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Para Whoopi Goldberg, a história de adolescente negro linchado em 1955 precisa ser contada

Atriz atua e produz o filme 'Till', sobre rapaz que foi morto sem motivo

14 out 2022 - 07h45
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AP - Quando Whoopi Goldberg foi convidada para ajudar a produzir um projeto sobre Emmett Till, a atriz achava que sabia tudo sobre o sequestro e linchamento do adolescente negro em 1955 - até que ela soube das histórias não contadas sobre como a mãe do garoto enfrentou com as terríveis consequências.

Depois que Goldberg mergulhou fundo na história de Till, ela e seus colegas de produção Barbara Broccoli e Fred Zollo apresentaram ideias de filmes para vários grandes estúdios. Todos acabaram recusando. Às vezes era desanimador, mas, depois de mais de duas décadas de tentativas, a ficha de Hollywood caiu após a morte de George Floyd, em 2020.

Goldberg disse que foi aí que a Orion Pictures, da MGM, se aproximou para apoiar financeiramente o desenvolvimento de Till, que estreia nos cinemas brasileiros em janeiro e traz alguns dos detalhes de bastidores sobre a decisão monumental de Mamie Till-Mobley de expor a brutalidade da morte de seu filho para conscientizar as pessoas.

"As pessoas meio que acordaram e disseram: 'Espere aí, isso não é nada legal'", lembrou Goldberg após o assassinato de Floyd, que morreu quando um policial de Minneapolis pressionou o joelho contra seu pescoço por vários minutos. Ela disse que a morte de Floyd tocou todas as pessoas nos Estados Unidos da mesma forma que o linchamento de Till gerou um alvoroço público mais de 60 anos atrás.

"As empresas começaram a prestar atenção", disse Goldberg, que acrescentou que está tentando emplacar um projeto sobre Till há mais de 20 anos - tempo suficiente para ela deixar de ser uma "jovem com filho" para agora ser avó. "A Orion disse: 'Olha, queremos contar essa história. Queremos ajudar você a contar essa história. As pessoas estão esperando há muito tempo".

Goldberg disse que vários diretores foram entrevistados, mas a melhor foi Chinonye Chukwu - que queria pôr o foco na mãe de Till. O novo filme segue a história verdadeira e não contada de Till-Mobley, cuja decisão de divulgar a morte brutal de seu filho de 14 anos por assobiar para uma mulher branca no Mississippi ajudou a desencadear o movimento pelos direitos civis.

"Sem Mamie, o mundo não saberia quem foi Emmett Till, e ela é o coração da história", disse a diretora, que chamou Till-Mobley de "guerreira pela justiça" por combater o racismo, o sexismo e a misoginia depois do assassinato de seu filho.

Chukwu contou que teve apoio incondicional de Goldberg, que disse que a diretora era perfeita para o trabalho.

"(Goldberg) sempre falava da sua crença inabalável na minha arte e nas minhas habilidades para contar essa história da maneira que precisava ser contada", disse Chukwu, que dirigiu o drama de 2019, Clemência, estrelado por Alfred Woodard. "Esse tipo de apoio me fez sentir muito amparada como artista, como ser humano e como mulher negra. Eu nunca vou esquecer."

Chukwu co-escreveu o roteiro com Michael Reilly e Keith Beauchamp - cineasta mais conhecido por sua extensa pesquisa por trás do sequestro de Till. Seu documentário de 2005 The Untold Story of Emmett Louis Till teve um papel importante na decisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de reabrir a investigação de Till.

Beauchamp ficou amigo de Till-Mobley, que foi sua mentora até morrer em 2003. Seu trabalho lançou as bases para Chukwu, que caracterizou Beauchamp como um "tesouro" de informações e pesquisas para contar sua história cinematográfica.

"Foi incrível aprender mais sobre quem ela era como pessoa", disse Chukwu. "Os muitos aspectos de sua vida - suas amigas, seu companheiro, sua igreja, seu trabalho, sua mãe e uma comunidade de pessoas que eram tão fundamentais para seu mundo. Eu aprendi muito sobre tudo isso. E sei que o público também vai aprender muito junto com as outras pessoas envolvidas na história".

Chukwu sentiu necessidade de se concentrar na jornada emocional de Till-Mobley, mas também queria explorar como a morte de Till impactou outros familiares, como os primos mais jovens que testemunharam o sequestro. Ela fez um esforço para recriar "momentos reais, centrados nos personagens" como diálogos entre duas pessoas.

Linchamento

"Eu queria adicionar mais camadas à complexidade de seus relacionamentos e às posições em que eles estavam, na história e no mundo", disse ela. "Foi ótimo descompactar tudo isso, essas camadas e esse subtexto emocional com os atores".

Danielle Deadwyler, que interpreta Till-Mobley, aplaudiu a narrativa de Chukwu junto com a capacidade de Beauchamp de "acessar a verdade". E elogiou Goldberg e os outros produtores por continuarem diligentes.

"É uma coisa que Mamie queria que fosse feita desde 1955. O importante é mostrá-la tentando contar essa história", disse Deadwyler. "O trabalho que Chinoye e eu fizemos na preparação com uma rigorosa pesquisa visual e acadêmica, nos entregando a essa tarefa importantíssima, é isso que esperamos compartilhar".

Goldberg, que interpreta a avó de Till, Alma Carthan, disse estar aberta à ideia de explorar mais filmes que falem de lutas raciais.

"Vou produzir o máximo de coisas que pudermos", disse ela. "Você sabe, os negros entram e saem da moda, então temos que aproveitar a maré". / Tradução de Renato Prelorentzou

Estadão
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