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João Gomes e futebol: o que a Casas Bahia fez para se salvar antes de anunciar crise

A Casas Bahia entrou em uma nova fase de crise financeira em agosto de 2026. Porém, os meses anteriores mostram que a varejista tentou reforçar vendas, presença de marca e conexão popular antes de recorrer à recuperação judicial. Entre os movimentos mais visíveis estiveram a contratação de João Gomes como embaixador, o retorno do Baianinho […]

22 ago 2026 - 20h34
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Resumo
Antes de pedir recuperação judicial e fechar 298 lojas em agosto de 2026, a Casas Bahia tentou conter a crise com fortes ações comerciais. A rede investiu no retorno do Baianinho, no foco no carnê, no patrocínio ao futebol e na contratação de João Gomes como embaixador para atrair o público popular. Contudo, juros altos e crédito restrito geraram um prejuízo trimestral de R$ 10 bilhões, tornando a ofensiva de marketing insuficiente para evitar a reestruturação e o redimensionamento das operações.

A Casas Bahia entrou em uma nova fase de crise financeira em agosto de 2026.

Casas Bahia apostou em fortes nomes antes de crise. (Imagem: Divulgação / Casas Bahia)
Casas Bahia apostou em fortes nomes antes de crise. (Imagem: Divulgação / Casas Bahia)
Foto: RD1 / RD1

Porém, os meses anteriores mostram que a varejista tentou reforçar vendas, presença de marca e conexão popular antes de recorrer à recuperação judicial.

Entre os movimentos mais visíveis estiveram a contratação de João Gomes como embaixador, o retorno do Baianinho e uma ofensiva ligada ao futebol.

O esforço comercial aconteceu enquanto a companhia buscava recuperar margem e reduzir a pressão sobre o caixa.

No pedido de recuperação judicial, a empresa apontou juros altos, restrição de crédito, custos financeiros e consumo pressionado como parte do cenário que deteriorou suas condições econômico-financeiras.

Por que João Gomes virou peça importante da Casas Bahia?

A varejista anunciou João Gomes como um dos rostos de sua nova comunicação em maio.

A escolha aproximou a marca de um público amplo e reforçou elementos de regionalidade e cultura popular.

Ao mesmo tempo, a empresa voltou a dar protagonismo ao tradicional Baianinho.

Além disso, a companhia colocou o carnê novamente no centro das campanhas.

A estratégia buscou conversar com consumidores mais jovens e ampliar a força do produto também no ambiente digital.

Depois, João Gomes continuou aparecendo em ações da rede.

Em agosto, por exemplo, ele estrelou a campanha de Dia dos Pais, ampliando a presença da empresa em uma data importante para o varejo.

Como o futebol entrou nessa tentativa de reação?

A Casas Bahia também acelerou o investimento em propriedades esportivas.

A empresa passou a associar seu nome a competições relevantes e comprou os naming rights do Campeonato Paulista e da Copa do Nordeste em 2026.

Na Copa do Mundo, a rede transformou o desempenho da seleção brasileira em argumento promocional.

Entre as iniciativas divulgadas estavam:

  • promoções vinculadas à compra de televisores;
  • pagamentos de até R$ 1 mil via Pix em modelos selecionados, conforme resultados da seleção;
  • campanha que prometia quitar o saldo restante do carnê de clientes em caso de título do Brasil;
  • uso de nomes como Denílson, Beatriz Reis e João Gomes na comunicação.

O movimento fazia sentido para uma varejista que trata grandes eventos de futebol como períodos de forte demanda por eletrônicos, especialmente TVs.

O que aconteceu quando a crise veio a público?

A ofensiva de marketing não foi suficiente para eliminar os problemas financeiros.

Em agosto, a Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial e informou um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões no trimestre, fortemente afetado por ajustes extraordinários.

A empresa também decidiu fechar 298 lojas e redimensionar a operação, priorizando canais e categorias considerados mais rentáveis.

Ao mesmo tempo, afirmou que manteria as atividades nos diferentes canais de venda.

Assim, João Gomes, o futebol e o resgate de símbolos populares mostram uma tentativa de fortalecer marca e receita antes da reestruturação.

A crise, porém, exigiu medidas bem mais profundas do que uma mudança de comunicação.

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