"Da favela à classe A; alcancei todas as tribos", diz DJ recordista mundial
- Samanta Lobo
Uma maratona de 120 horas discotecando, com apenas 3 pequenas pausas regulamentadas. Foi esse o feito que permitiu a DJ King, de 34 anos e natural do Brás, Zona Leste de São Paulo, entrar em março para o Guinness, o livro dos recordes mundiais. O que no primeiro momento foi sentido como superação pessoal, logo se mostrou forte porta para a divulgação do rap e da cultura black, principais fontes de trabalho de King. Mas o DJ garante que, muito antes de bater o recorde mundial, já conseguiu levar seu som para todos os ouvidos. "Vou tocar lá na favela ou vou no pico mais classudo que tem; eu consegui mostrar a cultura para todas as tribos", disse durante conversa no chat do Terra nesta quarta-feira (6).
Ele, que se apresenta no clube Lions nessa quinta-feira (7), em São Paulo, explicou que procura se adaptar a cada tipo de público. "Vou tocar em alguns lugares às vezes que eu nunca me imaginei tocando. É muito louco. Não vou me vender, mas procuro ouvir as pessoas e escolher bem as músicas. Na periferia eu não vou tocar algo muito comercial, por exemplo. Em clubes eu toco um repertório mais variado de som. Não é pensar em agradar, é apenas não querer desagradar".
Entusiasta do rap e suas vertentes em suas set lists - "curto funk, mas não toco" - o DJ reconhece a importância de outros movimentos divulgadores da cultura negra. "O samba, o samba rock e o funk andam juntos com o rap na cultura black. Acho até que o funk chegou onde o rap não chegou, principalmente há alguns anos, quando ouve um período que o rap se estagnou. Quando isso aconteceu, o funk tomou espaço". Mesmo assim, King, que passou cinco dias tocando sem parar, acredita na força do seu estilo musical: "o rap precisa apenas de uma melhor conduta para os negócios. Aos poucos as barreiras vão se quebrando e todo mundo vai mostrando seu produto".
Entrada para o Guinness
Durante as 120 horas que resistiu discotecando em um evento no Pacaembu no mês passado. DJ King teve três pausas para pequenos descansos, comida levada pela mãe e uma toalha preta que ele molhava e deixava no congelador para depois colocá-la no pescoço, tática que o mantinha acordado. "Precisava desse choque térmico para os olhos ficarem abertos", explicou.
O DJ ultrapassou o suíço Cedric Barras, que havia ficado 118 horas nas cabines. Depois da façanha, ele admitiu que não conseguiu ouvir nada por algum tempo: "passei dois dias em silêncio, assistindo ao seriado Os Simpsons, para relaxar. Não conseguia nem pensar em música", contou em entrevista ao Terra, após participar do chat.