundado em Seattle e popularizado nos anos 1990 mistura garage rock, punk e metal, tendo o Nirvana como expoente mais popular

22 jun 2026 - 08h14
Compartilhar
Exibir comentários

No começo dos anos 1990, o rock passou por talvez sua última grande revolução — e o carro-chefe dessa mudança foi o grunge. Artistas antes considerados impossíveis de comercializar se tornaram sucessos de vendas, alterando assim a percepção geral do que é mainstream.

Kurt Cobain, líder do Nirvana e ícone grunge, durante show do MTV Unplugged em 1993
Kurt Cobain, líder do Nirvana e ícone grunge, durante show do MTV Unplugged em 1993
Foto: Frank Micelotta / Getty Images / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.

Uma mistura de garage rock, punk, metal e rock setentista, o grunge é ligado para sempre à sua cidade de origem: Seattle, nos Estados Unidos. As bandas responsáveis por popularizar o estilo se tornaram alguns dos nomes mais importantes da música naquela década, como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden.

Quer aprender mais sobre o grunge? A Rolling Stone Brasil preparou um guia para você.

Marcas registradas do grunge

  • Som pesado que mistura garage rock, metal, rock setentista e punk
  • Melodias grudentas e marcantes com vocais gritados
  • Estética despojada, com roupas de flanela e vestidos de segunda mão
  • Letras introspectivas sobre temas tabu na sociedade (tristeza, alienação social, apatia)

A geografia do grunge

Seattle é a região urbana mais isolada dos Estados Unidos. A maior cidade do estado de Washington fica a 13 horas de carro de San Francisco, a metrópole mais próxima. Então, tudo que chegava lá, tendia a ficar por lá. E o que surgia por lá não ia embora. Jimi Hendrix é a exceção, mas ele se mudou quando ainda era bebê.

A região do noroeste do Pacífico — como é chamada no país — se tornou o berço do que ficou conhecido como garage rock graças a esse fenômeno. Um cantor de R&B chamado Richard Berry passou em Seattle nos anos 1950 como artista de abertura numa série de shows. Suas músicas tocaram no rádio e logo se tornaram febre local.

Uma banda chamada The Kingsmen resolveu gravar um cover de "Louie Louie", sua canção "mais famosa". O resultado foi um single que chegou ao top 20 americano inesperadamente e alavancou outras bandas da região, como The Sonics, para o estrelato nacional efêmero.

https://www.youtube.com/watch?v=xKt75jUuKJY&list=RDxKt75jUuKJY&start_radio=1&pp=ygULbG91aWUgbG91aWWgBwE%3D

Entretanto, a característica de abraçar o mais extremo continuou. Várias bandas da cidade tinham como influências The Stooges, MC5 e Black Sabbath. Quando o punk explodiu, o que chegava em Seattle era adorado pelos locais — especialmente o Black Flag, cuja mudança sonora no meio da carreira para algo menos acelerado e mais pesado apelou fortemente à cena de Seattle.

O som de Seattle

O termo grunge já era usado no rock desde pelo menos os anos 1950 para descrever música particularmente suja. Entretanto, o primeiro uso no contexto conhecido do público ocorreu num texto promocional da gravadora Sub Pop para descrever o EP Dry as a Bone (1988), da banda Green River (via The Guardian):

"Vocais rasgados, amplificadores Marshall rugindo. Grunge super solto que destruiu as morais de uma geração."

https://www.youtube.com/watch?v=54ioi2qL5Z4&list=RD54ioi2qL5Z4&start_radio=1&pp=ygUZZ3JlZW4gcml2ZXIgZHJ5IGFzIGEgYm9uZaAHAQ%3D%3D

Essa informação serve para ilustrar algumas coisas. Primeiro, o quão pequena a cena era: Green River era uma banda formada por integrantes do que viriam a ser o Mudhoney e Pearl Jam. Segundo, grunge — assim como vários movimentos na história do rock — era uma jogada de marketing.

A gravadora Sub Pop, liderada por Bruce Pavitt e Jonathan Poneman, compreendeu o apelo da tensão entre a música extrema, mas ainda com apelo pop, sendo feita na cidade e resolveu criar mitos em torno dos artistas. Bandas desse selo eram compostos de nobres selvagens; pessoas às margens da humanidade; trogloditas capazes de criar um bom riff de guitarra.

Além disso, tudo era produzido por Jack Endino. A ideia de gerar um "som de Seattle" era intencional, como Michael Azerrad descreveu no livro Our Band Could Be Your Life:

"Endino tinha um talento, como Bruce Pavitt uma vez afirmou, de 'fazer guitarras sangrarem', e conseguia fazer isso num orçamento super modesto - era capaz de gravar um álbum inteiro por US$ 1 mil. Para lançar coisas no ritmo que a Sub Pop necessitava, Endino desenvolveu alguns setups padrão. Isso também significou que os discos tinham sons similares, mas era isso que Pavitt e Poneman queriam - um 'som de Seattle', assim como havia um 'som de Memphis' e um 'som de Liverpool'."

Quase todas as bandas importantes de Seattle passaram pela Sub Pop em algum ponto da carreira ou tiveram um integrante que foi parte de um grupo contratado pelo selo. Entretanto — e infelizmente para a gravadora independente —, nenhum desses artistas tinha contrato com eles quando estourou nas paradas, em parte por causa dessas limitações técnicas e financeiras.

  • Nirvana largou o selo em prol da David Geffen Company;
  • Pearl Jam, formado por integrantes do finado Green River, assinou com a Epic;
  • Alice in Chains, único dos grupos famosos de Seattle a não ter nenhum membro com experiência na Sub Pop, era da Columbia.
  • Mudhoney nunca estourou comercialmente.

"Não" ao Clube do Bolinha

Há de se apontar também o papel de artistas mulheres no desenvolvimento do grunge. O movimento teve influência forte dos alunos da Universidade de Washington, em Seattle, e da Evergreen State College, em Tacoma.

Isso significou um contingente feminino grande entre fãs e bandas. Chegou a ponto de haver muita confusão entre o grunge e o riot grrl, movimento punk surgido nessa região mais ou menos na mesma época.

Entretanto, artistas como L7, Babes in Toyland e, principalmente, Hole são considerados mais alinhados com o resto da cena de Seattle.

Grunge fora de Seattle + post-grunge

Apesar do grunge ser atrelado à cena de Seattle, outros artistas são frequentemente atrelados ao termo por terem uma sonoridade semelhante e estarem ativos no mesmo período. O Stone Temple Pilots, por exemplo, surgiu em Los Angeles e não tinha conexão com o noroeste do Pacífico, mas chegou ao sucesso na esteira do Pearl Jam.

Isso gerou críticas à banda, acusada de ser cópia. Entretanto, logo transcenderam isso. Hoje, são vistos como ícones do rock alternativo e, de certo modo, associados ao grunge.

Além disso, tão famoso quanto o movimento em si são os grupos surgidos após, referidos como post-grunge. Esse rótulo pode ser aplicado à trajetória inicial do Foo Fighters (projeto criado por Dave Grohl depois da morte de Kurt Cobain), ao conjunto inglês Bush, o trio australiano Silverchair e até mesmo a Creed e Nickelback, que levam a fórmula para um caminho mais pop.

Bandas famosas do grunge

Nirvana

Uma das bandas de rock mais famosas a surgir nos últimos 40 anos, o Nirvana não durou muito, porém seu impacto foi gigantesco. Formado em 1987 pelos amigos Kurt Cobain (voz/guitarra) e Krist Novoselic (baixo), o grupo era considerado estrangeiro à cena de Seattle por vir da pequena Aberdeen, cidade madeireira a menos de 200 km de distância.

Entretanto, sua combinação de punk, Black Sabbath e Beatles chamou a atenção da Sub Pop, que lançou seu álbum de estreia, Bleach (1989). Eles logo largaram o selo por insatisfação com a distribuição do disco e assinaram com a DGC sob recomendação do Sonic Youth.

O primeiro álbum do Nirvana com uma gravadora major foi Nevermind (1991), considerado por muitos um dos lançamentos mais importantes da história do rock. O disco tinha Dave Grohl na bateria e uma mixagem mais radiofônica, cortesia de Andy Wallace (Slayer, Run-DMC, Sepultura). O trabalho vendeu mais de 30 milhões de cópias até hoje, mas o êxito perturbou Cobain profundamente, o fazendo pensar que havia se vendido.

Seu sucessor, In Utero (1993), ficou marcado por uma sonoridade mais abrasiva, reação ao sucesso comercial do antecessor. Infelizmente, qualquer promessa de evolução além disso foi extinta em 8 de abril de 1994, quando Kurt Cobain tirou a própria vida aos 27 anos.

https://www.youtube.com/watch?v=hTWKbfoikeg&list=RDhTWKbfoikeg&start_radio=1&pp=ygUabmlydmFuYSBzbWVsbHMgbGlrZSBzcGlyaXSgBwE%3D

Pearl Jam

Era uma vez uma banda chamada Mother Love Bone, vista por muitos como a melhor chance de Seattle ter um artista de sucesso. Tragicamente, o carismático vocalista do grupo, Andrew Wood, morreu de overdose, deixando os outros integrantes perdidos.

Stone Gossard (guitarra) e Jeff Ament (baixo), anteriormente parte do Green River, montaram então um outro projeto com o guitarrista Mike McCready e o baterista Dave Krusen, mas estavam em busca de um vocalista.

Uma fita de demos hard rock chegou às mãos de um cantor baseado em San Diego chamado Eddie Vedder, que escreveu uma série de letras para as músicas gravadas com melodias completamente diferentes do normal. Após um teste, conseguiu o cargo.

Findada uma série de shows abrindo para o Alice in Chains, o que veio a ser o Pearl Jam assinou com a Epic e gravou seu álbum de estreia, Ten (1991), menos de seis meses depois de sua primeira apresentação ao vivo. O disco viria a vender mais de 10 milhões de cópias.

Desde então, o Pearl Jam se firmou como uma das bandas de rock alternativo mais importantes dos últimos 40 anos. Além disso, usaram seu poder para abraçar causas políticas progressistas, assim como combater o monopólio da Ticketmaster na indústria de música ao vivo.

https://www.youtube.com/watch?v=CxKWTzr-k6s&list=RDCxKWTzr-k6s&start_radio=1&pp=ygUJcGVhcmwgamFtoAcB

Soundgarden

É possível argumentar que o Soundgarden seja uma das bandas grunge originais. Isso porque seu EP de estreia, Screaming Life (1987), foi um dos primeiros lançamentos da Sub Pop e criou a parceria entre Jonathan Poneman e Bruce Pavitt. Entretanto, a banda liderada por Chris Cornell (vocais/guitarra) era bem mais que isso.

O grupo logo mudou de gravadora para a SST, com quem gravou seu primeiro álbum, Ultramega OK (1988). Infelizmente, a produção do disco não agradou à banda.

A sonoridade do grupo era bem apoiada em Led Zeppelin e Black Sabbath, com Cornell, Kim Thayil (guitarra), Hiro Yamamoto (baixo) e Matt Cameron (bateria) contribuindo ao repertório como um coletivo. Yamamoto seria logo substituído por Ben Shepherd, consolidando uma formação definitiva.

Apesar do sucesso considerável de Badmotorfinger (1991), o Soundgarden se viu ofuscado pelo Nirvana e o Pearl Jam. A banda finalmente atingiu o topo das paradas com Superunknown (1994), mas, àquele ponto, Kurt Cobain já estava morto e a festa do grunge havia terminado.

A banda se separou em 1997, mas uma reunião nos anos 2010 rendeu o álbum, King Animal (2012). Infelizmente, tudo chegou ao fim quando Cornell cometeu suicídio após um show em 2017.

https://www.youtube.com/watch?v=3mbBbFH9fAg&list=RD3mbBbFH9fAg&start_radio=1&pp=ygURc291bmRnYXJkZW4gYmxhY2ugBwE%3D

Mudhoney

A outra banda a surgir das cinzas do Green River, o Mudhoney funciona a partir da parceria entre Mark Arm (vocal/guitarra), Steve Turner (guitarra) e Dan Peters (bateria). O grupo puxa muito mais influência de garage rock como The Stooges e tem uma abordagem muito menos comercial em comparação aos seus contemporâneos.

https://www.youtube.com/watch?v=yun1IlBnDmY&list=RDyun1IlBnDmY&start_radio=1&pp=ygUIbXVkaG9uZXmgBwHSBwkJPgsBhyohjO8%3D

Eles nunca quiseram sucesso, mas atingiram certo grau de notoriedade graças ao single "Touch Me, I'm Sick" e ao EP Superfuzz Bigmuff (1988), que serviu como paradigma estético do grunge subsequente. A banda continuou na ativa ao longo das décadas, com apenas uma baixa: o baixista Matt Lukin saiu em 2001, substituído por Guy Maddison.

Alice in Chains

Era uma vez uma banda nos anos 1980 chamada Alice N' Chains, que tinha o vocalista Layne Staley. A grafia foi escolhida para não dar a imagem de sadomasoquismo, dado o fato de Seattle estar no meio de um pânico moral cujo resultado foi uma lei chamada Teen Dance Ordinance, impedindo shows para todas as idades. Qualquer semelhança com Guns N' Roses era acidental.

O grupo acabou e Staley foi recrutado para cantar num projeto formado por Jerry Cantrell (guitarra/vocais), Mike Starr (baixo) e Sean Kinney (bateria). O quarteto resolveu adotar o nome da banda anterior do vocalista, numa grafia diferente: Alice in Chains.

O Alice in Chains assinou com a Columbia em 1989 e seu primeiro single, "We Die Young", se tornou um hit em rádios de metal nos Estados Unidos. Ao contrário de outros artistas do grunge, o grupo nunca teve medo de caracterizar seu som como música pesada ou querer sucesso mainstream.

O êxito comercial veio com o álbum de estreia Facelift (1990), o primeiro do movimento grunge a receber disco de ouro nos Estados Unidos, e se consolidou com Dirt (1992), puxado pelos singles "Would?", "Rooster", "Them Bones", "Angry Chair" e "Down in a Hole".

Infelizmente, a banda não duraria muito mais tempo. Após o EP Jar of Flies (1994), Staley entrou na reabilitação para tratar de um vício em heroína. O grupo chegou a lançar o álbum Alice in Chains (1995), mas não fez turnê, o que alimentou boatos do vocalista ter sofrido uma recaída. A banda gravou um MTV Unplugged, tocou num talk show, fez quatro apresentações como abertura do Kiss e entrou em hiato.

Staley foi encontrado morto em 2002. A banda se reformou em 2006 com William DuVall como vocalista e continuou em atividade.

https://www.youtube.com/watch?v=Nco_kh8xJDs&list=RDNco_kh8xJDs&start_radio=1&pp=ygUPYWxpY2UgaW4gY2hhaW5zoAcB

Hole

Única banda da lista a não se originar no estado de Washington, o Hole começou em Los Angeles, mas tem uma associação intrínseca ao grunge em função da sua vocalista e guitarrista, Courtney Love, ser a viúva de Kurt Cobain. Há também a teoria da conspiração que o líder do Nirvana compôs as canções do álbum Live Through This (1994), mas isso é refutado pelo jornalista Everett True ao The Guardian:

"Kurt cantou backing vocals em duas canções. Ele compôs um B-side pro Hole, '(Old Age)', sem ser creditado. Só isso. Seria tão plausível - embora desonesto - afirmar que Courtney compôs a maior parte do terceiro álbum do Nirvana, In Utero: dá pra ver a influência dela nas letras do Kurt. Antes do casal se conhecer, era preciso adivinhar suas intenções. Depois, suas letras eram bem mais diretas."

Live Through This foi lançado quatro dias após a morte de Kurt Cobain e se provou o momento de estouro do Hole. A banda expandiu esse sucesso com Celebrity Skin (1998), mas logo terminou em meio a brigas internas.

O grupo chegou a lançar mais um álbum, Nobody's Daughter (2010). Porém, esse disco não contém os integrantes clássicos Eric Erlandson (guitarra), Melissa Auf Der Maur (baixo) e Patty Schemel (bateria).

https://www.youtube.com/watch?v=O3dWBLoU--E&pp=0gcJCT8LAYcqIYzv

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra