Como está a vítima dos 60 socos? Psicóloga analisa caso brutal: 'Sofrimento intenso'
Vítima dos 60 socos, Juliana Garcia dos Santos, irá realizar uma cirurgia de reconstrução dos ossos da face após ser agredida pelo namorado; veja
Juliana Garcia dos Santos é o nome da mulher que foi brutalmente agredida pelo ex-jogador de basquete Igor Cabral, que foi preso em flagrante nesta segunda-feira, 28. A mulher, que foi atingida com 60 socos após uma crise de ciúmes do então namorado, está focando em sua recuperação e precisará passar por uma cirurgia de reconstrução dos ossos da face. Tendo em mente a gravidade da situação, o Mais Novela, conversou com a psicóloga Claudia Melo, que explicou como um crime desse tipo pode afetar a psique da vítima.
Sofrimento intenso
Segundo a profissional, mulher vítimas de violência doméstica ou tentativa de feminicídio passam por uma dor emocional potente: "Uma violência tão brutal não atinge apenas a pele, os ossos ou os músculos. Ela atravessa a alma. A vítima pode sentir como se tivesse perdido o chão, a confiança no mundo e até em si mesma. É comum que surjam sentimentos de medo intenso, vergonha, culpa e solidão, mesmo que ela não tenha nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu".
Melo pontua que essas mulheres podem desenvolver traumas que colocam em xeque o caminhar emocional: "Essas feridas invisíveis podem se manifestar como transtorno de estresse pós-traumático, crises de ansiedade, depressão profunda e dificuldade em confiar novamente nas pessoas".
Há ainda estudos como o de Carl Rogers mostrando que os hematomas deixados pelo agressor relembram a vítima constantemente do ato criminoso: "A ciência confirma: a violência doméstica altera áreas do cérebro ligadas ao medo e à memória, deixando a pessoa em constante estado de alerta, como se a ameaça ainda estivesse presente. Por isso, o sofrimento emocional pode ser tão ou mais intenso que o físico".
Como tratar
Claudia Melo explica que o primeiro passo para a superação é o tratamento psicológico: "A psicoterapia será essencial. Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental podem ajudar a lidar com memórias dolorosas e reconstruir a autoestima. Mas, acima de tudo, ela precisará de um espaço onde seja vista como humana, inteira e digna de amor, como defendia Carl Rogers. Onde possa falar sobre sua dor sem ser interrompida, sem ser apressada".
Há ainda a possibilidade de participar de terapias em grupo com outras mulheres que possuem histórias semelhantes. "Superar não significa esquecer o que aconteceu, mas reconstruir a si mesma, retomar a confiança no próprio valor e acreditar que é possível viver uma vida segura e plena", disse. "É um caminho longo, mas, quando existe acolhimento verdadeiro, a tendência humana de se reconstruir encontra espaço para florescer".