Murilo Benício analisa o vilão Santiago Ferette em Três Graças: 'Simbolicamente especial'
Ator Murilo Benício fala sobre o processo de criação do personagem, os bastidores da novela e a liberdade de interpretar um antagonista
Na pele de Santiago Ferette, Murilo Benício se diverte em Três Graças. Na novela, o ator interpreta um empresário que se apresenta como benfeitor, mas que, na verdade, é o grande vilão da história. Em entrevista, ele comenta o clima nos bastidores, detalha seu processo de construção do personagem, afirma que Ferette é indefensável e revela já ter cruzado com figuras semelhantes ao longo da vida.
Como tem sido fazer Três Graças?
"É uma turma muito boa que está fazendo. Estou trabalhando com a Andréia Horta, que eu não conhecia, estou gostando muito, a Grazi Massafera, que eu também não conhecia. O Luiz Henrique Rios, nosso diretor, estou reencontrando depois da minha primeira novela, que foi do Aguinaldo Silva, foi Fera Ferida. Então tem um monte de coisa simbolicamente especial para mim. Depois de 30 anos, voltar a fazer novela do Aguinaldo, eu nunca mais tinha feito, então está sendo um momento especial pra mim."
Como descreve seu personagem?
"O Ferette tem um esquema, ele falsifica alguns medicamentos, tem a própria farmácia, mas só que ele engana o povo com placebo. Ele tem uma ajuda do governo, que apoia essa fundação dele. Como tudo devia ser, mas como geralmente as coisas não são exatamente como a gente acredita ou a gente torce para que seja, a gente vê isso em todos os níveis, corrupção, desvio de dinheiro, não é só esse caso. Esse caso representa uma boa parcela de um Brasil que a gente não gosta de ver."
Inspirou-se em alguém para construir o Ferette?
"Para falar a verdade, não. Eu acho que essas pessoas, a pior coisa que elas têm às vezes é o dom de ser invisível. A pessoa está do teu lado. Então pensei mais no ser humano que ele é, como que é na casa dele, como que é na casa da amante, porque as pessoas também têm duas famílias, se ele é feliz na casa dele, fiquei pensando nisso. A coisa da vilania está escrita, já são as ações, é o que ele faz, é o esquema que ele tem. O que eu estava precisando era agregar esse outro lado que é quem é esse cara que faz tudo isso. E a gente foi devagarinho, a gente teve uma preparação boa, teve a oportunidade de ler o texto, ouvir as pessoas lendo, que é importante para você entender mais ou menos o registro da onde estão as pessoas. Tem a coisa do sotaque também, porque a novela é ambientada em São Paulo, então a gente está tirando o nosso S, que é muito puxado. E aí quando você começa a falar diferente, parece que já vem uma cor diferente. Mas foi um processo bem sutil. É difícil defender ele, porque é quase que indefensável. Então, o que me resta é entender quais são os pontos fracos desse cara. É o casamento, é a mulher que ele ama, os filhos que ele ama, essa fachada toda que ele vende para a sociedade, de quem ele é, do nome que ele tem e do bem que ele faz. Me peguei mais nesses lugares, mais na família dele para entender quem ele pode ser."
É mais divertido fazer um vilão?
"Eu acho que é. Eu não vejo muito como vilão ou mocinho, vejo como personagens e como que eu vou fazer. Eu não fico nesse lugar de julgamento. Eu tento imaginar quem é esse personagem, como eu faria. Se ele é mocinho ou vilão, para mim, é uma coisa que não muda o meu processo de trabalho. Mas acho que o vilão tem uma certa liberdade que pode ser maior do que os outros personagens, que tem sempre o compromisso do correto, de levar aquela história adiante. Eu acho que o vilão, nesse lugar, ele fica mais solto. Aí é mais gostoso, sim, nesse lugar dá para brincar mais."
Além da trama da farmácia, ele ainda tem o relacionamento fora do casamento com a Arminda (Grazi Massafera), que é a melhor amiga da mulher dele.
"Ele tem um casamento de anos com a Zenilda (Andréia Horta), então não tem essa coisa mais doida, mais quente, que ele tem com a Arminda. Uma coisa que conversei com a Andréia é que eu acho mais interessante ele ser feliz em casa. Porque é mais doido ainda um cara que é feliz em casa e tem uma amante. E isso existe também, porque eu convivi. Imagina, vocês sabem, tem gente que tem outra família. É feliz em uma casa e é feliz na outra. Então é esse tipo de coisa que é interessante."
Três Graças veio para substituir Vale Tudo, que caiu no gosto do público com seus vilões. Sentiu uma responsabilidade em ocupar esse horário?
"Não paro para pensar nem um minuto nisso. São duas coisas à parte, toda novela tem vilão. Não estou pegando bastão de ninguém. Basta a gente já ter expectativa sobre o que a gente está fazendo, ainda mais de toda uma novela, repercussão... isso foge do nosso controle. A minha expectativa é fazer o melhor trabalho que eu posso fazer e tentar sair feliz do estúdio."
Existem muitos Ferettes invisíveis por aí. Já chegou a conhecer um?
"Ah, a gente conhece. Muita gente que você fala assim: 'Mas ela era isso mesmo? Aquela pessoa que veio aqui, ela passou a perna mesmo, ela enganou a gente?' Todo mundo tem uma história dessa."
E como lidou com uma pessoa desse tipo?
"Se é uma coisa mais inofensiva, a pessoa simplesmente some da vida. Agora, se é uma coisa mais grave, você toma medidas. Eu já tive de tudo na minha vida, já tive gente que processei, já tive gente que eu simplesmente esqueci. Mas é o curso natural das coisas, não tem como você não topar com esse tipo de figura durante a vida. Eu estou com 54 anos. Imagina se eu nunca tivesse passado por nada parecido."
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