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Como o festival Daisy Chain, de Olivia Rodrigo, fez história

Rodrigo e Sarah McLachlan falam a fundo sobre lançar festivais de música pioneiros, enfrentar o sexismo e o que elas amam na música uma da outra

3 set 2026 - 14h10
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Resumo
Inspirada pelo pioneirismo da Lilith Fair nos anos 90, Olivia Rodrigo criou o Daisy Chain Fields, festival beneficente só com artistas mulheres na Califórnia. Com bênção e presença de Sarah McLachlan, o evento reuniu 45 mil fãs e estrelas de várias gerações, como Alanis Morissette e Chappell Roan. Com ingressos esgotados em 30 minutos, o festival arrecadou US$ 20 milhões para ONGs de direitos e saúde reprodutiva feminina, celebrando o avanço das mulheres e a união comunitária pela música.

Por décadas, fãs vêm fazendo a Sarah McLachlan a mesma pergunta: "Quando você vai trazer de volta a Lilith Fair?" O festival itinerante só de mulheres, que aconteceu nos verões de 1997 a 1999, foi a resposta direta de McLachlan ao sexismo da indústria da música — e aos promotores que diziam que não dava para ter várias mulheres no mesmo lineup (ou tocando em sequência no rádio, aliás). E, por quase 30 anos, a cantora e compositora repetiu a mesma resposta: a Lilith Fair tinha ficado no passado. "Eu estou velha demais", ela disse à Rolling Stone no ano passado. "Se [acontecesse], deveria ser alguém jovem liderando, que deixasse isso ser algo diferente."

Olivia Rodrigo
Olivia Rodrigo
Foto: Rolling Stone / Rolling Stone Brasil

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Essa pessoa acabou sendo Olivia Rodrigo, que acabou de criar o próprio festival só de mulheres: Daisy Chain Fields, realizado em 29 de agosto no Great Park, em Irvine, Califórnia. A programação reuniu artistas poderosas, atravessando gêneros e gerações, incluindo Chappell Roan, Doechii, Bikini Kill, Garbage, The Breeders, Mitski e Not for Radio. Rodrigo foi a atração principal do evento — que reuniu 45 mil fãs em êxtase — enquanto ela desfilava faixas do seu fantástico álbum novo, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love. Ela também levou seus ídolos ao palco: Alanis Morissette para "Ironic", Stevie Nicks para "Landslide" e a própria McLachlan. "Eu sinto que estou sonhando", Rodrigo disse à plateia. "Esse é o melhor dia da minha porra de vida!"

Ao que tudo indica, McLachlan foi a primeira pessoa para quem Rodrigo ligou quando começou a planejar o Daisy Chain. "Eu tenho uma lembrança vívida", ela conta a McLachlan, em uma entrevista em vídeo para a Rolling Stone. "Eu estava tão nervosa para te ligar e estava com muito frio, encolhida perto da lareira na minha casa. Eu pensava: 'Vai! Vai! Ela vai ser superlegal!' Eu fiquei nas nuvens por receber a sua bênção e por ter conselhos e apoio seus. Isso significou o mundo para mim." Do jeito que McLachlan conta, foi um "sim" imediato. "Alegria e euforia instantâneas", ela diz. "Eu pensei: 'Aleluia! Finalmente alguém pegou a tocha e está levando adiante.'"

Rodrigo, McLachlan, Roan e Doechii estampam a nossa nova capa digital da Rolling Stone, em comemoração ao Daisy Chain. O festival inovador arrecadou US 10 milhões em doações, que irão para organizações sem fins lucrativos que beneficiam mulheres e meninas, incluindo o Center for Reproductive Rights e a Planned Parenthood. Esse valor foi então dobrado pela filantropa Melinda French Gates, chegando a US 20 milhões. Na nossa entrevista em vídeo — gravada em Los Angeles alguns dias antes do Daisy Chain — Rodrigo e McLachlan se juntaram à coeditora-chefe Shirley Halperin e à repórter sênior Angie Martoccio, ambas da Rolling Stone. Elas discutiram a criação tanto do Daisy Chain quanto da Lilith Fair, o sexismo na indústria, o que elas amam na música uma da outra e o poder que um festival só de mulheres pode ter. "A música foi o primeiro meio em que a maneira como eu me sentia era realmente aceita", diz Rodrigo. "Crescendo, esse era o meu lugar seguro. Então, se meninas puderem ir ao Daisy Chain e sentir um pedacinho disso, seria um sonho."

Assista à entrevista em vídeo abaixo

https://www.youtube.com/watch?v=FP8G9_WHHag

Martoccio: Olivia, conte pra gente como o Daisy Chain Fields surgiu. Pelo que entendi, você queria fazer isso há algum tempo.

Rodrigo: Eu tinha essa ideia há alguns anos, mas era uma daquelas coisas que pareciam tão importantes para mim que eu ficava com medo de dizer em voz alta. É a interseção de todas as minhas coisas favoritas. Sempre que eu faço um show, olho para o público e vejo meninas e mulheres se conectando umas com as outras e chorando — ou vivendo as próprias emoções, ou passando por algum tipo de catarse —, eu sempre fiquei muito ciente do poder disso. E eu também sempre fui muito apaixonada por direitos das mulheres e por saúde reprodutiva, então parecia algo perfeito para fazer. E, claro, eu fui muito inspirada pela Lilith Fair, da Sarah. Eu lembro de ouvir falar disso quando eu era adolescente, e a minha reação imediata foi simplesmente inveja de todas as pessoas que puderam ir e se apresentar. [Vira-se para McLachlan.] Eu só pensei que era a coisa mais legal do mundo. Ler sobre todas as barreiras e obstáculos que vocês enfrentaram foi muito inspirador, e eu definitivamente não estaria aqui sem você. Eu sou muito grata por você e muito feliz que você esteja aqui. Sim.

McLachlan: Obrigada. Eu estou muito feliz e orgulhosa de você, e orgulhosa de fazer parte disso.

Halperin: Vocês se conheciam de alguma forma? Já tinham se encontrado antes?

Rodrigo: Não.'

McLachlan: Não. Na verdade, isso é…

Rodrigo: Eu sei, é a nossa primeira vez nos encontrando pessoalmente!

Halperin: É a primeira vez que vocês se encontram?

McLachlan: Pessoalmente.

Rodrigo: A gente já conversou por telefone.

Halperin: Uau! Olivia, quando você tomou conhecimento pela primeira vez da música da Sarah?

Rodrigo: Acho que a primeira música sua que eu ouvi foi em Toy Story ["When She Loved Me", de Toy Story 2]. Eu lembro de ser criança e não entender muito o conceito de artistas ou álbuns, mas ouvir aquela música e pensar: "Meu Deus, essa é a canção mais emocionante e bonita de todas." Como são todas as suas músicas.

McLachlan: Obrigada, Randy Newman.

Rodrigo: E quando eu era adolescente, eu descobri Surfacing e obviamente me apaixonei. Eu sou muito inspirada por você e muito tocada por tudo o que você faz.

Halperin: Sarah, você pode contar sobre a primeira vez que ouviu a música dela e o que achou?

McLachlan: Eu ouvi "Drivers License" pela primeira vez. E pensei: "Quem é essa pessoa? Essa é uma voz incrível, essa é uma música incrível." E claro que foi minha filha que disse: "Você tem que ouvir isso." E a gente ouviu o disco inteiro. Ficou no repeat, porque eu ainda levava ela para a escola todos os dias. Então, você foi a trilha sonora das minhas manhãs por um ano e meio.

Rodrigo: Que fofo. Isso é muito importante. Eu lembro do caminho para a escola com a minha mãe e do CD que estava tocando. Isso teve um impacto enorme em mim.

Halperin: Que CD era esse?

Rodrigo: Nossa, minha mãe tem um gosto musical muito bom. Ela me apresentou Return of Saturn, do No Doubt, que é um dos meus discos favoritos até hoje. Minha mãe ama punk riot grrrl. Ela é fã de Babes in Toyland, e foi assim que eu conheci elas. Weezer, Green Day. Isso era a minha praia quando eu estava crescendo.

Halperin: Olivia, o festival esgotou em 30 minutos. Isso te surpreendeu?

Rodrigo: Eu fiquei muito empolgada, mas olhando para esse lineup com todas essas mulheres incríveis — Sarah, Doechii, Chappell, Rachel Chinouriri, Bikini Kill — são literalmente todas as minhas artistas favoritas. Então eu fiquei muito feliz que todo mundo estivesse tão animado quanto eu para ver isso.

McLachlan: Como poderia dar errado?

"[Para Rodrigo] Eu acho que você é corajosa por estar na linha de frente de algo que vai irritar muita gente. Mas foda-se — e parabéns por se posicionar." Sarah McLachlan

Martoccio: Vamos falar sobre o nome Daisy Chain, porque, obviamente, existe essa imagem de uma corrente de margaridas, mas também tem o simbolismo. Um componente é parte de uma corrente que é muito mais forte do que o indivíduo. Como você chegou a isso?

Rodrigo: É exatamente isso — essa era a metáfora. A gente é muito mais forte quando se junta: esses pedaços individuais se unindo e formando algo inquebrável. Eu penso muito nisso; eu acho que as pessoas que querem nos manter para baixo dependem de a gente se sentir sobrecarregada e sozinha. Então eu acho que um evento em que a gente cultiva uma comunidade cheia de esperança e união é uma coisa muito, muito poderosa hoje em dia.

Halperin: O conceito de uma corrente como algo geracional é muito forte nesse sentido. A Sarah criou a Lilith Fair, teve uma trajetória incrível, e depois a gente não teve nada por um tempo. E agora estamos de volta nessa corrente — com o Girls Just Wanna Weekend, da Brandi Carlile, e os Joni Jams [da Joni Mitchell]. Todas essas mulheres carregando a tocha estão voltando para este momento, o que eu acho ótimo. Misturar gerações é incrível.

Rodrigo: Cem por cento. Parece que a gente está de braços dados fazendo algo junto, sabe?

Halperin: E não há essa divisão entre a cena de uma pessoa e a cena de outra idade. Foi importante para você trazer alguém mais velha?

Rodrigo: Olhando para esse cartaz, são literalmente todas as minhas artistas favoritas. Eu não pensei muito em quando elas nasceram ou algo assim. São mulheres que realmente me inspiram. Esse foi o ponto central de tudo. E eu também quero acrescentar que todas essas artistas estão fazendo isso completamente de graça. Cem por cento da renda vai para caridade, o que é incrível. Então, além de serem músicas inspiradoras, elas também são pessoas muito boas e que se importam com o mundo — o que dá muita esperança.

Martoccio: Sarah, o que significa para você ver gerações como a da Olivia carregando o espírito da Lilith?

McLachlan: É muito reconfortante. É extremamente importante, especialmente agora, mostrar que mulheres trabalhando juntas e se unindo por um objetivo comum de fazer o bem pode ser muito, muito poderoso. Nós, como humanidade, precisamos de oportunidades para fazer parte dessas coisas, porque tudo neste mundo está tentando nos dividir agora, nos separar, nos deixar pequenas. A gente precisa de oportunidades para celebrar, para celebrar umas às outras e também para levantar mensagens muito importantes nas quais todas nós acreditamos.

Rodrigo: Totalmente. Você não poderia ter dito melhor.

Martoccio: A Shirley estava na Lilith Fair, o que eu acho tão legal.

Halperin: Sim. Camden, Nova Jersey. Provavelmente não é o seu local favorito daquela turnê.

McLachlan: Mas os fãs de Nova Jersey são incríveis.

Halperin: Sim, são. Eu não lembro de tudo com tanta clareza, mas lembro de regatas, suor e de uma sensação — curiosamente nada estranha — de estar numa multidão majoritariamente feminina, algo que eu acho que eu nunca tinha vivido. E, ouso dizer, parecia muito seguro. Isso também fazia parte da intenção do Daisy Chain, certo? A ideia de ser um espaço seguro para mulheres se reunirem e celebrarem a música?

McLachlan: Para todo mundo se reunir e celebrar a música, na verdade — e não só mulheres. Não era para ser só para mulheres. Era para elevar as mulheres, com certeza, mas todo mundo deveria poder participar dessa alegria e desse espaço seguro.

Rodrigo: Totalmente. Eu acho que isso é o que tem de tão especial na música ao vivo. Em um mundo que está ficando cada vez mais digital, shows são tão importantes. Eu sinto que é um lugar onde as pessoas podem se sentir livres para expressar emoções que são difíceis de expressar no dia a dia. Eu vejo tantas histórias online de meninas conhecendo outras meninas — ou pessoas conhecendo outras pessoas — na fila, e elas viram amigas para a vida toda. Essa conexão humana real é tão importante, e é por isso que música ao vivo é mais importante do que nunca.

McLachlan: E a IA não pode tirar isso.

Rodrigo: Não.

Halperin: Ou o seu celular — porque eu estava pensando, enquanto via o documentário da Lilith [de 2025, Lilith Fair: Building a Mystery] — que havia uma atenção enorme do público ao que estava acontecendo no palco. Algumas das atrações as pessoas nem conheciam. Algumas são simplesmente tão poderosas. Tracy Chapman abre a boca e você escuta. Acho que não ter a distração do telefone deixava as pessoas mais engajadas com o que estava acontecendo ao vivo. Eu queria saber a sua opinião, Sarah. Tenho certeza de que nos seus shows as pessoas pensam: "Está tocando 'Angel', hora de pegar o celular." E, Olivia, você lida com isso o tempo todo. Como é essa experiência para vocês?

McLachlan: Mudou, claro. Mas, como você disse, no começo eu não precisava lidar com isso, e hoje faz parte das "extensões" das pessoas: elas querem documentar tudo. E quem sou eu para julgar? Eu sei que alguns artistas dizem "sem celulares", e eu entendo, mas eu sou muito do tipo "viva e deixe viver". Eu penso: "Você vai viver isso do jeito que quiser viver." [Para Rodrigo] Você cresceu num mundo muito digital, então provavelmente consegue falar disso com mais eloquência.

Rodrigo: Não. Eu não conheço outra coisa, na verdade, mas eu acho bonito estar se divertindo tanto em um lugar que você quer pegar o celular e tirar uma foto para lembrar. Tem algo de meio lindo nisso. Mas eu já estive em shows em que a pessoa na minha frente grava o show inteiro. Eu fico pensando: "Você vai mesmo voltar e assistir isso tudo?" Mas algumas pessoas assistem, eu acho.

McLachlan: Assistem. Minha filha faz isso.

Rodrigo: Uau.

McLachlan: Quer dizer, ela faz pequenos trechos, mas depois volta e assiste sem parar, lembra e revive a alegria daquele momento — então essa parte é fofa.

Rodrigo: É fofa.

Martoccio: Sarah, você já pensa em como teria sido começar sua carreira numa era tão digital?

McLachlan: Eu não sei se eu teria me saído muito bem.

Rodrigo: Isso não é verdade.

McLachlan: Eu só quero dizer que sou muito grata por ter amadurecido na época em que amadureci, e por ter passado pelos meus primeiros anos de um jeito mais quieto. Não que tenha sido algo colossal ou terrível, mas eu não precisei ser definida por aquilo. Essa é uma das muitas pressões sobre artistas jovens hoje. Qualquer deslize nesta sociedade, você vai ser cancelada se disser algo errado. [Para Rodrigo] Por isso eu acho que você é muito corajosa por estar na linha de frente de algo assim, que essencialmente vai irritar muita gente. Mas foda-se — e parabéns por se posicionar.

Halperin: Quando a Lilith Fair surgiu, foi uma resposta direta ao sexismo na indústria, que era muito forte na época. Eu cobri bem as realidades do rádio naquela época, quando não tocavam artistas mulheres em sequência ou, às vezes, nem no mesmo bloco de anúncios.

McLachlan: Na mesma hora.

Halperin: Exatamente. Eu lembro de ter encomendado uma coluna para Kay Hanley, do Letters to Cleo. Eu anotei porque era uma frase incrível: "As [mulheres] inovadoras e revolucionárias, que pularam obstáculos quase impossíveis para atravessar o empurra-empurra do clube do bolinha do rock de rádio dos anos 90." Trinta anos depois, ela ainda sente essa raiva, porque aqui está uma banda que teve um grande sucesso e não conseguiu ter um segundo, porque tinha uma vocalista mulher — e havia competição demais por espaço no rádio naquela época.

Então, Sarah, como foi lidar com essa resistência enquanto vocês montavam isso? Porque no documentário há muito espanto do tipo: "A gente pode fazer isso? As pessoas vão vir? As pessoas vão pagar?" Tudo parecia tão novo.

"Eu sinto que o Daisy Chain é uma celebração do quanto avançamos como mulheres na música." Olivia Rodrigo

McLachlan: Sim e não. Eu não tinha dúvida nenhuma. [Para Rodrigo] Assim como você, com esse lineup incrível que você montou. Era aquela atitude de "finge até dar certo" que eu tinha. E o comportamento da indústria era tão normalizado, e a gente estava tão acostumada. Não quer dizer que a gente gostasse, mas eram as regras comuns — que eu achava ridículas — e eu resistia a elas do jeito que dava. E colocar a Lilith de pé foi uma reação a isso. Quando alguém diz "não" para mim, eu empurro ainda mais, para provar que está errado, quando parece tão simples e tão ridículo.

Rodrigo: Eu amo isso em você.

McLachlan: Teimosa pra caramba.

Rodrigo: Eu também. E tem uma coisa que eu não deixo de notar: como as coisas mudaram. Assistindo ao documentário da Lilith e ouvindo que duas mulheres não podiam tocar em sequência no rádio ou que duas mulheres não podiam estar no lineup de um festival… eu fiquei chocada, porque eu sinto que hoje eu não vivi muito disso. E eu acho que isso se deve, em grande parte, ao jeito como você quebrou barreiras, Sarah, e como as pessoas da sua geração lutaram para serem levadas a sério e para ter o mesmo microfone e o mesmo palco. Eu sou infinitamente grata por isso. E eu também sinto que o Daisy Chain é uma celebração do quanto avançamos como mulheres na música.

Martoccio: Sarah, você acha que melhoramos muito desde então, ou ainda temos um longo caminho?

McLachlan: Os dois. Eu acho que fizemos avanços incríveis, como você disse, e há um espaço tão bom para artistas mulheres agora. Há mulheres com muito poder na indústria da música, tanto nos bastidores quanto na frente das câmeras. Ao mesmo tempo, o contra-ataque a isso é o que está acontecendo política e socialmente no mundo hoje: um retrocesso nos direitos das mulheres, nos direitos humanos. Não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo. Eu acho muito, muito importante continuar usando as plataformas que temos e a nossa voz — que é poderosa — e a nossa influência. E faz sentido usar essa influência para tentar criar mudanças sociais positivas e fazer algo poderoso. Parece uma responsabilidade. Sempre foi.

Rodrigo: É um pouco uma faca de dois gumes. Mulheres na música têm muito mais oportunidades e são levadas muito a sério, estão liderando festivais e fazendo todas essas coisas. Mas as mulheres tinham mais direitos reprodutivos nos Estados Unidos quando a Lilith Fair estava acontecendo do que têm agora. Então é uma dicotomia meio estranha.

McLachlan: Por isso é tão importante continuar falando e jogando luz sobre essas questões.

Martoccio: Olivia, você está trabalhando com várias organizações incríveis para o Daisy Chain, da Planned Parenthood ao Baby2Baby. Você pode falar um pouco sobre como escolheu essas organizações e como foi esse processo?

Rodrigo: Eu pude me encontrar com todas as lideranças dessas organizações incríveis. Eu fui à maioria dos escritórios também, e conheci lobistas, voluntárias e advogadas que fazem um trabalho muito importante. As causas vão de uma organização como a Planned Parenthood — que obviamente oferece aborto e métodos contraceptivos — ao Johns Hopkins Center for Indigenous Health, que ajuda mães indígenas em comunidades de baixa renda. Então eu pude aprender muito sobre essas questões.

Outra coisa de que eu tenho muito orgulho no festival é que — além da música — existe uma área chamada Daisy Chain Reaction, onde você pode conhecer as fundadoras dessas 10 organizações, entender o que elas fazem e aprender como você pode ajudar. Eu realmente espero que as pessoas vão lá, explorem e saiam com informações novas. Foi bem divertido montar isso.

Halperin: Excelente. Sarah, uma das coisas que mais me surpreendeu no documentário da Lilith foram as ameaças de bomba e os protestos. Você disse que tinha até esquecido que isso tinha acontecido…

McLachlan: Bem, eu tendo a "passar por cima" disso…

Rodrigo: [Risos]. Essa é uma ótima técnica.

McLachlan: Eu tive um pouquinho de TEPT. Foi tipo: "Nossa, eu tinha esquecido algumas dessas coisas." E eu tendo a focar nas partes positivas. Foi muito desafiador navegar por tudo aquilo. Minha carreira era bem quieta. Eu não fiz nada muito louco, então foi uma subida agradável e lenta, e a Lilith foi meio que a minha iniciação no que é ser jogada para os holofotes e realmente ter que defender algo. Eu era muito verde. E como não havia a intencionalidade direta que você tem com este festival, era meio: "Eu só quero me divertir e tocar alguns shows, e não seria incrível se eu juntasse todas essas mulheres que eu amo e respeito? Por que elas não estão sendo valorizadas? Bem, então vamos fazer isso nós mesmas." Era honestamente tão simples assim, e depois todo o resto foi acontecendo.

Halperin: Olivia, houve preocupações semelhantes com o Daisy Chain?

Rodrigo: Com certeza. Eu sou uma pessoa muito ansiosa, penso nisso o tempo todo. Quando eu me propus a fazer esse festival, eu fiquei meio intimidada com a tarefa. É um empreendimento grande: achar o local, achar o promotor, achar todas essas artistas… é uma grande operação. E eu fiquei realmente chocada com a facilidade com que tudo aconteceu. Eu acho que isso se deve ao fato de que todo mundo estava precisando de algo assim. Sabe? Toda artista para quem eu liguei ficou muito animada e entusiasmada; eu não precisei convencer ninguém. Eu acho que, lá no fundo, as pessoas também querem ajudar. Essa foi uma das minhas principais conclusões ao montar esse festival.

Martoccio: Eu adoraria saber mais sobre como você montou o lineup. Para quem você ligou primeiro? Eu sei que você e a Chappell são amigas há muitos anos.

Rodrigo: Montar esse festival foi muito divertido. Eu amo música feita por mulheres; esse é o meu forte. Eu tinha um quadro branco no meu quarto com todas as artistas para quem eu queria ligar, e, claro, algumas não estavam disponíveis. Mas eu estou muito orgulhosa desse lineup.

"Quando alguém diz 'não' pra mim, eu insisto ainda mais para provar que está errado." Sarah McLachlan

McLachlan: É um lineup insano.

Rodrigo: Eu estou muito animada para ir ao festival como espectadora e ver todas essas artistas incríveis. A Chappell, que é uma amiga e uma feminista e defensora de pessoas LGBTQ+… eu admiro muito ela. A Kathleen Hanna foi talvez a segunda ou terceira ligação que eu fiz. Receber a bênção dela pareceu algo enorme, porque ela é uma pioneira e uma grande inspiração por trás desse festival também. Então… sim, mal posso esperar.

Martoccio: Você ainda tem a Stevie Nicks vindo.

Rodrigo: Eu realmente não consigo processar isso. Eu vou acreditar quando eu vir, mas é muito surreal. Eu encontrei a Stevie algumas vezes e pude conversar com ela, e ela é absolutamente adorável. E fazer ela aceitar cantar uma música foi uma loucura. Parece que eu estou na Disney todos os dias planejando esse festival. É tipo: "Ok, o que pode deixar este dia mais incrível? O que mais a gente pode fazer?" É muito foda.

Martoccio: Tem alguma artista que você gostaria de ter conseguido, mas não deu por agenda ou algo assim?

Rodrigo: Com certeza, com certeza. Mas sempre tem o ano que vem.

Halperin: Leva para a estrada. A Sarah sabe bem como é isso.

McLachlan: [Sussurra] Não faça isso.

Halperin: Ok, então, hipoteticamente, se vocês duas fossem se apresentar juntas no Daisy Chain —

Rodrigo: Bem, não dá para entregar isso. Você vai ter que ir.

Halperin: Mas isso só vai sair depois.

Rodrigo: Ah, ok. É… sinceramente, ensaiar "Angel" deixa todo mundo chorando o tempo todo. Sem brincadeira: as pessoas só me mostram o braço e os pelos ficam em pé, todas as vezes.

McLachlan: [A Olivia estava] tipo: "Ah, bom, então você devia fazer isso sozinha." E eu: "Tá brincando? Não!"

Rodrigo: Eu só não queria impor. Eu pensei: "Essa é a música mais bonita de todas."

McLachlan: Ah, você vai arrasar. Quer dizer, desculpa: você arrasou. [Risos.]

Rodrigo: Eu arrasei! Foi tão bom!

Halperin: Eu também estava pensando que "Ice Cream" é uma boa música Olivia-Sarah.

McLachlan: Ah, isso seria fofo. Sinceramente, eu ficaria feliz em fazer qualquer coisa.

Martoccio: A gente tem falado sobre a importância das mulheres na música, e eu queria mencionar a Dolly Parton, que perdemos ontem. Eu ainda estou processando isso. O que ela significou para vocês — a música dela?

Rodrigo: Nossa. Ela é uma santa, sério. Pensa numa caneta, pensa numa voz, pensa num coração. Eu estou muito triste com a morte dela. Eu realmente admiro como ela nunca falava mal de ninguém. Eu sempre apreciei muito isso nela e queria ser mais assim. Ela até falava de pessoas realmente ruins com tanta generosidade e amor… e eu acho que a gente precisa de muito mais disso no mundo de hoje. Ela era o melhor de nós.

McLachlan: Sim, ela era uma grande mestra e uma OG e… sim, sempre liderou com gentileza.

Martoccio: Olivia, você pode me contar sobre o Daisy Chain Fund? Cem por cento do lucro do festival vai para ele, certo?

Rodrigo: Toda a renda dos ingressos vai para lá, e eu também fiz uma música chamada "Serena Joy", e uma parte do lucro dessa música vai para o Daisy Chain Fund. Eu estou muito animada para expandir isso nos próximos anos. Tem sido um desafio bem interessante aprender sobre todas essas organizações e aprender sobre filantropia no geral, e eu mal posso esperar para continuar aprendendo e doando.

Martoccio: Você acha que vai fazer uma música no estilo "Serena Joy" todo ano para o Daisy Chain? Eu adoraria isso.

Rodrigo: Ooh, eu não tinha pensado nisso.

McLachlan: Sem pressão.

Rodrigo: Desafio, mas… é, eu vou pensar.

McLachlan: Existem oportunidades no festival para os fãs não só se engajarem, mas também para participarem do fundo — no sentido de contribuir financeiramente e retribuir?

Rodrigo: Meu Deus, sinceramente… a gente teve um programa em que as pessoas podiam fazer trabalho voluntário por uma chance de ganhar ingressos do Daisy Chain. E eu acho que era algo tipo: "Se vocês chegarem a 1.000 horas, a gente vai sortear os ingressos", e as pessoas fizeram 3.000 horas de voluntariado nas próprias comunidades por causa do Daisy Chain. Isso me emocionou tanto. Eu vi uma história outro dia de duas meninas adolescentes que começaram a fazer trabalho voluntário na comunidade delas por causa dos ingressos do Daisy Chain — e elas conseguiram, yay! — mas elas fizeram amizade uma com a outra e continuaram fazendo voluntariado juntas. São histórias assim que me dão tanta esperança — e é isso que o Daisy Chain é. Então… sim, mais disso daqui para frente. Eu sinto que a gente precisa de mais disso.

Halperin: Sarah, qual foi o primeiro festival a que você foi? Você lembra?

McLachlan: A Lilith Fair.

Halperin: Sério? Você nunca tinha ido a um festival antes? Não tem festival no Canadá?

McLachlan: Não, a maioria dos festivais passa direto pelo Canadá, na verdade, e eu sempre estava na estrada. Eu comecei a gravar discos com 19 anos, e eu vivia na estrada, então a gente sempre estava em ciclos, se movendo. Eu perdia muita coisa. Então a única oportunidade que eu tinha de ver meus colegas era, geralmente, em premiações. É um trabalho solitário estar na estrada. Quer dizer, você tem a sua banda e a equipe, mas dá para se sentir bem isolada. E eu estava, na maior parte do tempo, com homens. Eles eram todos ótimos, mas eu sentia falta da companhia das minhas amigas, de mulheres e de outras pessoas do meu meio. Então ter oportunidades, como as premiações, para se conectar com outras musicistas era muito poderoso. E essa era mais uma coisa sobre a Lilith: querer passar tempo com outras mulheres, em especial, que também faziam esse trabalho esquisito que eu fazia.

Martoccio: E você, Olivia? Você lembra qual foi o seu primeiro festival?

Rodrigo: Meu primeiro festival foi Glastonbury, que eu toquei [em 2022].

McLachlan: Isso é começar com tudo.

Rodrigo: Sim. Foi louco. E foi superemocional, porque Roe v. Wade foi derrubada no dia anterior, e eu ia cantar com a Lily Allen. A gente sempre tinha planejado cantar a música dela, "Fuck You", e pensamos: "Bom, isso é perfeito."

McLachlan: Sim. Isso é o timing perfeito.

Rodrigo: Tipo: "Eu sei para quem a gente está dedicando essa música hoje à noite." Mas foi uma experiência muito especial, e eu acho que isso influenciou um pouco o Daisy Chain. Eu lembro de cantar aquela música, dedicar à Suprema Corte — que tinha acabado de tirar os nossos direitos — e olhar para o público e ver pessoas tão furiosas, que precisavam muito dessa espécie de catarse… e eu também precisava. Isso influenciou a minha trajetória, aquela apresentação, com certeza.

Halperin: No ano passado eu estava em Londres quando você tocou em Glastonbury, e eu já estava na cama durante o seu show, então a gente chamou de Glastonbeddy. Mas o seu set foi monumental.

Rodrigo: Obrigada.

Halperin: Robert Smith subiu ao palco. E o que eu acho que eu mais amo em você é que você faz uma ponte entre essas diferentes gerações de música e não deixa isso parecer estranho. Quando eu era jovem, as pessoas diziam: "Não ouça música de 30 anos atrás", porque, para a gente, isso teria sido os anos 40 ou 50. Não seria algo com que você se conectaria. Mas eu sinto que hoje é bem diferente. E essas influências antigas não são vistas como datadas — e eu acho que você é parte do motivo disso, ao levar alguém como o Robert Smith ao palco.

Rodrigo: Nossa. É engraçado: as pessoas sempre falam isso como se fosse alguma coisa calculada que eu venho fazendo, mas eu simplesmente amo música de todas as eras e de todas as gerações. E, sim, eu obviamente amo The Cure. Quem não ama The Cure? Melhor banda de todos os tempos.

Eu me sinto honrada que alguém como o Robert, ou alguém como a Sarah, me apoie do jeito que apoia — porque vocês não precisam. E significa muito para mim receber apoio de pessoas por quem eu fui inspirada a vida toda. Então eu não tomo isso como garantido. Eu me sinto muito sortuda e muito abençoada por isso.

Halperin: Outra coisa que me surpreendeu no documentário da Lilith é como todas as mulheres estão incríveis. Liz Phair, Jewel e você… todas envelheceram lindamente, não envelheceram?

McLachlan: É porque a gente tem música. Mantém a gente jovem. Eu não sei. Eu acho que estar feliz e realizada é bonito. O fato de eu poder fazer parte disso como uma espécie de matriarca, e depois olhar para alguém como a Stevie Nicks — que é a matriarca para mim — é lindo. Eu imagino que a gente compartilha essa alegria por você estar carregando essa tocha adiante, e é uma honra ser convidada e ainda ser relevante para participar disso e sentir que ainda temos algo a oferecer.

"Parece que eu estou na Disney todo dia planejando esse festival." Olivia Rodrigo

Rodrigo: Meu Deus. A honra é toda minha, de verdade.

McLachlan: A música flui agora, e não importa se é música de 30 ou 40 anos atrás. Está tudo voltando, e eu acho que as pessoas estão gravitando para autenticidade — para algo cru, visceral e apaixonado, e não premeditado.

Martoccio: Sarah, você recentemente regravou uma música bem antiga, de uma das minhas artistas favoritas. "The Kiss", da Judee Sill. Ela é uma artista esquecida e pouco valorizada.

McLachlan: Ela é uma das artistas mais subestimadas; teve uma vida curta e trágica. Ela não teve as oportunidades e o impulso que deveria ter tido — e que tinha todo o direito de ter. Então foi incrível poder conhecer melhor a música dela, e então ouvir essa canção pela primeira vez há alguns anos, por meio do meu produtor. Eu fiquei impressionada. É tipo: "Por que todo mundo não conhece isso?" E então, claro, eu falo com meus amigos músicos. Eles dizem: "Ué, claro que a gente conhece a Judee Sill. O que tem de errado com você?" Eu, obviamente, vivo numa bolha, mas foi ótimo poder me familiarizar com a música dela e encontrar uma canção à qual eu tive uma resposta visceral [ao ouvir]. Tipo: "Essa é uma das peças de música mais bonitas que já existiu, e eu quero muito cantar isso." Então foi algo fácil e divertido de fazer.

Halperin: A Lilith foi tão bem-sucedida, queimou tão forte, e então simplesmente parou.

McLachlan: Sumiu da face da Terra.

Halperin: O que aconteceu depois? Por que não vimos outra versão da Lilith até, como eu disse, até a Brandi e algumas dessas pessoas e agora o Daisy Chain? O que aconteceu?

McLachlan: Eu gosto de encerrar as coisas em alta, e eu sinto que sempre existe uma vida útil para conseguir reinventar as coisas. E, para ser sincera, como eu me envolvi profundamente com aquilo por três anos, eu tinha uma gravadora me cobrando um disco novo — e eu não tinha tempo, porque tinha todo o planejamento para a Lilith no verão da Lilith, e depois eu saía para fazer minhas próprias turnês. E eu já estava há quatro anos nessa de "Ok, você precisa de um disco novo."

Eu pensei: "Eu preciso voltar para casa e colocar as mãos na terra e ter um pouco de vida normal, antes de conseguir ter alguma objetividade sobre isso — sobre tudo o que eu acabei de viver — e conseguir ter algo sobre o que escrever." Então também foi uma decisão um pouco egoísta. Eu estou me perdendo nisso demais, e eu preciso voltar para casa. E parecia um momento natural de dar uma pausa. Não era que eu nunca mais fosse fazer isso. Eu só estava exausta, porque foi muita coisa — e eu era jovem.

Rodrigo: Eu nem consigo imaginar.

McLachlan: Então é bom que você seja jovem. Porque quando as pessoas dizem: "Você precisa fazer isso de novo", eu penso: "Meu Deus. Eu não sei se eu dou conta."

Martoccio: Na época, você sabia que… você tinha a sensação de que aquilo viraria isso…?

McLachlan: Eu não fazia ideia. Eu sabia, na minha cabeça, que eu tinha uma versão bem diferente do que é sucesso. É tipo: "Eu consigo me olhar no espelho no fim do dia e sentir orgulho do que eu fiz?" Isso é sucesso. "As pessoas vão vir se a gente colocar grandes artistas no cartaz?" Sim.

Mas eu não pensava muito à frente — e eu ainda não penso. Eu vivo muito no momento. Eu não sei o que vai acontecer, eu não planejo o futuro. Eu só penso: "Isso deve funcionar. Isso vai ser divertido. Vamos." E aí você abaixa a cabeça e trabalha para fazer acontecer. E eu acho que eu fiquei chocada e sobrecarregada não exatamente com o sucesso, mas com a reação negativa — que foi mais surpreendente para mim. Porque era algo que eu não tinha vivido antes na minha carreira, e eu ainda era meio verde sobre como as coisas realmente funcionavam. E, de novo: quando você se posiciona por algo em que acredita, vai ter resistência.

Halperin: Olivia, como seria o sucesso para o Daisy Chain, na sua visão?

Rodrigo: Nossa… é tão difícil falar disso sem soar cafona, mas eu realmente espero que meninas possam ir ao Daisy Chain e ter uma experiência positiva, e ver meninas fazendo coisas incríveis, acreditando em si mesmas e retribuindo à comunidade. E eu espero que isso inspire elas a fazer um pouco disso na vida delas.

Eu acho que há tantas pessoas por aí fazendo coisas tão boas, e eu queria muito criar um ambiente em que a gente pudesse celebrar isso e jogar luz sobre isso. Eu sinto que existe tanta negatividade, tanto desânimo e tanta crueldade acontecendo no mundo… e, eu não sei, se isso puder acender uma chama de esperança dentro de uma pessoa, eu acho que isso já seria tudo o que eu poderia sonhar — e, para mim, seria um trabalho bem feito.

McLachlan: Isso não é cafona. Isso é lindo.

Rodrigo: Obrigada.

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