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Cyndi Lauper faz fãs brincarem de dança das cadeiras em show em SP

23 fev 2011 - 02h51
(atualizado às 08h51)
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Gabriel Perline
Direto de São Paulo

Soou estranho saber que o público estaria sentado durante a performance de Cyndi Lauper na noite desta terça-feira (22), na Via Funchal, em São Paulo. Afinal, assistir ao show de um ícone do pop da década de 80 de pernas cruzadas é um cenário incomum em qualquer lugar do mundo. É o mesmo que imaginar Madonna, Cher ou Sheryl Crow em uma apresentação intimista, com uma plateia apenas movimentando os pescoços e balbuciando palavras enquanto os hits mais revolucionários da época ecoassem pelos auditórios.

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Pois assim começou o show. Fãs sentados, aplaudindo, gritando pelo nome de Cyndi enquanto os músicos entravam no palco às 22h20. "Oi, tudo bem?", disse a cantora, que abriu a noite com dois sucessos de Memphis Blues, seu álbum lançado em 2010, Just Your Fool e Shattered Dreams, seguidos da controversa She Bop, sucesso na década de 80, presente no álbum She's So Unusual (1983). Apesar de não falar abertamente, a música abusa de eufemismos para se referir à masturbação e Cyndi fez questão de repetir inúmeras vezes o título da canção, inclusive gesticulando.

Em Shattered Dreams, ela deixou o palco e subiu em uma das mesas dispostas no auditório. Os fãs não perderam a oportunidade e saíram de seus assentos para chegar próximo de Cyndi, que deixou todos delirando com sua energia e entrega. Os óculos escuros, utilizados na entrada, já não faziam mais parte do figurino.

As canções iniciais, bastante explosivas, davam indícios de que Cyndi estava ali para festa. E os fãs foram na onda da cantora, tanto que acabaram se excedendo e causando leves conflitos na plateia. O motivo, obviamente, eram os assentos ali colocados. Quem queria levantar para dançar, logo recebia um cutucão nas costas de quem estava sentado atrás, seguido de um sorriso amarelo e da frase mais ouvida da noite: "você pode se sentar, por favor?".

A partir de Earling in the Mornin o público, enfim, usou os assentos. A balada blues, que na versão gravada no CD conta com a participação de B. B. King, acalmou nos ânimos. Porém, a clássica All Through The Night voltou a ser motivo de gritarias, mas as pessoas estavam mais comedidas e evitaram levantar para extravasar.

"Me desculpe por não falar português", disse Cyndi ao final da música. As desculpas logo foram justificadas: ela deu um toque de "Brasil" em sua turnê local e convidou a percussionista Lan Lan, da banda Moinho, para integrar sua banda. Ela queria fazer a cerimônia completa, usar nosso idioma para mostrar a surpesa que havia preparado para nós.

Após a apresentação, ela cantou Lead Me On e uma sequência de quatro canções de seu novo álbum: Down Don't Brother Me, Crossroads, Rollin' & Tumblin' e Don't Cry No More. A energia de Cyndi era contagiante. Mesmo apresentando até o momento músicas pouco populares para muita gente que estava ali apenas para ouvir os clássicos dos anos 80, a maioria se entregou à empolgação da menina, que virou senhora, rebelde.

Ela encerrou a primeira parte do show às 23h15 com Change of Heart, com Lan Lan dominando o palco na percussão. Cyndi Lauper estava impressionada com o talento da brasileira, que foi a musicista mais requisitada da banda durante o espetáculo.

Dois minutos depois, Lauper e sua banda retornaram ao palco e após gritos histéricos de fãs que estavam nas mesas encostadas ao palco, Cyndi improvisou com a balada Shine. Novamente desceu do palco, subiu em uma das mesas e fez boa parte da Via Funchal se deslocar até ela.

O momento mais inusitado da noite aconteceu em Girls Just Wanna Have Fun. Cyndi começou a música e, espontaneamente, a cena inicial do show se repetiu: muitos levantaram de suas cadeiras para dançar. Percebendo que o público queria se divertir, ela interrompeu a banda, contou com a ajuda de Lan Lan para pedir a todos que ficassem em pé e dançassem. Um dos técnicos de segurança entrou no palco e deu as coordenadas gerais sobre as áreas que não poderiam ser ultrapassadas e Cyndi retomou a música de onde havia parado, como se nada tivesse acontecido. Antes de finalizar a música, ela se ajoelhou na beirada do palco e deu uma bronca em uma fã que tocou seu rosto antes de cantar o último verso do clássico. "Não toque meu rosto, porque eu odeio isso", disse.

Em seguida, Time After Time, com coro de vozes e braços balançando. Cadeiras eram apenas acessórios incômodos nesta altura do show. The Goonies Are Good Enough foi mais um presente fora do roteiro que Cyndi resolveu dar aos fãs paulistanos, que sequer se importaram quando ela esqueceu a letra da segunda parte da música e seguiram cantando, estimulando a estrela da noite.

Para fechar, True Colors. Ela decidiu tocar a música sozinha, mas durante a performance requisitou Lan Lan, que demorou para atender ao chamado. A brasileira voltou ao palco, pegou o pandeiro e acompanhou Cyndi até meia-noite em ponto, horário em que ela deu seu último tchau para os fãs no show de blues, que acabou transformado numa grande balada dos anos 80.

Setlist

1. Just Your Fool

2. Shattered Dreams

3. She Bop

4. Earling in the Mornin

5. All Through The Night

6. Lead Me On

7. Down Don't Brother Me

8. Crossroads

9. Rollin' & Tumblin'

10. Don't Cry No More

11. Change of Heart

12. Shine

13. Girls Just Wanna Have Fun

14. Time After Time

15. The Goonies Are Good Enough

16. True Colors

Ícone do pop da década de 80 se apresentou na Via Funchal
Ícone do pop da década de 80 se apresentou na Via Funchal
Foto: Fernando Borges / Terra
Fonte: Terra
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