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Morre Eva Schloss, sobrevivente de Auschwitz e meia-irmã de Anne Frank, aos 96 anos

Educadora incansável do Holocausto dedicou décadas a preservar a memória e combater o antissemitismo

7 jan 2026 - 11h57
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Eva Schloss, uma das últimas testemunhas vivas do Holocausto e meia-irmã de Anne Frank, morreu no último sábado, 3, em Londres, aos 96 anos. O anúncio foi feito pelo Anne Frank Trust UK, organização da qual Schloss era cofundadora e presidente honorária. A ativista era uma das vozes mais respeitadas no mundo sobre educação do Holocausto, compartilhando sua história com estudantes, comunidades e líderes globais por mais de quatro décadas.

Foto: Jahi Chikwendiu/The Washington Post via Getty Images / Rolling Stone Brasil

Nascida Eva Geiringer em maio de 1929, em Viena (Áustria), ela era criança quando sua família, de origem judaica, fugiu da perseguição nazista, inicialmente para a Bélgica e depois para Amsterdã, onde viveu em frente à casa em que a família de Anne Frank se esconderia pouco depois. Ambas tinham quase a mesma idade, brincavam juntas e enfrentaram o mesmo destino trágico: capturadas e deportadas para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau em maio de 1944, após uma denúncia de um colaborador nazista.

No campo, Eva e sua mãe Elfriede sobreviveram à brutalidade dos nazistas, enquanto seu pai Erich e o irmão Heinz foram mortos durante as marchas forçadas no final da guerra. Anne Frank, por sua vez, morreu em 1945 no campo de Bergen-Belsen, pouco antes da libertação dos prisioneiros. Após a guerra, Eva retornou a Amsterdã e, anos depois, sua mãe se casou com Otto Frank, pai de Anne, tornando-a formalmente parte da família Frank.

Schloss passou a viver em Londres, onde estudou e formou sua própria família com Zvi Schloss. Eva tornou-se uma ativista incansável. Em 1990, ela cofundou a Anne Frank Trust UK, voltada a educar jovens sobre os horrores do Holocausto, o perigo do ódio, preconceito e intolerância, inspirando gerações com sua narrativa sincera e corajosa. Sua atuação incluiu palestras em escolas, universidades e até prisões, além da publicação de livros como Eva's Story, After Auschwitz e The Promise, nos quais compartilhava memórias e reflexões sobre identidade, perda e resistência.

Eva também recebeu reconhecimento internacional por sua contribuição à memória histórica e direitos humanos, incluindo a nomeação como MBE (Member of the Order of the British Empire) e a recuperação da cidadania austríaca em 2021 como gesto de reconciliação com seu país de nascimento.

Líderes e instituições lamentaram sua morte. O rei Charles III e a rainha Camilla, que eram próximos da educadora e padrinhos da fundação que ela ajudou a criar, expressaram profunda tristeza e homenagearam seu legado de coragem, amor e resiliência. Schloss deixa três filhas, netos, bisnetos e um impacto duradouro por seu compromisso em manter viva a memória de milhões de vítimas do Holocausto e em combater o antissemitismo em todas as suas formas.

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