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Roteiro sarcástico e bons atores consagram 'Ugly Betty'

7 fev 2009 - 09h31
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Certas frases perdem a força e o sentido pelo excesso de uso. Caso de "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental", do poema de versos brancos e livres

Foto: Divulgação
Receita de Mulher

, de Vinicius de Moraes, que é tudo, menos indelicadeza e rejeição. Ele poderia ser até a epígrafe de

Ugly Betty

, série que o SBT exibe às quartas à noite.

Esta versão norte-americana vem a reboque do sucesso internacional que se tornou a novela colombiana Yo Soy Betty La Fea, genial comédia de costumes de Fernando Gaitán, criada em 1999. A produção foi exibida mundo afora e ganhou adaptações locais em 17 países, da Índia a Croácia. Ugly Betty é apenas uma delas.

O argumento pouco se alterou nas novas versões, entre elas, a norte-americana. Betty é uma garota atarracada, com óculos de lentes e aros grossos, aparelho nos dentes e sempre escondida sob roupas pesadas.

Em Ugly Betty, ela trabalha em uma revista de moda, onde a aparência é o principal requisito para o sucesso profissional. Mas com paciência, inteligência e obstinação, Betty supera dificuldades, a despeito de não conseguir se tornar tão querida quanto gostaria.

Com seus personagens excêntricos talentosamente vividos por bons atores - entre eles, Vanessa Williams, como a vilã Wilhelmina Slater, e a bela Rebecca Romijn, no improvável papel de um transexual -, a série consegue abordar temas como ambição profissional, homossexualismo, morte, abandono e solidariedade. Com isso já arrebanhou ganhou 32 prêmios nos Estados Unidos, inclusive os cobiçados Globos de Ouro.

Apesar da presença de bonitas mulheres, como a morenaça Ana Ortiz ou a loura Ashley Jensen, é a sempre corajosa Betty, da atriz America Ferrera, quem se destaca. A despeito da importância da aparência em nossa sociedade da imagem, Betty e seus amigos e amigas "feios" conseguem superar a ditadura da beleza com talento e solidariedade.

Não custa lembrar que beleza e feiúra são valores de absoluta subjetividade e que costumam apresentar flutuações ao longo do tempo e em diferentes regiões, grupos ou classes sociais.

O escritor Umberto Eco, autor do instigante História da Feiúra, repara como os ditos "feios" podem ser bem mais variados e originais que os "belos". Os óculos de grau de Betty e seus vestidos estampados, por exemplo, volta e meia entram em moda se tornam "bonitos". Vinganças do gosto.

Fonte: TV Press
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