Frase do dia de Juan Evaristo Valls Boix, filósofo espanhol: 'Não há nada que não esteja contaminado pelo excesso de produtividade, pela sensação de fracasso contínuo'
O filósofo nascido em Elche acaba de lançar seu novo livro, 'JOMO, el gusto de perder', e continua defendendo uma mudança na forma como enxergamos a vida
Quando Juan Evaristo Valls Boix apresentou, há alguns anos, seu ensaio "Metafísica de la pereza" (Metafísica da Preguiça, em tradução livre) na livraria La Central, do Museu Reina Sofía, o filósofo espanhol fez uma daquelas afirmações capazes de nos fazer parar para refletir: "Não há nada que não esteja contaminado pelo excesso de produtividade, pela sensação permanente de fracasso."
Em um mundo que nos incentiva a produzir sem descanso para alimentar o capitalismo, será que a preguiça pode ser um ato revolucionário? A resposta curta é: sim.
Nascido em 1990 e professor de Filosofia na Universidade Complutense de Madri, o jovem filósofo está determinado a nos despertar da apatia que nos cerca. Há anos ele defende a importância de desacelerar e examina, com um olhar profundamente crítico, até o próprio comportamento.
Valls se define como um viciado em trabalho que, paradoxalmente, escreve sobre a necessidade de trabalhar menos. Um homem que admite ter caído em todas as armadilhas do neoliberalismo e que escreve como quem faz "um clamor pela vida que não vivi, da qual fui expropriado, mas que quero reivindicar como minha". Em outras palavras, alguém que escreve movido pelo desejo de abandonar esse modo de vida e transformá-lo.
O preço da produtividade sem limites
No campo da psicologia, existe um termo que acabamos naturalizando: a síndrome de burnout, o esgotamento que surge quando a pressão por desempenho se torna permanente.
Esse fenômeno se espalha como uma epidemia em sociedades ...
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