Consagrado produtor da Tropicália, Manoel Barenbein revela em livro bastidores do movimento
Publicação sobre seu trabalho conta em detalhes como foram gravações de obras-primas da MPB
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Mutantes, Nara Leão e Rogério Duprat. Os principais nomes da Tropicália estão bem consolidados na história e na memória de quem conhece esse que é um dos mais transformadores capítulos da música popular brasileira.
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Entretanto, parafraseando uma das canções símbolos do "grupo", havia alguém ali que organizava o movimento, orientava o carnaval, ao menos no estúdio.
Esse cara é Manoel Barenbein, que agora conta grande parte de sua atuação na música no livro O Produtor da Tropicália - Manoel Barenbein e os Álbuns de um Movimento Revolucionário (Garota FM Books), do jornalista e produtor musical Renato Vieira, com prefácio escrito por Gilberto Gil.
Vieira conta que as lembranças estão muito vivas na memória de Barenbein - o produtor participa semanalmente de um programa dedicado à música brasileira em uma rádio israelense - e destaca, além dos discos tropicalistas, os discos que ele fez com Chico Buarque, a quem ele convenceu a entrar no estúdio para cantar.
"São artistas que pautaram a cultura brasileira dali por diante. Barenbein, e os discos que ele produziu, têm lugar garantido em qualquer antologia da música brasileira", finaliza Renato Vieira.
Dez importantes gravações produzidas por Manoel Barenbein
Alegria, Alegria (Caetano Veloso - 1967)
A música apresentada no 3.º Festival da Música Popular Brasileira ganhou sua versão definitiva no primeiro disco solo lançado por Caetano.
Prá Chatear (Ronnie Von e Caetano Veloso - 1967)
Ronnie tentava se distanciar do sucesso de 'A Praça" e chamou Caetano para dividir o vocal na canção com acento tropicalista.
Roda Viva (Chico Buarque - 1968)
Letra de forte crítica social, a canção está no segundo disco de Chico. Tornou-se um hino atemporal contra tempos sombrios.
Aquele Abraço (Gilberto Gil - 1969)
Clássico incontestável do repertório de Gil e da música popular brasileira. Uma despedida de Gil e Caetano do Brasil após a perseguição do governo militar.
Meu nome é Gal (Gal Costa - 1969)
O rock composto por Roberto e Erasmo Carlos se tornaria uma das marcas da cantora. Nessa primeira versão, conta com um acompanhamento orquestral.
Charles, Anjo 45 (Jorge Ben Jor - 1969)
A canção fala sobre um Robin Hood do morro. Um dos sucessos de Ben Jor, gravado também por Caetano Veloso e Gal Costa.
Como É Grande o Meu Amor Por Você (Claudette Soares - 1969)
Com a gravação, que contou com arranjos de César Camargo Mariano, Claudette quebrou a barreira de que cantoras como ela, ligada à bossa nova, não gravavam a dupla Roberto e Erasmo.
Mano Caetano (Maria Bethânia - 1971)
Jorge Ben Jor escreveu a música para Bethânia saudar a volta do irmão do exílio a que o levou a ditadura militar.
Dois Animais na Selva Suja (Erasmo Carlos - 1971)
Lançada no cultuado disco Carlos, Erasmo, a música de Taiguara fala sobre um casal "amigado", algo visto com preconceito pela sociedade da época.
Festa Para um Rei Negro (Jair Rodrigues - 1971)
O samba-enredo do Salgueiro ganhou uma versão diferente da escola. Na hora do desfile, a bateria tocou em uma velocidade e o público cantou na eternizada por Jair.
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