Influencer denuncia transfobia após cliente desistir de contratar serviço
Suellen Carey revela caso de preconceito após cliente ver seu perfil. Entenda como a influencer reagiu à desistência do serviço por ser uma mulher trans.
A influencer Suellen Carey, de 38 anos, denunciou um episódio de preconceito em sua profissão. O que era uma negociação comercial comum terminou em um desabafo.
Segundo ela, uma cliente desistiu de contratá-la subitamente. O motivo foi a descoberta de que Suellen é uma mulher trans.
Mesmo com a visibilidade crescente, barreiras explícitas continuam a surgir no cotidiano. Suellen decidiu não se calar diante da situação.
O serviço "baby cat" e o início da negociação
A influencer Suellen oferece um serviço personalizado conhecido como "baby cat". Essa modalidade envolve companhia e cuidados práticos do dia a dia.
Ela cuida, por exemplo, de animais de estimação na residência dos contratantes. É um trabalho que exige total confiança mútua e profissionalismo. Tudo parecia correr bem no início do contato entre as duas partes.
Segundo Suellen, a abordagem da cliente foi inicialmente respeitosa. "Ela me chamou, perguntou como funcionava e pediu detalhes", explica. "Parecia que já estava tudo certo entre nós".
As mensagens fluíam normalmente e os detalhes estavam sendo finalizados. No entanto, a cordialidade deu lugar à exclusão em poucos minutos. O impedimento não foi o preço, mas sim a identidade da influencer.
A descoberta da identidade e a desistência imediata
A reviravolta aconteceu quando a contratante pesquisou mais sobre a profissional. Ao acessar o perfil da influencer, a cliente soube que Suellen é trans. A partir desse momento, o tom da conversa mudou de forma drástica.
Em seu desabafo, Suellen detalha como foi abordada após a pesquisa. "Ela escreveu dizendo que viu meu perfil e que não concordava com isso", afirma. "Foi aí que ela desistiu de tudo", lamenta a profissional.
A justificativa da cliente foi direta e sem qualquer tipo de nuance. Não houve questionamento sobre a qualidade do serviço prestado pela influencer. Houve apenas uma rejeição à existência e identidade da prestadora.
"Até então estava tudo certo, não era sobre o trabalho", reforça Suellen. Esse tipo de situação reflete uma realidade dura no mercado brasileiro. Muitas vezes, o currículo perde o valor diante do estigma e do preconceito.
O desabafo da influencer: identidade vs. trabalho
A influencer separou o direito de escolha do preconceito aberto e gratuito. "A recusa veio por quem eu sou, não pelo meu trabalho", diz Suellen. Isso torna a situação extremamente constrangedora para qualquer profissional.
O sentimento de humilhação é recorrente em casos de transfobia evidente. "Não foi sobre o que eu faço, foi sobre a minha identidade", relata. Esse ponto é fundamental para o debate sobre diversidade no trabalho.
A fala de Suellen mostra que o acesso ao mercado ainda é vigiado. Filtros morais inadequados impedem que profissionais trans exerçam suas funções com dignidade. É um desafio que vai muito além das telas dos celulares.
Transfobia no cotidiano: além das telas do celular
Muitas vezes, achamos que os ataques ficam restritos aos comentários digitais. Contudo, a denúncia da influencer prova que o preconceito transborda para o real. Ele afeta diretamente o sustento e a dignidade das pessoas.
Suellen Carey acredita que expor esses casos é a única forma de educar. "Muita gente acha que isso só acontece na internet", reflete a criadora. "Mas isso acontece no nosso dia a dia também", completa ela.
"Não foi sobre o serviço, foi sobre quem eu sou", conclui a profissional. Sua fala ressoa com milhares de brasileiras que lutam por respeito diário. O reconhecimento profissional não deve depender da identidade de gênero de ninguém.