Por que Nolan escalou Travis Scott em 'A Odisseia'?
Em entrevista à 'Time', cineasta revelou que a presença do rapper no filme como bardo é uma referência à tradição Homero
Christopher Nolan revelou à revista Time o raciocínio por trás de uma das escolhas mais inusitadas de A Odisseia: escalar Travis Scott para viver um bardo, o narrador e contador de histórias do mundo antigo. "Eu o escalei porque queria fazer uma referência à ideia de que essa história foi transmitida como poesia oral, o que é análogo ao rap", disse Nolan.
A lógica de Nolan parte de um ponto simples: a Odisseia de Homero não nasceu como texto escrito. Durante séculos, foi transmitida oralmente por bardos que recitavam e cantavam os versos de memória para audiências ao vivo, uma forma de performance que, segundo o diretor, encontra paralelo direto no rap contemporâneo. Travis Scott já havia colaborado com Nolan antes, contribuindo com a faixa "The Plan" para a trilha de Tenet (2020). Ainda não há confirmação sobre se o rapper também assina músicas para o novo filme.
A escolha por Scott faz parte de um conjunto de decisões criativas que Nolan tomou para fugir das convenções do gênero de épico histórico. O compositor Ludwig Göransson, responsável pela trilha sonora, recebeu a instrução explícita de não usar orquestra, sonoridade padrão para filmes de espadas e sandálias. "Não é como se a orquestra existisse naquela época", disse Göransson.
Em vez disso, ele alugou 35 gongos de bronze em tamanhos variados, experimentou com sintetizadores e criou uma sonoridade que mistura o arcaico e o eletrônico. Um dos detalhes mais elaborados da trilha é o uso do som de uma lira conectado ao arco de Odisseu, instrumento e arma fundidos numa mesma textura sonora.
A Odisseia acompanha o herói grego em sua jornada de volta para casa após a Guerra de Troia. Matt Damon interpreta Odisseu, numa produção que inclui Anne Hathaway como Penélope, Tom Holland como Telêmaco, Robert Pattinson como Antínoo, Charlize Theron como Circe, Zendaya como Atena e Lupita Nyong'o em papel duplo, interpretando Helena e Clitemnestra.
O filme foi rodado em seis países, inteiramente em câmeras IMAX, com orçamento estimado em US$ 250 milhões e uso mínimo de CGI, uma escolha que levou Matt Damon a afirmar que foi a experiência mais exigente e recompensadora de sua carreira.
O projeto é o resultado de mais de 20 anos de espera. Nolan esteve em negociações para dirigir Troia (2004), baseado em A Ilíada, mas o projeto não avançou. Desde então, carregou a ideia de uma adaptação homérica em grande escala por toda a sua filmografia, de Batman Begins a Oppenheimer. "O que nunca foi feito é uma narrativa cinematográfica de A Odisseia com toda a capacidade de uma grande produção de Hollywood. É uma lacuna estranha na história do cinema", disse o diretor. A Odisseia chega aos cinemas em 17 de julho.
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