Gabriel Rolón, o psicólogo argentino que enche estádios: 'Às vezes, a gente deseja mais ter sido feliz do que ser feliz'
Para o psicanalista, idealizar outras fases da vida ou esperar pelo momento perfeito pode nos afastar das alegrias do presente
O psicólogo argentino Gabriel Rolón alerta para a armadilha de buscar o bem-estar fora do presente, ao idealizar o passado ou adiar a realização para o futuro. Segundo ele, as pessoas costumam desejar mais ter sido felizes ou alcançar a felicidade adiante do que vivenciá-la no agora, negligenciando momentos cotidianos. Essa dificuldade de foco no presente é reforçada por dados científicos, que indicam que os indivíduos passam quase metade do tempo com a mente dispersa do que estão vivendo.
Conhecido por levar reflexões sobre emoções, relacionamentos e felicidade para os palcos, o psicólogo e escritor argentino Gabriel Rolón chama a atenção para uma armadilha: procurar o bem-estar em qualquer lugar, menos no presente.
Em entrevista ao jornal La Nación, ele refletiu sobre como podemos nos prender à saudade de uma época que passou ou à expectativa de que a felicidade chegará mais tarde.
"Às vezes, a gente deseja mais ter sido feliz do que ser feliz. Deseja mais ser feliz no futuro, alcançar a felicidade, do que ser feliz agora, onde está", afirmou.
Entre a saudade e a expectativa
É fácil olhar para trás e pensar que éramos mais felizes em outra fase: quando tínhamos menos responsabilidades, morávamos em outro lugar ou convivíamos diariamente com pessoas queridas.
Essas lembranças podem trazer conforto, mas também podem nos levar a comparar o presente com uma versão idealizada do passado. Da mesma forma, podemos adiar a felicidade para quando conseguirmos um novo emprego, tivermos mais dinheiro ou finalmente sairmos de férias.
Enquanto isso, momentos agradáveis — uma conversa demorada, um almoço tranquilo ou uma tarde livre — passam quase despercebidos, ocupados que estamos com aquilo que falta.
Quando a mente está em outro lugar
Um estudo publicado na revista Science ajuda a pensar nessa dificuldade de prestar atenção ao que vivemos.
Pesquisadores acompanharam 2.250 adultos e observaram que, em 46,9% dos registros, os participantes pensavam em algo diferente da atividade ...
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