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Com Urias, Medulla transforma dez anos de viradas no álbum "No Dia Que Tudo Mudou"

Produzido com Los Brasileros, disco de oito faixas converte beatbox, respiração e sons do corpo em uma obra sobre coragem; após estreia no Rio, turnê segue por Belo Horizonte e São Paulo

13 ago 2026 - 17h10
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Com Urias, Medulla transforma dez anos de viradas no álbum “No Dia Que Tudo Mudou”
Com Urias, Medulla transforma dez anos de viradas no álbum “No Dia Que Tudo Mudou”
Foto: The Music Journal

O Medulla transforma uma década de experiências, rupturas e recomeços em música no álbum No Dia Que Tudo Mudou. Com oito faixas e participações de Urias, Lirinha, Flor e Yego, o trabalho inaugura um novo capítulo na trajetória de quase duas décadas dos irmãos Keops e Raony.

Produzido pelo próprio Medulla em parceria com Los Brasileros, o disco foi desenvolvido durante dois anos entre os estúdios da Head Media e a rotina dos gêmeos como diretores criativos. O repertório reúne jazz, R&B, experimentação e diferentes referências da música brasileira.

Entre as influências que atravessam o projeto estão artistas como Lenine, Otto, Chico Science & Nação Zumbi, Marisa Monte e Carlinhos Brown. Em vez de reproduzir diretamente essas sonoridades, a dupla utiliza as referências como ponto de partida para construir uma linguagem própria.

"Nossa vida é marcada por pontos de virada e por essa busca constante pelo novo momento. As músicas nasceram nos últimos dez anos das nossas vivências e verdades. Esperamos tocar as pessoas que também têm esse coração inquieto", afirmam os irmãos.

Medulla transforma o próprio corpo em instrumento

Foto: @palu___bertissolli / The Music Journal

Uma das características mais particulares de No Dia Que Tudo Mudou está na construção dos arranjos. Beatbox, respirações, efeitos vocais e outros sons produzidos pelo corpo foram gravados e posteriormente transformados em bases, texturas e elementos rítmicos.

A escolha cria uma relação direta entre a sonoridade e o conceito do álbum. Se as letras discutem transformação, movimento e a coragem necessária para abandonar caminhos conhecidos, o próprio processo de produção utiliza o corpo como matéria-prima para representar essas mudanças.

Os elementos orgânicos aparecem ao lado de beats e referências contemporâneas de jazz e R&B, mantendo a música brasileira como um dos principais eixos do projeto.

A mixagem ficou sob responsabilidade de Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri, profissionais vencedores do Grammy e com trabalhos relacionados a nomes como Karol G e Beyoncé. O trabalho da dupla reforça o contraste entre produção eletrônica, arranjos orgânicos e os sons corporais utilizados nas gravações.

"Esse álbum é a coragem de ir com medo mesmo, pagar para ver o que pode acontecer se a gente resolver mudar o rumo da vida", resume o Medulla.

Dez anos de experiências aparecem em oito músicas

Apesar de a produção ter ocupado aproximadamente dois anos, a história do álbum começou muito antes. As oito composições surgiram em diferentes períodos da última década e acompanharam mudanças pessoais, profissionais e geográficas vividas por Keops e Raony.

Nascidos em Pernambuco e criados entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, os irmãos desenvolveram uma trajetória marcada pelo deslocamento. Essa experiência aparece no álbum como parte de uma reflexão sobre identidade, escolhas e a necessidade de seguir adiante mesmo quando o próximo destino ainda não está claro.

O título No Dia Que Tudo Mudou, portanto, não se refere necessariamente a um único acontecimento. O conceito engloba diferentes pontos de ruptura: aqueles momentos nos quais permanecer no mesmo lugar deixa de ser uma possibilidade e alguma decisão precisa ser tomada.

Urias e Lirinha estão entre os convidados

As participações de Urias, Lirinha, Flor e Yego ampliam as possibilidades do repertório e conectam artistas de diferentes cenas e gerações da música brasileira.

A presença de Urias aproxima o trabalho de uma das vozes da atual produção pop brasileira, enquanto Lirinha acrescenta ao projeto sua experiência construída na música pernambucana e na experimentação poética. Flor e Yego completam os encontros presentes no álbum.

As colaborações não funcionam apenas como participações isoladas. Elas integram a narrativa de transformação desenvolvida pelo Medulla e ajudam a apresentar diferentes perspectivas dentro de um trabalho essencialmente ligado às experiências pessoais dos irmãos.

Keops e Raony viram uma única pessoa nos vídeos

O conceito de transformação também foi levado para o audiovisual. Os vídeos que acompanham o projeto foram desenvolvidos pelo Medulla em parceria com Léo Silva e gravados durante dois dias.

Na narrativa visual, Keops e Raony representam uma mesma pessoa dividida em dois corpos. A condição dos irmãos gêmeos é utilizada para simbolizar o conflito entre permanecer em uma situação conhecida ou enfrentar a incerteza necessária para buscar outra versão de si mesmo.

A proposta estabelece uma conexão direta entre imagem e música. Enquanto as gravações transformam respiração, voz e movimentos corporais em elementos musicais, os vídeos utilizam os próprios corpos dos artistas para representar os lados contraditórios de uma mesma consciência.

Álbum chegou ao público antes das plataformas

Antes do lançamento oficial, o Medulla decidiu apresentar No Dia Que Tudo Mudou por meio de uma sequência de audições presenciais em São Paulo e Curitiba. A estratégia buscou recuperar a experiência coletiva de ouvir um álbum completo.

Uma das primeiras ações aconteceu em parceria com a Bad Running. Depois de uma corrida pelo Minhocão, participantes se reuniram no escritório da marca para ouvir o repertório. A experiência conectou movimento e respiração ao conceito central do disco.

Na Soap Club, uma lavanderia foi transformada em sala de audição. Na Casa Cósmica, Keops e Raony recorreram à experiência em direção de arte para instalar um jardim no centro do espaço e construir uma experiência sensorial inspirada no novo trabalho.

Em Curitiba, a ação chegou à Macro Bar e Pista, com a apresentação do primeiro visual do projeto e uma conversa sobre direção criativa envolvendo Léo Silva e profissionais da cena audiovisual local.

Turnê leva novo álbum a Belo Horizonte e São Paulo

O novo repertório também começa a ganhar os palcos. Depois da estreia no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro, a turnê chega a Belo Horizonte nesta sexta-feira, 14 de agosto, com apresentação no Sesc Cultura MG.

No dia 30 de agosto, será a vez de São Paulo receber o espetáculo na Casa Natura Musical. A apresentação terá cenografia desenvolvida especialmente para esta fase e participações especiais, transportando para o palco a identidade sonora e visual criada para o disco.

Medulla abre novo capítulo após quase 20 anos

Com quase duas décadas de trajetória, o Medulla construiu uma carreira que já acumula milhões de reproduções e visualizações, apresentações em festivais como Lollapalooza e Primavera Sound e turnês pela Europa.

Em vez de utilizar esse histórico como ponto de chegada, Keops e Raony fazem justamente o movimento contrário em No Dia Que Tudo Mudou. As experiências acumuladas durante dez anos tornam-se matéria para questionar certezas e abrir espaço para uma nova ruptura artística.

Entre participações, experimentações sonoras e uma narrativa audiovisual construída ao redor dos próprios corpos dos irmãos, o novo álbum apresenta a transformação não como um acontecimento isolado, mas como um processo. Para o Medulla, mudar o rumo pode significar avançar sem saber exatamente o que existe depois — e fazer dessa incerteza o ponto de partida para uma nova história.

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