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Glória Menezes, uma das grandes divas da TV e do teatro, morre aos 91 anos

Artista teve uma vida dedicada à arte que moldou a teledramaturgia brasileira e conquistou corações ao lado de Tarcísio Meira

18 ago 2026 - 17h25
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Glória Menezes, uma das grandes divas da TV e do teatro, morre aos 91 anos
Glória Menezes, uma das grandes divas da TV e do teatro, morre aos 91 anos
Foto: The Music Journal

O cenário artístico brasileiro se despede de uma de suas maiores lendas. A notícia da partida de Glória Menezes, aos 91 anos, nesta terça-feira (18), diretamente de sua residência no Rio de Janeiro, ressoa como um eco de uma era dourada da televisão, do cinema e do teatro.

Mais de seis décadas de dedicação à arte transformaram Nilcedes Soares Guimarães, nascida em Pelotas (RS) em 1934, na atriz reverenciada que o país aprendeu a amar. Sua trajetória não se limitou a interpretar; ela construiu um legado que redefiniu o papel da mulher protagonista na cultura popular, tornando-se um ícone inquestionável.

Do Piano à Palma de Ouro: Uma Carreira Multifacetada

A juventude de Glória foi marcada pelos acordes do piano, um caminho que parecia predestinado antes da Escola de Artes Dramáticas acender a chama da atuação. Embora tenha deixado o curso antes da formatura em 1959, seu talento era inegável.

Rapidamente, encontrou seu espaço no teleteatro da TV Tupi e fez sua estreia em novelas com Um Lugar ao Sol, na TV Excelsior, no mesmo ano. O nome artístico Glória Menezes já brilhava em 1960, quando subiu aos palcos na montagem de As Feiticeiras de Salém, sob a direção de Antunes Filho. Contudo, foi o cinema que a catapultou para o reconhecimento global.

Seu papel como a sofrida Rosa em O Pagador de Promessas (1962), dirigido por Anselmo Duarte, não apenas marcou a carreira de Glória, mas também fez história ao vencer a Palma de Ouro em Cannes e ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, provando a força do talento nacional.

A Química Inesquecível com Tarcísio Meira

A televisão, porém, foi o palco mais frequente e onde Glória Menezes forjou uma das parcerias mais icônicas da teledramaturgia brasileira. Em 1963, a novela 2-5499 Ocupado a colocou no papel central de uma presidiária, e foi ali que o destino a uniu a Tarcísio Meira. O romance da ficção transbordou para a vida real, culminando em casamento em outubro daquele mesmo ano.

Por 59 anos, eles formaram um dos casais mais admirados do Brasil, tanto na vida pessoal quanto na profissional. A perda de Tarcísio em 2021, vítima da Covid-19, já havia deixado um vazio imenso. Juntos, eles trouxeram ao mundo Tarcísio Filho, que seguiu os passos dos pais na atuação, somando-se a Maria Amélia e João Paulo, filhos de um casamento anterior de Glória.

A magia da dupla Glória Menezes e Tarcísio Meira transcendeu as telas. Eles não apenas atuaram juntos em dezenas de produções televisivas — como "Sangue e Areia" (1967), "Espelho Mágico" (1977), "Guerra dos Sexos" (1983) e a série "Tarcísio & Glória" (1988) —, mas também encantaram plateias no teatro, a exemplo da comédia "Tudo Bem no Ano Que Vem" (1976).

Em "Irmãos Coragem" (1970), um dos maiores sucessos da Globo, Glória roubou a cena como Lara, personagem com múltiplas personalidades, solidificando seu status de estrela versátil.

Personagens que Marcaram Época e a Arte da Transformação

Mesmo sem a presença constante de Tarcísio em cena, Glória Menezes continuou a surpreender. Quem não se lembra da dona de casa pobre que herda uma fortuna em "Brega & Chique" (1987) ou da inesquecível vilã Laurinha Figueroa em "Rainha da Sucata" (1990)? A cena em que Laurinha se joga de um prédio na Avenida Paulista permanece antológica na memória da teledramaturgia brasileira, um testemunho do poder de sua interpretação.

Sua coragem artística a levou a raspar a cabeça para papéis desafiadores, como a monja tibetana em "Jóia Rara" e a professora com câncer na peça "Jornada de um Poema" (2000), demonstrando uma entrega total à arte da transformação.

Nos anos mais recentes, Glória retornou aos palcos em "Ensina-Me a Viver" (2013) e fez participações memoráveis no cinema, como em "Se Eu Fosse Você..." (2006). Sua última grande atuação em novelas foi como Stelinha, a socialite mãe de Arthur (Fabio Assunção), em "Totalmente Demais" (2015-2016), um papel que, mais uma vez, provou sua capacidade de brilhar em qualquer fase da vida.

Pequenas aparições em programas como "Tá no Ar: a TV na TV" e o "Tributo" que recebeu no ano passado foram as últimas oportunidades de ver a estrela em ação, celebrando uma vida que se confundiu com a própria história do entretenimento nacional.

A cortina se fecha para Glória Menezes, mas seu legado de talento, paixão e carisma será eterno nas memórias e nos corações de milhões de brasileiros.

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