12 kg a menos, isolamento, aulas de remo: Filipe Bragança detalha preparação intensa para viver Amyr Klink em filme
Ator afirma que o processo para gravar o filme '100 dias' foi "transformador" para ele e trouxe aprendizados para a vida
Em 29 de outubro, o ator Filipe Bragança, de 25 anos, poderá ser visto nos cinemas na pele do navegador Amyr Klink. O filme 100 dias revisita a jornada do brasileiro em alto-mar em 1984, quando se tornou a primeira pessoa a atravessar o oceano Atlântico Sul sozinho em um barco a remo. Para interpretar o navegador, Filipe conta ao Terra que precisou passar por uma intensa preparação física e emocional.
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"Tive muitas aulas de remo, tive que emagrecer bastante para poder ficar ainda mais parecido com o Amyr", lembra o ator. Para as gravações, Filipe saiu dos 80 quilos na balança para os 68 quilos, emagrecendo 12 quilos no total.
"Foi uma preparação muito emocional também, porque eu tive que me isolar um pouquinho para entender como funcionava esse ecossistema emocional do isolamento e da solitude. Isso foi muito importante para mim", ressalta Filipe.
Ensinamentos de Amyr Klink
O artista também contou com a ajuda de Amyr nesse processo. Segundo Filipe, ele tem no celular um áudio de mais de uma hora da primeira conversa que teve com o navegador, no dia que o conheceu pessoalmente.
"Ele sempre foi muito generoso, muito receptivo, simpático. E eu, claro, muito curioso para entender esse universo, como foi a travessia, perguntando todos os tipos de curiosidade, e ele me dando todos os tipos de respostas."
"Eu me lembro, nessa ocasião, que ele me mostrou como é que usava o sextante [instrumento de navegação usado para medir a altura de astros, como o Sol e estrelas, em relação ao horizonte], como é que fazia o cálculo no mapa para entender a posição em que a gente estava no mar, ele me explicou tudo isso. Me explicou como eu usava algumas ferramentas, o rádio, enfim, perguntei muita coisa e tudo isso está no filme, sobre como ele habitava aquele ambiente do barco, do mar, do oceano, sozinho", acrescenta Filipe.
O ator ainda usou como recurso de preparação o livro Cem Dias Entre Céu e o Mar, escrito por Amyr Klink, que foi a inspiração para o filme. Pelo livro, Filipe afirma que é possível entender a perspectiva que o navegador teve da viagem, as reflexões que ele fez e também descobrir muito do senso de humor de Amyr.
"Apesar de ser um cara fechado, ele é muito bem humorado. Ele é tímido, fechado, mas é muito bem humorado, ele tem um senso de humor. Tive muitas dessas ferramentas, documentários, entrevistas, para entender a maneira dele de falar, de gesticular, de se comunicar."
'Processo muito transformador'
Embora já tivesse velejado para as gravações de uma série, Filipe conta que nunca tinha remado antes do filme. "Remar foi a primeira vez e é tão gostoso. A gente não filmou só em estúdio, a gente filmou no mar também e foi tão gostoso remar. Teve um momento que eu falei: 'cara, acho que vou deixar essa produção aí e vou sair remando", brincou. Apesar da brincadeira, ele acredita que poucas pessoas teriam a coragem de enfrentar esse desafio de atravessar sozinho um oceano como Amyr fez.
Ele destaca que o processo de fazer o filme foi "muito transformador" para ele, tanto como ator, quanto pessoa, e trouxe uma série de aprendizados para sua vida. "Esse processo ainda não acabou. Eu vivi algumas coisas nesse meio tempo, desde que a gente acabou as filmagens e refleti muito em paralelo com a história que é a ideia de que não importa quantos oceanos a gente reme, a gente sempre precisa voltar para casa."
"Acho que ele me ensina isso. Além do que eu falei que ninguém atravessa sozinho. A nossa travessia da vida é feita de muitos encontros, muitas despedidas também e acho que é bonito fazer essa reflexão, porque é isso, ninguém atravessa sozinho", reflete o ator.
Também por causa das filmagens, Filipe revela que adquiriu um novo hábito: ele passou a escrever um diário, assim como Amyr faz ao longo da sua travessia no mar.
Filme 100 dias
Dirigido por Carlos Saldanha e com roteiro de Elena Soarez e Thais Tavares, o longa retrata a histórica expedição realizada por Amyr Klink, sozinho no mar, em um barco desenhado por ele mesmo.
Há 42 anos, em 10 de junho de 1984, o navegador partia da cidade de Lüderitz, na Namíbia, país na África, rumo a uma travessia considerada impossível para a época. Cem dias depois, em 18 de setembro, ele desembarcava primeiro na Praia da Espera, depois em Salvador, na Bahia. Mais do que retratar a travessia pelo Atlântico Sul, o filme acompanha a jornada de um homem confrontado por seus medos, limites e inseguranças.
Além de Filipe Bragança como Amyr, o elenco reúne a atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu no papel de Asa Klink, mãe do navegador; Felipe Camargo como Jamil Klink, pai de Amyr; e João Vitor Silva interpretando Tymur Klink, irmão do navegador.
A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

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