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Herzog rechaça comparações sobre seu drama de policial viciado

4 set 2009 - 14h36
(atualizado às 15h08)
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O clima parecia que ia esquentar na reunião com os jornalistas, realizada nesta sexta-feira (4), do filme

Foto: Getty Images
Bad Lieutenant - Port of Call New Orleans

. Não da temperatura exterior ao Casinò, onde acontecem as entrevistas do Festival de Veneza, que nesta época do ano ultrapassa fácil os 36º. Mas dentro da sala, onde um jornalista perguntou ao cineasta alemão Werner Herzog se ele havia pedido licença a Abel Ferrara para usar o mesmo título de um filme deste de 1992, exatamente

Bad Lieutenant

(

Vício Frenético

, no Brasil), e se não achava a história muito similar. Para espetar ainda mais o diretor, ainda quis saber se ele já havia consumido drogas. "Em que planeta você vive, é o que eu lhe pergunto", disparou de volta Herzog, visivelmente irritado. Para depois responder que nunca viu o filme de Ferrara e nunca falou com ele a respeito do filme. E que muito menos havia experimentado drogas algum dia.

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Os questionamentos feitos procedem. Além do título, a trama e o personagem que foi de Harvey Keitel no filme de Ferrara e agora é de Nicolas Cage tem semelhanças inegáveis. Trata-se do mesmo tipo de investigador da polícia corrupto e viciado em drogas que apela a todos os desvios de ética possíveis e se alia ao crime organizado para garantir seu vício. Como pano de fundo, temos a investigação, no caso da fita de Herzog, da chacina de uma família de senegaleses, a qual Terence, o personagem de Cage, está encarregado e leva com descaso e imprudência a ponto de deixar a única testemunha fugir.

Mais preocupado em conseguir crack, cocaína ou heroína das apreensões da própria polícia ou na base da extorsão de ricos clientes de prostitutas, inclusive sua própria namorada (Eva Mendes), Terence vai se descontrolando aos poucos até chegar ao impasse de perder seu distintivo. Sempre alterado, em estado quase psicótico, o personagem de Cage lembra as parcerias radicais de Herzog com Klaus Kinski, seu ator fetiche em filmes como Fitzcarraldo, que terminaram em desacordo definitivo entre os dois. Mas Herzog se limitou a negar qualquer intenção de Cage em lembrar Kinski e que isso era passado. Cage disse que seria impossível imitar a intensidade do ator polonês na tela. "Eu teria que estar possuído de seu espírito".

O filme não foi recebido com grande empolgação na sessão de imprensa, que terminou silenciosa e com alguma tentativa de vaia. Pode-se tentar dedicar esse desânimo a um tema já por demais executado no cinema americano. Herzog atualmente está radicado em Los Angeles, segundo ele pela razão de viver um casamento feliz ali, e situou sua fita na Nova Orleans logo depois do furacão Katrina. "Eu fiquei impressionado com o que aconteceu ali, e passei a pensar como a cidade se recuperaria, não só do modo econômico, material, mas como voltaria a lidar com valores, a justiça, as leis", justificou o diretor. "Além disso, queria abordar ainda alguns aspectos sociais e políticos dos Estados Unidos que acho importante tratar depois do 11 de Setembro (data do atentado ao World Trade Center); e o personagem principal representa essa possibilidade de salvação que o país inteiro precisou ter; por fim, é o tipo de história e personagem que eu adoraria ver num filme no cinema, então eu os fiz". Ou seja, Herzog parece cometer o pecadilho cinematográfico de realizar, sob seu ponto de vista, o que muitos colegas americanos fizeram antes e melhor.

Fonte: Especial para Terra
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