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Dj Miss Monique, da Ucrânia, faz turnê mundial para arrecadar fundos a civis após fugir da guerra

'Não consigo imaginar como posso deixar o público feliz se meu país e minha alma estão pegando fogo', disse a artista em entrevista ao Estadão

1 nov 2022 - 05h10
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A Dj Miss Monique, de 30 anos, nasceu na Ucrânia e se tornou uma das artistas de Progressive House (um gênero de música eletrônica) com maior ascensão na Europa ao acumular mais de 100 milhões de visualizações só no YouTube. Ela, porém, não previa o que aconteceria com a sua vida e a de sua família no dia 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia atacou seu país pela primeira vez.

Com mais de 340 mil seguidores no Instagram, Miss Monique, cujo nome verdadeiro é Alesia Arkusha, precisou morar no carro em um estacionamento com a família por duas semanas. Juntos, eles viveram o terror de serem atingidos por mísseis russos.

As casas de alguns de seus familiares, inclusive, foram destruídas pela guerra. "Ouvimos foguetes, tiros e sentimos a dor um do outro pelo nosso país. No dia 10 de março, eu tive que deixar a Ucrânia, pois a situação estava ficando cada vez pior", contou ela ao Estadão.

A artista de cabelo curto preto e mexas verdes sentira a necessidade de ajudar a Ucrânia, mas não sabia como. "Não consigo imaginar como posso deixar o público feliz se meu país e minha alma estão pegando fogo", disse ela.

Miss Monique pensou e analisou a situação até encontrar a melhor forma de contribuir para o bem-estar de seu país. Para ela, seria por meio do que mais ama fazer: tocar para centenas e milhares de pessoas com seu deck. "Posso ajudar muito mais meu país, se fizer o que faço de melhor nesta vida", completou.

Turnê mundial e arrecadação de fundos

Foi assim que ela tocou no Brasil pela primeira vez no dia 28 de outubro no Surreal Park, em Camboriú, em Santa Catarina; e no Ame Club, em Valinhos, em São Paulo, no dia 29. Com uma turnê mundial que já passou pela Alemanha, França, Chile, Austrália, Miss Monique destina parte de sua renda aos civis desabrigados na Ucrânia e arca com o sustento de 11 familiares e outros soldados ucranianos.

"Não sei dizer quanto gastei [com a arrecadação de fundos] porque não estou contando. Se souber que alguém precisa de comida, roupas, carro ou peças mecânicas, remédios, coletes à prova de balas ou qualquer outra coisa, eu ajudarei no que puder."

A Dj considera que a sua vida foi dividida entre "antes e depois" desde o início da guerra na Ucrânia. Ela diz que aproveitava as oportunidades e fazia planos quando, de repente, perdeu tudo o que conhecera por 30 anos.

"Você consegue imaginar viver por 30 anos no lugar onde nasceu, amar seu país, comemorar o aniversário com toda a sua família, e em cinco horas, acordar devido ao barulho dos mísseis e perder tudo? Você não pode morar lá ou ver a sua família porque todos estão em partes diferentes do mundo", completou.

Atualmente, a Rússia e a Ucrânia continuam em guerra, que começou por diversos motivos históricos entre ambas nações. O gatilho, no entanto, foi a aproximação da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a vontade dos russos.

'Não ligo mais para o que pensam'

Miss Monique começou a carreira há onze anos após comparecer a diversos festivais de música eletrônica e se apaixonar pelo gênero. No início, ela enfrentou julgamentos e desafios por ser uma mulher em um mercado que já fora dominado por homens.

"Não vou mentir. Ainda hoje conheço quem pensa que mulheres Djs são ruins, mas uma coisa mudou nesses meus 11 anos de experiência: não me importo mais com o que os outros pensam", destacou.

Suas influências variam entre Djs da cena europeia. Ao ser questionada sobre trabalhos que destaca, ela cita Sander Van Doorn, conhecido por Feels Like Summer; o britânico John Digweed, criador da música Mantis; e o galês Sasha, que produzira a faixa Xpander.

O setlist dela incluiu músicas que conseguiu lançar durante a guerra, como Plato, All I Got, Four Hill e Into My Arms. Ao todo, ela possui 10 discos lançados, sendo o primeiro, FG VI, em 2017.

Conheça suas músicas:

Estadão
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