Novela do SBT peca por falta de originalidade e inovação
A queda de audiência que as novelas enfrentam atualmente mostra, em parte, que a simples repetição de velhas fórmulas na ficção não é atraente. Íris Abravanel se esqueceu desse importante detalhe ao escrever
Revelaçãopara o SBT.
A novela tem problemas com a precariedade de cenários, iluminação e atores mal dirigidos. Mas nada é mais descarado do que a falta de originalidade no enredo e na condução das tramas, agravada pela ingenuidade do texto.
É verdade que mesmo autores consagrados da televisão têm levado à frente folhetins com diálogos inconsistentes e situações mal construídas, o que torna as novelas cada vez menos críveis.
O fato de ser uma estreante, ameniza as deficiências de Íris. Mas não justifica a fragilidade da obra que ela leva ao ar, já que foi supervisionada por gente experiente. Além disso, ela teve o tempo que quis para colocar sua história no ar.
Após dois meses de exibição, no entanto, não há nada além de um galã e uma mocinha separados por vilões grosseiramente moldados. Lucas, de Sérgio Abreu, é casado com a bela e egoísta Beatriz, interpretada por Thais Pacholek.
Mas ele é apaixonado mesmo por Vitória, de Tainá Muller, que sofre nas mãos do mau-caráter Fausto, de Marcelo Saback. Ele é um traficante e poderoso perante os outros, mas em casa teve de apelar para a velha saída de trancafiar a mulher com o intuito de controlar seus passos.
A esse eixo central sem novidades, somam-se histórias paralelas superficiais como a do núcleo dos malvados traficantes, o prefeito fascinado pelo poder que tem uma exemplar mulher em casa, mas se diverte com a amante, e os personagens que tentam cumprir a função de núcleo cômico.
Vale lembrar que além do sofrimento dos mocinhos, quase todas as a tramas coadjuvantes têm uma carga de dramalhão que não nega a herança deixada pelas novelas mexicanas, que dominaram a grade de programação do SBT por anos.
Com papéis tão desinteressantes, avaliar a baixa performance dos atores chega a ser inapropriado. Só os personagens minimamente arrojados, como o rebelde Renan, de Daniel Alvim, e a aventureira Lara Penteado, de Talita Castro, dão aos atores a oportunidade de mostrarem que são capazes de algo mais do que papagaiar um texto.
Talita, principalmente, mostra bastante desenvoltura ao encarnar a jornalista que é amante do prefeito da pequena Tirânia, vivido por Flávio Galvão. Só é difícil de engolir que ela goste de ser chamada por ele de "cavalinha" nos momentos mais íntimos.
Um texto que diz pouco consegue ter seu efeito ainda piorado com a edição extremamente picotada de que sofre Revelação. Há cenas extremamente curtas, que não concluem nada e que tornam os capítulos um vai-e-vem de um cenário para outro, o que reforça ainda mais a sensação de claustrofobia, já que só há cenas feitas em estúdio, sem externas.
Tanta precariedade se reflete na baixa audiência. A novela do SBT tem marcado de 5 a 6 pontos de audiência, números que caíram depois que Pantanal deixou de antecedê-la na programação. A falta de ousadia da autora se reflete até no retorno financeiro que o folhetim tem dado à emissora. A audiência foge e os anunciantes também.