Filósofo alemão Jürgen Habermas, teórico da 'esfera pública', morre aos 96 anos
Ele recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004)
O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos principais pensadores sobre democracia e "esfera pública", morreu neste sábado, 14, aos 96 anos. A informação foi confirmada pela sua editora, Suhrkamp.
Ele faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi confirmada.
Quem era Habermas?
Jürgen Habermas nasceu em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf.
De 1949 a 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em Göttingen, Zurique e Bonn.
Lecionou, entre outras instituições, nas Universidades de Heidelberg e Frankfurt am Main, bem como na Universidade da Califórnia, Berkeley, e foi diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.
Jürgen Habermas recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004).
A 'esfera pública'
Habermas dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias sobre a racionalidade comunicativa e a esfera pública, sendo considerado um dos mais importantes intelectuais contemporâneos.
Herdeiro da Escola de Frankfurt — onde foi assistente de Theodor Adorno —, ele não se contentou em herdar o pessimismo de seus antecessores diante da modernidade. Preferiu apostar que a razão, longe de estar perdida, poderia ser recuperada pelo caminho do diálogo.
Essa aposta tomou forma em sua obra Teoria do Agir Comunicativo (1981). Ali, Habermas distingue a ação estratégica, orientada por objetivos individuais, sem abertura para os argumentos alheios, da ação comunicativa, em que há um espaço de diálogo genuíno, no qual se pensa coletivamente sobre quais objetivos uma sociedade deve perseguir.
Dessa distinção nasceu o núcleo de sua filosofia política: a ideia de que a legitimidade democrática não vem da força nem do mercado, mas do entendimento alcançado entre pessoas livres e iguais.
A esfera pública, um espaço informal de debate que vai das conversas cotidianas às manifestações políticas, era, para ele, a categoria normativa central do processo político deliberativo: uma estrutura intermediária que faz a mediação entre o Estado e os setores privados do mundo da vida.