A conferência que quer transformar São Paulo na capital mundial da música em cinco dias
De 30 de novembro a 3 de dezembro, a SIM São Paulo chega à 12ª edição em novo endereço, no Conjunto Nacional, sob nova gestão e com delegações de mais de 20 países
Sob a nova gestão de Luiz Calainho e Coy Freitas, a Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM) realiza sua 12ª edição buscando consolidar a cidade como polo global do setor. O evento integrará toda a cadeia produtiva da música em dezenas de painéis, rodadas de negócios e shows, conectando a cena brasileira ao mercado internacional. A aposta apoia-se na força do ecossistema musical do país, que movimenta cerca de R$ 116 bilhões ao ano e vive um momento de forte projeção externa.
Em setembro de 2025, duas pessoas experientes da indústria brasileira do entretenimento bateram o martelo: Luiz Calainho, fundador do grupo L21, e Coy Freitas, da Otorongo Produções, compraram da fundadora Fabiana Batistela a SIM São Paulo — Semana Internacional de Música de São Paulo. A operação foi dividida igualmente entre as duas empresas, e seus efeitos começam a aparecer em novembro: a 12ª edição da maior conferência de música da América Latina acontece de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2026, com sede principal no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. À noite, a programação se espalha por casas de shows da cidade. Ao todo, o evento espera receber cinco mil pessoas credenciadas e delegações de mais de 20 países.
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Para Calainho — ex-executivo da Sony Music, onde começou a trabalhar no início dos anos 1990 —, a aquisição concretiza uma ideia que carrega há décadas. Frequentador assíduo da SXSW, a famosa conferência de Austin, que nasceu voltada à música e se expandiu para tecnologia, cinema e cultura, ele sempre viu no Brasil o cenário ideal para uma iniciativa semelhante. O país que criou o samba, a bossa nova, o baião, o funk e o forró nunca contou com uma plataforma à altura para apresentar essa potência ao mercado mundial de forma organizada. A SIM representa a aposta dos dois sócios de que esse momento finalmente chegou.
A 12ª edição distribuirá a programação por diferentes espaços do Conjunto Nacional: o Cine Marquise receberá painéis; o Blue Note 2, apresentações de novos artistas; o Blue Note 1, encontros para troca de contatos; e o Jardim Nacional — espaço recém-inaugurado no complexo — abrigará a Feira SIM, com empresas, organizações, livros sobre música e discos de vinil. O Teatro YouTube e o Instituto Cervantes também farão parte do circuito. A programação diurna ocorrerá das 10h às 20h, de segunda a quarta. A partir das 20h, as Noites SIM levarão shows e apresentações a casas espalhadas por São Paulo. Os ingressos para as modalidades Conferência e Negócios já estão à venda.
A mudança de escala que a nova gestão quer imprimir à SIM vai além da troca de endereço. O objetivo é transformar a conferência — historicamente ligada à cena independente — em ponto de encontro de toda a cadeia produtiva da música: gravadoras, editoras, plataformas de música digital, agências de agenciamento, escritórios de artistas, marcas, poder público e compradores internacionais. "Nossa entrada na liderança da SIM São Paulo é para furar essa bolha, manter o trabalho com a base, mas nos conectar ao mercado amplo e olhar para a música como mercado", afirma Coy Freitas em entrevista à Exame. O evento terá mais de 100 painéis e mais de 300 conferencistas, além de rodadas estruturadas de negócios e um espaço dedicado exclusivamente a encontros entre empresas.
Os números do setor sustentam a aposta. O ecossistema da música movimenta cerca de R$ 116 bilhões por ano no Brasil e envolve aproximadamente 4 milhões e 300 mil pessoas — em empregos formais, informais e temporários —, além de 300 mil empresas formais ligadas ao setor. Em 2026, o cenário é favorável: artistas brasileiros estão entre os mais ouvidos do mundo, a receita da música latina nos Estados Unidos ultrapassou US 542 milhões apenas no primeiro semestre, e a Copa do Mundo da FIFA colocou a música nacional no centro das atenções globais. É nesse contexto que Calainho e Freitas querem fazer de São Paulo, por cinco dias, um centro capaz de converter toda essa potência cultural em negócios, conexões e presença internacional.
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