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"Da favela à classe A; alcancei todas as tribos", diz DJ recordista mundial

6 abr 2011 - 19h08
(atualizado às 19h24)
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Samanta Lobo

Uma maratona de 120 horas discotecando, com apenas 3 pequenas pausas regulamentadas. Foi esse o feito que permitiu a DJ King, de 34 anos e natural do Brás, Zona Leste de São Paulo, entrar em março para o Guinness, o livro dos recordes mundiais. O que no primeiro momento foi sentido como superação pessoal, logo se mostrou forte porta para a divulgação do rap e da cultura black, principais fontes de trabalho de King. Mas o DJ garante que, muito antes de bater o recorde mundial, já conseguiu levar seu som para todos os ouvidos. "Vou tocar lá na favela ou vou no pico mais classudo que tem; eu consegui mostrar a cultura para todas as tribos", disse durante conversa no chat do Terra nesta quarta-feira (6).

Ele, que se apresenta no clube Lions nessa quinta-feira (7), em São Paulo, explicou que procura se adaptar a cada tipo de público. "Vou tocar em alguns lugares às vezes que eu nunca me imaginei tocando. É muito louco. Não vou me vender, mas procuro ouvir as pessoas e escolher bem as músicas. Na periferia eu não vou tocar algo muito comercial, por exemplo. Em clubes eu toco um repertório mais variado de som. Não é pensar em agradar, é apenas não querer desagradar".

Entusiasta do rap e suas vertentes em suas set lists - "curto funk, mas não toco" - o DJ reconhece a importância de outros movimentos divulgadores da cultura negra. "O samba, o samba rock e o funk andam juntos com o rap na cultura black. Acho até que o funk chegou onde o rap não chegou, principalmente há alguns anos, quando ouve um período que o rap se estagnou. Quando isso aconteceu, o funk tomou espaço". Mesmo assim, King, que passou cinco dias tocando sem parar, acredita na força do seu estilo musical: "o rap precisa apenas de uma melhor conduta para os negócios. Aos poucos as barreiras vão se quebrando e todo mundo vai mostrando seu produto".

Entrada para o Guinness

Durante as 120 horas que resistiu discotecando em um evento no Pacaembu no mês passado. DJ King teve três pausas para pequenos descansos, comida levada pela mãe e uma toalha preta que ele molhava e deixava no congelador para depois colocá-la no pescoço, tática que o mantinha acordado. "Precisava desse choque térmico para os olhos ficarem abertos", explicou.

O DJ ultrapassou o suíço Cedric Barras, que havia ficado 118 horas nas cabines. Depois da façanha, ele admitiu que não conseguiu ouvir nada por algum tempo: "passei dois dias em silêncio, assistindo ao seriado Os Simpsons, para relaxar. Não conseguia nem pensar em música", contou em entrevista ao Terra, após participar do chat.

DJ King entrou para o Guinnes Book ao tocar por 120 horas seguidas
DJ King entrou para o Guinnes Book ao tocar por 120 horas seguidas
Foto: Divulgação
Fonte: Terra
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