Motolância: o socorro sobre duas rodas que está salvando vidas por todo o Brasil
A presença da motolância no atendimento pré-hospitalar se torna cada vez mais comum em diferentes regiões do país. Esse tipo de veículo chama atenção pela agilidade no trânsito e pela capacidade de chegar antes de ambulâncias tradicionais. Além disso, alcança locais de difícil acesso ou em horários de grande congestionamento. Em cenário urbano e também […]
A presença da motolância no atendimento pré-hospitalar se torna cada vez mais comum em diferentes regiões do país. Esse tipo de veículo chama atenção pela agilidade no trânsito e pela capacidade de chegar antes de ambulâncias tradicionais. Além disso, alcança locais de difícil acesso ou em horários de grande congestionamento. Em cenário urbano e também em áreas mais afastadas, os serviços de urgência usam a motolância como estratégia para reduzir o tempo de resposta em situações de urgência.
Ao longo dos últimos anos, secretarias de Saúde e serviços de emergência passaram a testar e incorporar esse modelo em suas rotinas. Essa iniciativa acompanha uma tendência internacional de uso de motos equipadas com material de suporte básico ou avançado de vida. No Brasil, gestores e profissionais discutem a expansão da motolância e analisam infraestrutura, treinamento de equipes e adequação à realidade de cada estado. Além disso, pesquisadores já avaliam resultados sobre tempo de resposta e impacto na mortalidade.
O que é motolância e como funciona o atendimento
A palavra motolância une os termos "motocicleta" e "ambulância" e descreve um veículo de duas rodas adaptado para atuar em emergências médicas. Em geral, um profissional de saúde treinado pilota a motolância, como técnico de enfermagem, enfermeiro ou socorrista. Frequentemente, esse profissional possui formação específica em atendimento pré-hospitalar. O objetivo principal consiste em chegar rapidamente ao local da ocorrência, iniciar os primeiros cuidados e preparar o cenário para a chegada de uma ambulância convencional, quando necessária.
Essas motos carregam kits de primeiros socorros, cilindro de oxigênio de menor porte, desfibrilador externo automático e materiais para imobilização. Além disso, o socorrista leva itens de suporte à vida, como máscaras de oxigênio e equipamentos de vias aéreas. Em algumas cidades, a motolância funciona como a primeira resposta e entra em ação assim que a central de regulação identifica um chamado potencialmente grave. Em outras, o serviço utiliza o veículo como apoio em regiões com trânsito intenso ou em eventos de grande aglomeração, garantindo presença rápida da equipe.
- Redução do tempo até o primeiro atendimento;
- Maior mobilidade em vias congestionadas;
- Atuação integrada com ambulâncias e bombeiros;
- Uso em ações preventivas, como grandes eventos públicos.
Motolância ajuda a salvar vidas no trânsito?
O uso da motolância no Brasil se relaciona diretamente ao aumento de acidentes de trânsito e ao crescimento das cidades. Em muitos casos, os minutos iniciais após um trauma, parada cardiorrespiratória ou crise súbita de saúde determinam o desfecho do paciente. Por isso, a possibilidade de uma moto romper congestionamentos e percorrer trajetos estreitos representa um recurso estratégico para os serviços de emergência. Além disso, a presença antecipada do socorrista reduz riscos de agravamento clínico e orienta melhor a chegada da ambulância.
Estudos e levantamentos locais apontam redução no tempo de resposta em chamadas de alta gravidade em capitais que adotaram o modelo. As equipes de regulação costumam despachar a motolância prioritariamente para ocorrências como colisões, atropelamentos, mal súbito em via pública e crises convulsivas. Além disso, o serviço envia o veículo em casos suspeitos de infarto ou AVC. Nesses cenários, o profissional estabiliza vias aéreas, controla sangramentos e inicia manobras de ressuscitação. Em seguida, repassa informações em tempo real à central, que orienta o melhor recurso para continuidade do atendimento.
- Central de regulação recebe o chamado pelo número de emergência;
- A equipe classifica a ocorrência por gravidade;
- A motolância segue para o local quando há indicação de urgência e dificuldade de acesso rápido;
- O socorrista realiza os primeiros procedimentos;
- Ambulância de suporte básico ou avançado chega para remoção, quando indicada.
Quais estados brasileiros já adotam a motolância
Gestores de saúde de diferentes estados brasileiros incorporam a motolância em parceria com o SAMU 192, corpos de bombeiros e serviços municipais de urgência. Em 2025, esse tipo de recurso aparece, em maior ou menor escala, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás e Distrito Federal, entre outros. No entanto, cada local define a forma de uso de acordo com a política de saúde e segurança pública. Além disso, alguns municípios avaliam dados de demanda e ajustam a frota de motos conforme o volume de ocorrências.
Em grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, as motolâncias atuam principalmente em áreas centrais e corredores com tráfego intenso, integradas às centrais do SAMU. Cidades de médio porte em Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul utilizam as motos tanto em zonas urbanas quanto em rodovias próximas, onde registram muitos acidentes. Já em estados do Nordeste, como Bahia, Pernambuco e Ceará, o serviço aparece em capitais e em alguns municípios turísticos, reforçando a resposta em períodos de alta temporada. Além disso, algumas prefeituras testam projetos-piloto em bairros periféricos com acesso difícil para ambulâncias maiores.
- Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo com projetos em capitais e grandes cidades;
- Sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul usando motolâncias em áreas urbanas e rodovias;
- Nordeste: Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e outros estados com serviços concentrados em capitais;
- Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul adotando o modelo em parceria com o SAMU;
- Norte: iniciativas pontuais em capitais como Manaus e Belém, com expansão gradual.
Desafios e perspectivas para a motolância no país
Apesar dos resultados observados em várias regiões, a expansão da motolância enfrenta desafios importantes. Entre eles, gestores destacam a necessidade de treinamento contínuo dos profissionais e a padronização dos equipamentos nas motos. Além disso, os serviços precisam definir protocolos claros de atuação para diferentes tipos de ocorrências. As equipes também demonstram preocupação com a segurança dos socorristas, que circulam em alta velocidade e em situações de tráfego intenso. Por isso, os responsáveis exigem uso rigoroso de equipamentos de proteção e manutenção constante dos veículos.
A tendência para os próximos anos indica que mais estados brasileiros avaliem a inclusão de motolâncias em seus sistemas de urgência, especialmente em áreas metropolitanas. A decisão geralmente considera indicadores como tempo médio de resposta, número de ocorrências graves e custo de operação. Além disso, gestores discutem a ampliação do uso de tecnologias, como geolocalização em tempo real e comunicação digital com hospitais. Essas ferramentas tornam o atendimento mais coordenado e eficiente e permitem o compartilhamento de dados clínicos com antecedência. Assim, as equipes hospitalares se preparam melhor para receber o paciente e aumentar as chances de sobrevivência.