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Santoro se emociona ao falar de ator do filme 'Heleno' em SP

14 mar 2012 - 15h29
(atualizado em 14/3/2012 às 11h53)
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Nathália Salvado
Direto de São Paulo

Rodrigo Santoro já chegou ao Espaço Unibanco, nesta terça-feira (13), em São Paulo, se desculpando pelo atraso de 20 minutos. Sorrindo e vestindo a camisa de seu mais recente filme, Heleno, tomou seu café enquanto respondia às perguntas dos jornalistas na sala de cinema e se emocionou ao falar sobre o ator mineiro Tizumbo, que o acompanha em quase todas as cenas do longa, na fase em que o jogador Heleno de Freitas está no hospital psiquiátrico de Barbacena (MG).

"Ele é um grande artista. É um ser humano de uma dimensão incrível. Quando ele chegou, eu fiquei fascinado só de conversar com ele. É um artista plural. Ele toca, canta, representa, faz até cachaça", disse, emocionado, ao ser questionado sobre a parceria brilhante com o colega. "Ele tem tanto calor. Me abraçou tão forte quando me conheceu, que eu já sentia que ele era o cara que ia cuidar de mim. Tive que me segurar em cena, porque ele me emocionava muito", continuou, com os olhos marejados.

Ao falar sobre o papel do jogador Heleno de Freitas, afirmou que não o conhecia, mas que emocionou seu avô de 95 anos ao contar que viveria o grande craque-problema do Botafogo da década de 40. "Meu avô é Botafogo de Ribeirão Preto e ficou emocionado quando falei do papel. Ele disse: 'ele jogava muita bola, mas esse rapaz gostava muito de confusão", contou, rindo.

Além de Santoro, estavam presentes o diretor José Henrique Fonseca, a atriz Alinne Moraes e o produtor Rodrigo Teixeira. Questionados se Adriano, ex-Corinthians, seria o Heleno da época atual, o diretor foi o primeiro a responder. "Compararam o Heleno com o Jobson também. Ele pode ter sido o primeiro jogador-problema sim, mas não sei se era igual. Era como o Romário, que não gostava de treinar, mas o Heleno teve uma doença. Em um comparativo, talvez o Edmundo, até o Adriano, mas tinha a questão da doença".

"Tinha um pouco de alguns jogadores, uma personalidade forte. Acho que a grande diferença de hoje em dia é a mídia. O futebol tomou uma proporção gigantesca. Ser jogador não era uma coisa tão bacana. Ele era advogado, de família boa. Tinha uma paixão pelo Botafogo que era muito nobre, admirável. O drama dos jogadores atuais é parecido. Mas ele tinha essa relação com a plateia, esse talento nato de se deliciar enfurecendo o público", emendou Santoro, mostrando-se apaixonado pelo personagem.

Tímida, Alinne Moraes também falou sobre sua personagem, Sílvia, a mulher de Heleno, e negou que ela seja uma maria-chuteira. "Não acho que ela seja. Acho que ela se apaixonou, teve uma grande admiração por ele. Era uma grande mulher, um Heleno de saias, quase uma continuidade do corpo dele. Em algum momento, acho que ela se sentiu sozinha, muito solitária, mas o amor permaneceu. É uma mulher diferente da atualidade. Hoje em dia a fila ia andar", afirmou. A mulher de Heleno se chamava Ilma, mas seu nome foi mudado no longa, já que sua história não é fiel à verdadeira.

"Heleno é um grande personagem para ser retratado. Se fosse americano, já teriam feito uns três ou quatro filmes sobre ele", finalizou o produtor Rodrigo Teixeira.

Não é um filme sobre futebol

José Henrique Fonseca faz questão de afirmar que Heleno não é um filme sobre futebol, porém, o diretor tomou um cuidado extremo para que o único jogo a ser retrato na produção fosse fiel ao que se via na época. "Era um desafio. É difícil filmar futebol. Nos anos 40, tinha só uma câmera embaixo e, muitas vezes, até atrás do gol. Se a gente fizesse com o máximo de tecnologia, gruas, não iria trazer a realidade da época. Por isso, elegi um jogo só, chuvoso. E ele é recorrente durante todo o filme. Tentamos achar um formato que as pessoas acreditassem que aquele era um jogo dos anos 40. São poucas cenas, porque a realidade a ser mostrada não era essa", opinou.

O longa de Fonseca deve agradar aos mais apaixonados pelo futebol exatamente por esse cuidado com os detalhes, que vão desde as camisas sem número até a expectativa em torno do Maracanã. "Acho que nenhum filme vai conseguir retratar essa paixão pelo futebol, esse negócio do cara que é boleiro, mas acho que vai agradar. Tem esse negócio da camisa sem número. A bola teve que mandar fazer, a chuteira de couro também. O pessoal sofria mesmo nessa época. Acho que vai agradar aos boleiros. Eles vão embarcar nisso aí", completou.

Co-produção

Rodrigo Santoro assina a co-produção do filme e contou que se envolveu sem querer com o roteiro. "Eu já estava envolvido porque era o protagonista, mas não planejei a produção", disse, antes de ser interrompido pelo diretor José Fonseca. "O cara é macho para caramba. Eu disse: 'cai dentro'. E ele caiu", contou o diretor.

"Não planejei, porque me vinha na cabeça a questão da burocracia. Mas o Zé me disse que eu já estava produzindo, por isso oficializei. Aí veio a burocracia, a questão do patrocínio", disse, aos risos, o ator que foi até Eike Batista pedir o apoio da EBX, que financiou metade do orçamento do filme, que custou cerca de R$ 8 milhões.

"Eles me ligaram do meio de uma praça do Rio de Janeiro, gritando, dizendo que tinham conseguido o patrocínio, que Eike ia bancar parte do projeto. Pensei que aquilo não era possível", contou Rodrigo Teixeira, produtor do filme.

Rodrigo Santoro acompanhou a pré-estreia
Rodrigo Santoro acompanhou a pré-estreia
Foto: Roberto Filho e Alex Palarea / AgNews
Fonte: Terra
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