'Rio 2' preenche lacunas ao trazer futebol e brasilidades
Em ano de Copa do Mundo, diretor Carlos Saldanha preenche lacunas deixadas pelo primeiro filme da série
Samba, Carnaval e Rio de Janeiro. Em 2011, quando lançou Rio, o longa-metragem de animação levou às telonas não só as paixões da terra natal do diretor brasileiro Carlos Saldanha, como deixou uma lacuna: não houve espaço para mostrar o futebol, paixão nacional, tampouco sair da raiz do samba. Em Rio 2, após longos e exaustivos três anos de trabalho, ele preenche essas lacunas.
Após a bem-sucedida história do casal de araras azuis Blue e Jade, exibida em 120 países com 70 milhões de espectadores e faturamento de US$ 486 milhões, Rio 2 termina de mostrar ao mundo as raízes culturais brasileiras. O futebol, por exemplo, em ano de Copa do Mundo, está presente em uma disputa de espécies: araras azuis e vermelhas, em plena Amazônia, disputam uma partida que ao mesmo tempo traz a referência "dentro de uma boa coincidência", como explica o diretor, da festa popular de Parintins entre Caprichoso e Garantido.
"Queria colocar o futebol na primeira história, mas não desenvolveu. Era algo que estava na minha cabeça. E o futebol é uma das nossas qualidades", explicou Saldanha, em entrevista coletiva do lançamento do filme, que estreia nos cinemas do Brasil no próximo dia 27.
No ano em que o País hospeda a Copa do Mundo da Fifa, o casal de araras, agora com três filhos, deixa o Rio de Janeiro para trás e todas as facilidades da vida moderna-cotidiana para viajar rumo à Amazônia e passando pelo caminho por algumas cidades sedes, como Brasília e Salvador.
"É caminho, tem que passar pelas cidades sedes", brincou Saldanha. "Não tem nada a ver com a Copa. Claro que quando a gente começou a fazer o filme (ainda em 2011, dois meses após o lançamento do primeiro filme), eu fiz um cálculo. Um filme de animação demora em média três anos. Então, o lançamento teria que ser antes ou depois da Copa. Melhor antes", explicou.
Muito embora guie um projeto dentro da Blue Sky Studios, parceira da Fox Films, "com uma equipe 99% internacional", Carlos Saldanha trouxe ao Rio 2 uma abrangência cultural brasileira ainda mais ampla, dentro de uma história criativa, com novos personagens e ritmos para compor o longa de animação. Contando com a ajuda, mais uma vez, de Rodrigo Santoro (dublando o personagem Túlio), e Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, ao lado de John Powell, na curadoria musical.
"É 100% inspiração brazuca", analisa Saldanha. "É um pout pourri de norte e nordeste. Toda a vez que o pessoal vê o filme, eu falo que a minha inspiração maior é baseada em coisas de Pernambuco, ciranda, carimbó, maracatu. Mas tem samba de roda e ciranda, as penas voando como saias das cirandeiras, por exemplo. Foi algo que a gente não pôde se aprofundar no primeiro", complementou.
Rio 2 é um longa que será traduzido ainda para 30 línguas e levado para mais de 50 países em um primeiro momento. Saldanha, por fim, explica que os estúdios e o modo de produção são no padrão Hollywood, mas que a origem do processo de criação é plenamente oriundo da língua portuguesa.
"A gente começa em português tudo, e depois das aprovações, a gente passa para a tradução em inglês, e a música é transformada em milhares de outras línguas. A verdadeira música original é daqui, nos Estados Unidos é uma tradução", finaliza.