Caso Marco Luque: o que é a reversão de vasectomia e quais as chances de funcionar?
Humorista reverteu procedimento feito há oito anos e esposa engravidou já no primeiro ciclo fértil; especialista explica os riscos e possibilidades
A reversão de vasectomia é uma microcirurgia delicada que reconecta os canais deferentes para restabelecer o fluxo de espermatozoides e recuperar a fertilidade masculina. O sucesso do procedimento varia conforme o tempo decorrido desde a esterilização original: nos primeiros anos, as taxas de desobstrução e gravidez são elevadas, mas diminuem progressivamente após uma década. A técnica exige avaliação médica prévia da fertilidade do casal e surge como alternativa à reprodução assistida.
O anúncio de Marco Luque, de 52 anos, de que será pai novamente após reverter uma vasectomia feita há oito anos trouxe à tona um tema que muitos homens ainda têm dúvidas: afinal, o procedimento pode mesmo ser desfeito?
O humorista havia feito a vasectomia após o nascimento das filhas Isadora, de 15 anos, e Mel, de 13, fruto de um casamento anterior. Ao decidir aumentar a família com a esposa Jéssica Correia, precisou passar pela cirurgia de reversão. O resultado surpreendeu até ele. "A gente tinha esse plano, mas não sabia que seria tão rápido. Quando decidimos, aconteceu muito rápido." A gravidez aconteceu já no primeiro período fértil de Jéssica após a liberação médica. terra
A vasectomia é definitiva?
Segundo o urologista Dr. Mauricio Zambaldi Tunes, membro do corpo clínico da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a vasectomia é um método muito seguro e eficaz, mas deve ser encarada como definitiva na hora da decisão. A reversão existe, porém não garante resultados.
Como funciona a reversão
Diferentemente da vasectomia, que pode ser feita em ambiente ambulatorial, a reversão exige hospitalização. Trata-se de uma microcirurgia que utiliza microscopia e técnicas específicas para restabelecer a passagem dos espermatozoides pelos canais deferentes.
Quais as chances de funcionar
As taxas de sucesso variam entre 70% e 90% para o retorno dos espermatozoides ao ejaculado, mas o especialista alerta que isso não garante uma gravidez. "A gestação depende de diferentes fatores, não apenas da recuperação da passagem dos espermatozoides. A idade da parceira, a função ovariana e outras condições relacionadas à fertilidade também podem interferir."
No caso de Marco Luque, o tempo de oito anos desde a vasectomia estava dentro da janela mais favorável para a reversão. Quanto maior o intervalo, maior a necessidade de uma avaliação individualizada e menor tende a ser a taxa de sucesso.
Reversão ou fertilização assistida?
O urologista lembra que a reversão nem sempre é a melhor alternativa. Em determinadas situações, a fertilização assistida pode ser mais indicada do que a cirurgia. A escolha depende das condições reprodutivas do casal e das possibilidades reais de alcançar uma gestação.
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