Como assim? Goleiro Bruno cita envolvimento de facção na morte de Eliza Samudio
Ex-goleiro do Flamengo admite omissão, mas nega ser o "demônio" na tragédia que marcou sua carreira
Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo, voltou a falar sobre um dos episódios mais marcantes e controversos de sua vida: o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, em junho de 2010. Em uma entrevista recente ao Geral Podcast, o jogador abriu o jogo sobre seu papel no caso e revelou que a morte da modelo não foi um crime isolado, mas envolveu uma facção criminosa, sem detalhar nomes ou operações.
O ex-atleta afirmou que, embora não tenha sido o mandante do crime, reconhece sua omissão e a gravidade das consequências. "Chegou a um ponto que eu não tinha mais diálogo com a Eliza. Quem tomava conta das minhas coisas era o Macarrão. Ele que resolvia tudo pra mim", disse Bruno, destacando que havia pessoas próximas tomando decisões que poderiam ter relação direta com os acontecimentos que levaram à morte de Samudio.
Bruno também relembrou seu depoimento à Justiça, reforçando que sabia do crime, mas não o encomendou. "A situação que aconteceu, eu até falei no meu júri quando o juiz me perguntou: 'Você mandou fazer isso?'. Eu falo 'Não'. 'Mas você sabia?'. Eu sabia, mas eu não mandei", comentou. Essa declaração mostra o que ele chama de conflito entre conhecimento do que poderia acontecer e sua incapacidade ou decisão de não interferir, algo que, segundo ele, foi um dos maiores erros de sua vida.
O ex-goleiro também quis esclarecer a imagem que muitas pessoas têm dele, defendendo que seu papel no caso não o define como alguém totalmente mau. "Eu fui omisso. O meu erro na situação foi ter sido omisso. Isso faz de mim uma pessoa inocente? Não. Eu nunca falei que eu sou inocente, mas eu também não sou o demônio da parada", apontou. Para ele, a omissão não significa culpa completa pelo crime, mas reconhece que houve responsabilidade moral e ética.
Bruno falou ainda sobre a complexidade do caso, destacando a presença de uma facção criminosa, o que, segundo ele, torna o contexto muito mais amplo do que a população imagina. "Eu tive que segurar um problema muito grande, porque a situação envolve facção. Envolve pessoas que vão além do que vocês imaginam", disse, sem fornecer detalhes que pudessem comprometer investigações ou outras pessoas. "Eu já falei pra quem eu tinha que falar, e eu já falei pra quem eu devia uma satisfação."
Além de explicar os acontecimentos, Bruno demonstrou preocupação com o futuro e com a relação com seu filho, Bruninho. Ele revelou que ainda espera o momento certo para falar diretamente com ele sobre o que realmente aconteceu, deixando claro que essa conversa é exclusiva entre pai e filho: "Espero que, no momento oportuno, ele me dê uma oportunidade pra mim falar com ele o que eu tenho que falar. É ele que precisa saber desse esclarecimento. Só ele, mais ninguém", concluiu.
Com essa entrevista, Bruno Fernandes mostra uma tentativa de abrir o jogo sobre um caso que marcou sua vida pessoal e profissional, buscando explicar seu ponto de vista sem se eximir da responsabilidade de ter sido omisso. O relato também evidencia como o envolvimento de terceiros e de organizações criminosas pode complicar a compreensão pública sobre crimes de grande repercussão, e como figuras públicas podem se tornar símbolos de vilania mesmo quando sua participação direta é limitada.