Galã das novelas verticais quebra o silêncio sobre preconceito de colegas da TV: "Tratavam sem seriedade"
Gabriel Kater abre o jogo sobre o sucesso nas redes, detalha rotina intensa após rodar 20 produções e assume desejo de chegar ao horário nobre
Quem passa mais de dez minutos navegando pelas redes sociais como TikTok ou Kwai certamente já cruzou com o rosto de Gabriel Kater. Aos 26 anos, o ator e cantor natural de Presidente Prudente (SP) transformou-se em um fenômeno de engajamento e um dos nomes mais requisitados do formato de mininovelas feitas exclusivamente para o celular.
Em entrevista exclusiva à coluna Daniel Nascimento, do jornal O Dia, o artista revelou os bastidores dessa indústria que movimenta milhões e detalhou como lida com a rotina intensa. Kater acaba de rodar sua 20ª produção vertical, a novela "Ele é selvagem", dirigida por Marinho Moraes — e o ritmo de trabalho impressiona.
"Exatamente nesse momento em que estou respondendo, acabei de gravar a minha última cena da minha 20ª novela vertical e daqui a dois dias já começo a gravar a 21ª. É um ritmo industrial muito acelerado. Foram 20 novelas em um ano e dois meses", contou o ator à publicação carioca.
O segredo do 'desapego' e o assédio no direct
Diferente do cinema e da TV tradicional, onde o profissional passa meses imerso no mesmo papel, o formato vertical exige agilidade e capacidade de desapego rápido. Gabriel conta que desenvolveu um método próprio para emendar produções com perfis completamente opostos. "Às vezes, na metade de uma novela eu já sei que vou gravar a próxima. Entendi como conseguir entrar em um personagem, sair muito rápido dele e já entrar no próximo", explica.
O sucesso nas telas dos smartphones reflete diretamente em suas redes sociais. Apelidado informalmente por internautas de "galã do streaming vertical", o actor revelou à coluna de Daniel Nascimento que o assédio em suas mensagens privadas aumentou consideravelmente, inclusive por conta de papéis onde interpreta figuras controversas.
"Já recebi algumas mensagens no direct de pessoas dizendo que assistiram e comentando que me odiaram, mas no sentido positivo, porque fiz alguns vilões bem detestáveis. Nós, atores, costumamos dizer que se as pessoas estão te detestando, significa que você fez um bom trabalho. "
O fim do preconceito no meio artístico
No início, o formato de produções verticais sofreu com a desconfiança de profissionais habituados ao padrão das telonas e da TV aberta. Kater relembra que o preconceito existia, mas garante que o cenário mudou drasticamente à medida que grandes corporações passaram a investir na linguagem.
"No início, as pessoas tratavam o vertical como algo sem seriedade. Teve um pré-julgamento muito forte. Mas hoje em dia o jogo mudou muito. Você vê atores já considerados consagrados fazendo vertical, grandes nomes, e empresas como o Globoplay criando suas próprias produções. "
Da internet para o horário nobre?
Após oito anos de estudos ininterruptos na área cênica, enfrentando a rotina de testes e as habituais recusas do mercado, foi o universo digital que validou a carreira profissional do jovem paulista, permitindo que ele alcançasse a estabilidade financeira através da arte.
Questionado pelo jornalista se a consolidação na internet substitui o desejo de brilhar nos veículos tradicionais, Gabriel abriu o coração e reforçou que suas aspirações permanecem amplas.
"O mercado vertical foi o que me deu os meus primeiros sins. É ele que está me possibilitando viver financeiramente da minha atuação. Mas claro que o sonho de menino, de estar em um lugar de prestígio como uma novela da Globo ou em um longa-metragem no cinema, existe. Eu espero um dia alcançar esses lugares, mas sou ator: do teatro musical à TV, do horizontal ao vertical, eu quero continuar fazendo o que eu estudei", finalizou.
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