Brian May produz imagem do Queen com IA e questiona necessidade da ferramenta
O guitarrista da banda inglesa se declara publicamente contrário à inteligência artificial desde 2023
Brian May, guitarrista do Queen, voltou a se posicionar contra as ferramentas de IA. O músico realiza declarações públicas sobre os perigos que acompanham a popularização e normalização da inteligência artificial desde 2023, logo após o lançamento de estruturas como ChatGPT e Claude.
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A última fala de May sobre o assunto foi realizada por meio das redes sociais do artista na última segunda-feira, 11. Na ocasião, o músico compartilhou em sua página no Instagramuma imagem gerada por inteligência artificial da capa do álbum do Queen The Game, de 1980. Ele mesmo pediu a uma ferramenta de IA que criasse a fotografia, e expressou aos fãs sua decepção com o resultado.
"Eu precisava compartilhar isso com vocês", começou May. "Pedi para a Meta AI me mostrar como era a capa do álbum THE GAME. E foi isso que ela me deu! Bom trabalho, né?" O artista continuou: "Então esse é o tipo de inteligência que em breve governará o mundo?! Ótimo. Talvez seja a hora de percebermos que, NA VERDADE, NÃO PRECISAMOS DE IA!!! Mas agora estou falando muito sério. Acredito que o preço que estamos prestes a pagar por esse desenvolvimento 'inevitável' é alto demais."
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O guitarrista então alertou que "esses data centers horrendos" não devem ser construídos no Reino Unido (via People). "Eles vão destruir nosso lindo país, assim como já estão destruindo a linda América. Caro Andy [Burnham, primeiro-ministro do Reino Unido] — você precisa impedir isso agora. Antes que seja tarde demais", afirmou o músico.
A declaração foi feita em referência aos data centers (ou centros de dados, em tradução livre), instalações físicas que abrigam supercomputadores e sistemas avançados de rede necessários para treinar, rodar e escalar modelos de inteligência artificial. Os ambientes utilizam chips gráficos (chamados GPUs) que demandam uma infraestrutura robusta de energia e refrigeração. Além do dano social e intelectual impostas pelo uso contínuo de IA, os espaços físicos apresentam um dano imenso ao meio ambiente por conta do gasto de energia e água para refrigeração da tecnologia.
Em uma conversa com a Guitar Player em setembro de 2023, May já expressava seu nervosismo com a popularização da inteligência artificial e como ela poderia influenciar a música. "Minha maior preocupação agora é na área artística", disse ele na época. "Acho que daqui a um ano o cenário será completamente diferente. Não saberemos mais o que é certo e o que foi criado por humanos."
O músico também afirmava temer que "tudo ficasse muito confuso e nebuloso": "Acho que podemos olhar para 2023 como o último ano em que os humanos realmente dominaram a cena musical. Acho mesmo que a situação pode ser tão séria quanto isso, e isso não me deixa feliz. Me deixa apreensivo, e estou me preparando para ficar triste com isso", afirmou May.
O guitarrista não é o único músico atento para os malefícios da inteligência artificial. Em 2024, estrelas como Katy Perry, Billie Eilish, Miranda Lambert, Billy Porter, Camila Cabello, FINNEAS, Imagine Dragons, J Balvin, Jonas Brothers, Jon Bon Jovi, Kate Hudson, Metro Boomin, Noah Kahan, Norah Jones, Pearl Jam, Stevie Wonder, Zayn Malik e muitos outros assinaram uma carta aberta contra a tecnologia de geração de música por inteligência artificial, e a potencial ameaça que ela representa para a indústria musical.
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