EXCLUSIVO: 'Conhecimento é a maior arma contra o racismo', diz MC Soffia
Soffia Gomes da Rocha Gregório Correia é o nome do momento. Mais conhecida como MC Soffia, a rapper paulistana lança o álbum "Soffisticada" nesta quinta-feira (26) nas principais plataformas digitais.
Em entrevista exclusiva à Todateen, a rapper disse que o álbum vai explorar a estética dos anos 2000.
"Todas as músicas são raps dançantes com referências dos anos 2000, da galera da black music. Então, tem sample do Usher, Soulja Boy. A gente foi atrás de quem estava na cena nessa época", explica MC Soffia.
Além disso, as faixas terão colaborações de Tasha & Tracie, Slipmami, Vinex, e outros artistas a serem revelados.
São nove músicas que celebram o poder feminino, a identidade negra e a liberdade.
"De Menina Pretinha a Face Card"
Com influência familiar, MC Soffia canta desde criança.
"Minha mãe me levava para teatros, saraus e me levou para uma oficina de hip-hop. E eu me identifiquei muito, eu gostei muito". Então falei: 'Mãe, quero ser cantora'", relembra.
Assim, em 2016, ela lançou o hit "Menina Pretinha". A música fala de empoderamento negro e sobre não se curvar ao racismo.
Alguns dos trechos são "Sou negra, e tenho orgulho da minha cor", e "Menina pretinha. Exótica não é linda. Você não é bonitinha. Você é uma rainha".
Agora, com 22 anos, MC Soffia conta que fez uma transição de artista mirim para a fase adulta ao longo dos anos. Até chegar no seu último grande sucesso: "Face Card".
O single tem colaboração da rapper Slipmami. Inclusive, no final do ano passado, a música virou trend no Tik Tok. Artistas como Liniker, Karol com K e a deputada Erika Hilton fizeram um vídeo junto com a rapper.
"O hip-hop é um movimento que a gente pode se expressar"
O movimento hip hop foi criado em Nova York, em meados da década de 70.
É um movimento cultural, de resistência e identidade para comunidades marginalizadas. Ele abrange quatro elementos principais: MC (rap), DJ, Breaking (dança) e Grafite.
E foi nesse contexto que MC Soffia se encontrou, principalmente no primeiro elemento.
"É um diário para muitas pessoas. Você chega lá e fala sobre a desigualdade, sobre o que está acontecendo na sua periferia", exemplifica.
Mulheres no rap
Além da raça, MC Soffia também expressa a autoestima feminina em suas músicas.
Em "Empoderada", ela diz: "Vou dando um salve nas meninas pra armar o seu black. Sua coroa é de rainha, disso nunca se esquece!".
Embora existam muitas rappers talentosas, o contexto do rap é muito masculino. Por isso, sua presença é importante para trazer mais diversidade.
"Ainda é muito desigual. Só que agora a gente [mulheres] está tendo mais visibilidade. Espero que daqui uns anos, a gente possa cada vez mais dominar o capital", afirma.
Para meninas negras ouvirem
Por fim, MC Soffia traz alguns conselhos para meninas negras jovens.
"Pesquisem sobre os reis e rainhas que estiveram no continente africano, sobre a história do funk, do rap, da nossa cultura. Porque a maior arma contra o racismo é o conhecimento."
E claro, ela recomenda ouvir suas músicas!