Paulo Ricardo revive RPM com show nostálgico até demais e cheio de caras e bocas no C6 no Rock
Cantor de 63 anos executou na íntegra o LP 'Rádio Pirata Ao Vivo' no festival que ocorre em São Paulo neste sábado, 22, e celebra discos clássicos do gênero
No festival C6 no Rock, em São Paulo, Paulo Ricardo fez um show nostálgico e enérgico ao tocar na íntegra o clássico álbum "Rádio Pirata Ao Vivo", do RPM. No Parque Ibirapuera, o cantor de 63 anos esbanjou carisma e poses de rockstar para animar o público com sucessos como "Olhar 43" e "Alvorada Voraz". Embora os efeitos visuais tenham perdido impacto sob a luz do dia, o músico brilhou na voz e no baixo, encerrando a performance com a faixa-título e citações a clássicos do rock mundial.
Por cerca de uma hora, Paulo Ricardo, de 63 anos, fez aquilo que se esperava dele durante o festival C6 no Rock neste sábado, 22, em São Paulo: um show nostálgico até demais que animou a plateia entusiasmada que o assistia no Parque Ibirapuera. O quórum, aliás, era bem maior do que no início da tarde quando a Plebe Rude abriu os trabalhos do evento.
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Ainda um homem charmoso, o cantor não exala mais aquela postura blasé que o tornou galã nos anos 80. Hoje, é muito animado, simpático e brega. Faz caras e bocas exageradas, usa sobretudo preto de couro debaixo de sol intenso e abusa das poses de rockstar.
Ele subiu ao palco para resgatar hits do RPM por meio de um repertório calcado em Rádio Pirata Ao Vivo (1986), executado na íntegra. O álbum foi lançado sem muita pretensão ou planejamento, mas transformou a banda em fenômeno e se tornou um dos mais vendidos de todos os tempos.
O grupo, como se sabe, acabou por causa de uma série de rusgas, levadas até para a Justiça. Nem por isso Ricardo renega as canções que o consagraram. Sua banda atual tem verve mais roqueira, mas se apoia bastante no uso dos teclados e sintetizadores eternizados por Luiz Schiavon, grande arquiteto sonoro do RPM. É ali que está o som pop que nos remete imediatamente à década oitentista.
O clima retrô foi latente, por exemplo, em Revoluções por Minuto, London London (versão de Caetano Veloso) e Olhar 43. Outro grande sucesso, Alvorada Voraz funciona como um dos mais certeiros retratos sombrios do Brasil de 1985/86 e da crise de identidade que afetava a nação no período de transição da ditadura militar para a redemocratização. Há, na faixa, aquela promessa de um novo Brasil e a expectativa de um progresso que ainda não foi concretizado - e por isso continua atual. Um ligeiro momento datado da letra cita o Escândalo Coroa-Brastel. Se fosse atualizada hoje, o Caso Master poderia facilmente ser incluído.
Efeitos não funcionaram à tarde
O show teria funcionado melhor se fosse à noite. Ricardo, que cantou muito bem e também desfilou seu talento no baixo (de timbre assustador, no bom sentido), tentou resgatar os elementos visuais do espetáculo de outrora - uma vanguarda tecnológica na época -, mas os efeitos utilizados não impressionaram. Sem os famosos lasers do RPM, apostou em luzes piscantes e alguns vídeos no telão do fundo.
O auge do ato, contudo, foi a despedida com Rádio Pirata, na qual o astro tenta "fazer justiça com as próprias mãos" e clama pela "revolução". No meio da música, houve um ótimo interlúdio com citações a Light My Fire, do The Doors, All You Need Is Love, dos Beatles, e You Can't Always Get What You Want, dos Rolling Stones. Com esta última, se apropriou de versos realistas que sublinharam suas ideias um tanto utópicas: "Nem sempre você consegue o que quer. Mas, se tentar às vezes, pode descobrir o que precisa".
O C6 no Rock vai até domingo, 23, e tem ainda apresentações de Paralamas do Sucesso, IRA! e Marina Lima cantando discos emblemáticos, além de homenagens a Rita Lee e Cazuza.
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