Clive Owen vai a Berlim para divulgar thriller sobre os conflitos
- JULIA DÓCOLAS
- Direto de Berlim
Em meio aos confrontos e atentados terroristas entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e a Inglaterra nos anos 1990, Shadow Dancer (Dançarino das Sombras, em tradução livre), conta a história de Collette (Andrea Riseborough), uma ativista do IRA que, sob pressão de Mac (Clive Owen) - agente do serviço secreto britânico, MI5 - torna-se informante da inteligência britânica para poder salvar a vida de seu filho.
O filme, dirigido pelo inglês James Marsh, apresenta personagens que encaram dilemas morais, crises de valores e traições em meio a um período em que todos são suspeitos e perseguidos pelos dois lados do conflito.
Apesar da particularidade do tema, Owen encara um personagem já comum nos seus filmes de ação: um agente cuja honestidade e senso de justiça podem comprometer a sua vida. Questionado pela reportagem do Terra sobre a semelhança de seus papéis, Owen declarou que a profissão de seus personagens não é um fator determinante, mas os conflitos e desafios que eles enfrentam na trama.
"Me atraio muito por personagens com dilemas, pois esses dilemas são responsáveis pelo drama da história. Não tem a ver com a profissão que eles exercem, nesse caso, um agente da MI5, mas com a personalidade dos papéis. Eu não preciso necessariamente julgá-los ou gostar dos meus personagens. Eu tenho que entender o que eles fazem e o que pensam para poder fazer bem o meu trabalho."
Owen afirmou ainda que não foi difícil se preparar para interpretar Mac. Ele não fez pesquisas sobre o MI5, nem conversou com ex-agentes para se inspirar. O ator saiu de Hollywood e voltou para a Inglaterra, seu país de origem, por estar interessado no roteiro e pela sua admiração a James Marsh:
"Estava terminando um projeto quando aceitei o papel. Não tive tempo para me preparar. Mas ao ler o roteiro, brilhantemente escrito, tive certeza que o filme iria dar certo. Quem cresceu na Inglaterra e tem a minha idade, se lembra que esse conflito estava na mídia todos os dias. Aí ao voltar a Belfast, me dei conta de como tudo isso ainda é recente."