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Morre o autor Manoel Carlos aos 92 anos

Escritor vivia recluso e lidava com a doença de Parkinson há alguns anos

10 jan 2026 - 19h58
(atualizado às 20h42)
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Morre o autor Manoel Carlos, aos 92 anos, no Rio de Janeiro:

Manoel Carlos morreu aos 92 anos neste sábado, 10. O autor de novelas estava sob cuidados médicos desde julho de 2025. A causa não foi divulgada e o velório será fechado para amigos.

Grande ícone da teledramaturgia brasileira, Maneco, como era conhecido, passou os últimos anos de vida recluso. Ele estava com a saúde debilitada e lidava com a doença de Parkinson, condição que afeta principalmente o sistema motor.

O autor vivia com a família em uma cobertura no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro que serviu de cenário para muitas das novelas que escreveu. Ele deixa a esposa, Elisabty, e duas filhas, a produtora Júlia Almeida, responsável por cuidar do legado do pai, e a roteirista Maria Carolina, com quem colaborou em diversas obras.

O começo na televisão

Manoel Carlos
Manoel Carlos
Foto: Reprodução/Instagram/@produtoraboapalavra

Manoel Carlos se considera carioca de coração e é famoso por retratar a burguesia do Rio de Janeiro em suas obras, mas nasceu em São Paulo no ano de 1933, filho de um comerciante e uma professora. Aos 14 anos começou a trabalhar como auxiliar de escritório, mas na adolescência já começou a trilhar o caminho que o levaria a se tornar um dos maiores autores do Brasil. Ele frequentava a atual Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, para debater teatro e literatura com outros jovens e, aos 17 anos, deu o pontapé inicial na carreira artística como ator na TV Tupi.

Maneco atuou no Grande Teatro Tupi, um programa que adaptava famosas peças de teatro para a televisão. Ele foi premiado como ator revelação e, com o tempo, passou a trabalhar como escritor, diretor e a escrever os próprios programas.

Em 1952, um ano após começar a trabalhar com televisão, Manoel Carlos escreveu sua primeira novela, Helena, uma adaptação do livro de mesmo nome de Machado de Assis, exibida pela TV Paulista. Ao todo, foram 18 novelas escritas por Maneco durante a vida.

Ao longo das primeiras décadas de carreira, o autor passou por diferentes emissoras de televisão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Durante esses anos, trabalhou em programas humorísticos, como o Chico Anysio Show, da TV Rio, dirigiu o Fantástico na Globo, escreveu séries, minisséries e trabalhou com nomes como Hebe Camargo, Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega e Ziraldo.

Helenas e o Rio de Janeiro

Após uma passagem de três anos na Globo, Manoel Carlos voltou à emissora carioca em 1978 e escreveu sua primeira novela para o canal de televisão, Maria, Maria. Em 1981, estreia no horário nobre com Baila Comigo, novela que também marca a primeira Helena criada pelo autor, interpretada por Lilian Lemmertz.

As Helenas são uma das principais marcas das novelas de Maneco. As protagonistas levam esse nome por conta da admiração que o autor tinha por Helena de troia, figura da mitologia grega que se destaca pela força e independência. Ao todo, são nove Helenas interpretadas pelas seguintes atrizes: Lilian Lemmertz (Baila Comigo), Felicidade (Maitê Proença), Regina Duarte (História de Amor, Por Amor, Páginas da Vida), Vera Fischer (Laços de Família), Christiane Torloni (Mulheres Apaixonadas), Taís Araújo (Viver a Vida) e Julia Lemmertz (Em Família). 

Carioca de coração, Maneco escreveu sobre seu amado Rio de Janeiro. O autor usava a vida burguesa na Cidade Maravilhosa como cenário para debater diferentes dilemas e temas sociais, como alcoolismo, etarismo, homofobia, câncer, violência doméstica, racismo e outros assuntos pertinentes.

“Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento. E o público acaba absorvendo as tramas de uma maneira mais leve”, definiu Manoel Carlos em entrevista ao Memória Globo.

Entre as principais obras do autor estão Por Amor, Mulheres Apaixonadas, Laços de Família, A Presença de Anita e outros. Por seus trabalhos, o novelista ganhou seis vezes o Troféu Imprensa, entre outros prêmios.

A última obra de Maneco para a televisão foi Em Família. A novela com Julia Lemmertz no papel de Helena teve baixos índices de audiência e não conquistou o público, mesmo seguindo os moldes de sucessos dos anos 1990 e 2000. Após a novela, Maneco deixou o trabalho na televisão.

Vida pessoal

Manoel Carlos foi casado duas vezes. Em 1972, ele perdeu a primeira mulher, Maria de Lourdes, com quem teve dois filhos. ELa caiu de uma escada aos 36 anos e não sobreviveu.

O autor também perdeu três dos cinco filhos que teve – dois do casamento com Maria de Lourdes e um do casamento com a segunda esposa, Elisabety. O ator e dramaturgo Ricardo Almeida morreu em 1988 por complicações da Aids, o diretor Manoel Carlos Júnior morreu em 2012 após sofrer um ataque cardíacos e, em 2014, o estudante de teatro Pedro Almeida morreu vítima de um mal súbito aos 22 anos. Ele também é pai de Júlia Almeida e Maria Carolina.

Fonte: Portal Terra
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