Deolane Bezerra chora em audiência e se defende: 'Presa no exercício da profissão'
Chorando ao ouvir menção à filha, influenciadora afirma que R$ 24 mil recebidos eram honorários antigos de um cliente; veja
A defesa da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra ganhou uma nova linha de argumentação jurídica nas últimas horas. Durante a sua audiência de custódia realizada de forma virtual, a famosa rompeu o silêncio diante do magistrado e garantiu que sua prisão preventiva, ocorrida no âmbito da Operação Vérnix, constitui um equívoco técnico, afirmando que foi detida unicamente pelo "exercício da profissão".
Apesar dos apelos e da forte comoção da ré, a Justiça paulista rejeitou os pedidos de liberação e chancelou a manutenção de sua prisão no regime fechado.
Emocionada em diversos momentos da sessão, Deolane chorou copiosamente ao ouvir as menções à sua filha caçula, de apenas 9 anos. Ao se defender das graves acusações de atuar como "caixa" e braço de ocultação de patrimônio para a alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), a empresária sustentou que o foco do inquérito policial se apoia em um depósito bancário antigo e de valor brando diante das cifras bilionárias atribuídas à facção.
A tese dos R$ 24 mil e os honorários contratuais
Segundo as declarações de Deolane obtidas a partir dos registros da audiência, a sua inclusão no relatório de inteligência financeira decorre de uma transferência de R$ 24 mil realizada em sua conta corrente entre os anos de 2019 e 2020. A influenciadora argumentou que o dinheiro possui origem lícita e transparente, sendo fruto exclusivo de seus honorários contratuais como advogada criminalista à época.
"Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando. Consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente", asseverou Deolane.
A tese, contudo, bate de frente com o relatório do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que aponta que os repasses vindos da transportadora controlada pela facção não possuíam lastro de prestação de serviços legítimos, configurando o que os promotores chamam de "pejotização do crime" para injetar capitais ilícitos na economia formal.
@metropolesoficial 🚨 DEOLANE BEZERRA | Em audiência de custódia, a #influenciadora #DeolaneBezerra, presa sob acusação de integrar o Primeiro Comando da Capital ( #PCC), alegou que foi detida no exercício da profissão de advogada e se emocionou quando ouviu sobre a filha, Valentina, de 9 anos. As imagens foram obtidas em primeira mão pelo Metrópoles. Deolane foi presa na manhã dessa quinta-feira (21/5) no âmbito da Operação Vérnix, que também mirou Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC. Ela é acusada pela Polícia Civil de São Paulo de integrar a facção e lavar dinheiro para a alta cúpula do grupo criminoso. A advogada foi presa na mansão onde mora, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, e encaminhada ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda na unidade, ela passou por audiência de custódia de maneira virtual. A prisão preventiva, decretada pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau, foi mantida. Ela entrou na mira da polícia após investigadores identificarem que a influenciadora recebeu transferências bancárias de uma transportadora criada pelo PCC para branqueamento de valores. Segundo a investigação, as transações não foram justificadas por prestação de serviços advocatícios, mas como "fechamento" das contas mensais da empresa. Deolane, no entanto, alegou que estava no exercício da profissão. Na época, ela acompanhava o processo de Diogenes Gomes Barros, preso por roubo na Penitenciária de Irapuru, no interior paulista, e identificado pela investigação como integrante do PCC. Ele é pai de Valentina. No relatório final da Polícia Civil, os investigadores destacam que Deolane visitou Diogenes até ele ser solto, em dezembro de 2014. #METRÓPOLES ♬ som original - Metrópoles Oficial
OAB-SP entra na comarca e exige Sala de Estado-Maior
O desdobramento da prisão mobilizou de forma imediata a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). Um representante da Comissão de Prerrogativas da entidade participou ativamente da audiência virtual para resguardar os direitos de classe de Deolane. A instituição protocolou um pedido para que a custódia da influenciadora fosse readequada às exigências do Estatuto da Advocacia.
A OAB-SP solicitou formalmente que Deolane Bezerra fosse recolhida em uma Sala de Estado-Maior, instalação localizada em unidades militares que oferece instalações condignas e sem grades. A entidade destacou que, diante da notória ausência desse tipo de estrutura disponível no sistema prisional do interior do estado, a legislação brasileira prevê que a prisão preventiva seja obrigatoriamente convertida em prisão domiciliar.
Batalha pelo Artigo 318-A do Código de Processo Penal
Paralelamente, a advogada de defesa Josimary Rocha centralizou seus esforços no Artigo 318-A do Código de Processo Penal (CPP). A banca sustentou que, por se tratar de uma investigada que é mãe e única responsável por uma criança menor de 12 anos, Deolane preenche todos os requisitos fixados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir a preventiva em sua residência, uma vez que as acusações de lavagem de dinheiro não envolvem o emprego de violência física ou grave ameaça a terceiros.
A promotoria do Ministério Público rebateu a investida de forma célere, lembrando que a audiência de custódia possui competência estrita e limitada para avaliar unicamente a integridade física do preso e a legalidade formal da execução do mandado, sem autonomia para revisar ou derrubar os fundamentos jurídicos da ordem decretada pela 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau.
Ao fim da sessão, o juiz responsável homologou o procedimento policial, descartou qualquer agressão ou abuso de poder no ato da prisão e determinou o prosseguimento do isolamento da famosa. Após o término da audiência, Deolane iniciou o cumprimento da preventiva na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.
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